REsp 1940945 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a recorrente não demonstrou o prequestionamento da matéria federal impugnada, nos termos exigidos pelo art. 1.025 do CPC/2015 e pela Súmula 211/STJ; não tendo sido demonstrada violação ao art. 1.022 do CPC/2015 pelo acórdão de origem, impossibilita-se o exame do recurso...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrida: autora / parte apelada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial (processual Civil E Previdenciário) / Recurso Admitido Na Origem; Não Conhecido Pelo STJ
- Outcome
- Recurso especial da autarquia federal não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição Quinquenal, Teto Previdenciário (ec 20/1998 E EC 41/2003), Readequação De Benefícios, Juros E Correção Monetária, Prequestionamento (súmula 211/stj), Embargos De Declaração, Reformatio in Pejus
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
autora / parte apelada
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial (processual Civil E Previdenciário) / Recurso Admitido Na Origem; Não Conhecido Pelo STJ
Legal Issues
- 1 termo inicial da prescrição quinquenal para parcelas de benefícios previdenciários reconhecidas judicialmente
- 2 direito à readequação da renda mensal dos benefícios aos tetos fixados pelas EC 20/1998 e 41/2003
- 3 incidência de juros e correção monetária sobre diferenças devidas
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a recorrente não demonstrou o prequestionamento da matéria federal impugnada, nos termos exigidos pelo art. 1.025 do CPC/2015 e pela Súmula 211/STJ; não tendo sido demonstrada violação ao art. 1.022 do CPC/2015 pelo acórdão de origem, impossibilita-se o exame do recurso especial.
Court Disposition
Recurso especial da autarquia federal não conhecido
Orders
- Recurso especial não conhecido
- Majorar em 10% (dez por cento) os honorários sucumbenciais por conta da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observado o disposto nos §§ 2º e 3º e no art. 98, § 3º, do CPC/2015
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DECISÃO PROCESSUAL CIVL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ADEQUAÇÃODE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO AOS TETOS INSTITUÍDOS PELAS EC 20/1998 E 41/2003. PRESCRIÇÃO. PRECLUSÃOE REFORMATIO IN PEJUS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. RECURSO DA AUTARQUIA FEDERAL NÃO CONHECIDO. 1. Cuida-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL,com fundamento no art. 105, inciso III, alíneaa, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região,assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO DE APELAÇÃO. REVISÃO DA RENDA MENSAL. MAJORAÇÃO DO VALOR FIXADO COMO TETO PARA OS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. PRESCRIÇÃO DAS DIFERENÇAS DEVIDAS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE QUE JUSTIFICA APOSTULADA REVISÃO. MODIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA PARTECONCERNENTE À ATUALIZAÇÃO DAS DIFERENÇAS. RECURSO DESPROVIDO. I. Recurso de apelação contra sentença pela qual o MM. Juiz a quo julgou improcedente o pedido, em ação ajuizada objetivando a readequação do valor da renda mensal de aposentadoria, em virtude da majoração do valor do teto fixado para os benefícios previdenciários. Ausência de remessa necessária. II. Inicialmente, quanto à prescriçãoquinquenal das diferenças devidas, nas relações jurídicas detrato sucessivo entre o INSS e seus segurados, aplica-se a orientação da Súmula 85 do STJ, segundo a qual: ".. quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do quinquênio anterior à propositura da ação.". No que concerne ao ajuizamento da ação civil pública nº nº0004911-28.211.4.03.6183, perante o Juízo da 1ª Vara Previdenciária da 1ª Subseção da Seção judiciária do Estado de São Paulo, no que toca à prescrição quinquenal, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sessão eletrônica de 18/12/2018,decidiu afetar os REsp"s de números 1.761.874/SC, 1.766.553/SC e 1.751.667/RS, ao rito do art. 1.036 e seguintes do CPC /2015, c/c art. 256, I e seguintes de seu Regimento Interno, para submeter a julgamento a seguinte questão (Tema 1005): "Fixação do termo inicial da prescrição quinquenal, para recebimento de parcelas de benefício previdenciários reconhecidas judicialmente, em ação individual ajuizada para adequação da renda mensal aos tetos fixados pelas emendas constitucionais 20/98 e41/2003, cujo pedido coincide com aquele anteriormente formulado em ação civil pública", determinando na ocasião, a suspensão de todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre a matéria e tramitem no território nacional, nos termos do art. 1.037, II do CPC/2015 (Acórdão publicado no DJe de 07/02/2019). Assim, considerando o disposto no art. 4º do CPC, o qual estabelece que as partes tem direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa, e tendo em vista a afetação quanto à interrupção da prescrição em razão doajuizamento da ação civil pública, determino a suspensão do julgamento isolado da aludida questão, nos termos do art. 1.037, II do CPC, até o seu julgamento definitivo pelo Eg. STJ, sem prejuízo do regular prosseguimento da liquidação e execução dos demais termos deste acórdão, após o trânsito em julgado dessa parte que restar incontroversa. E diante disso, fixo por ora a prescrição das diferenças com fundamento na Súmula 85 do STJ, até a decisão definitiva daquela Corte sobre o tema. III. No mérito, infere-se dos fundamentos contidos no julgamento do RE 564.354/SE que, não obstante o col. STF ter reconhecido o direito de readequação do valor de renda mensal do benefício por ocasião do advento das EC nºs 20/98 e 41/2003, nem todos os benefícios do RGPS fazem jus a tal revisão, uma vez que restou claro que a alteração do valor do teto repercute apenas nos casos em que o salário de benefício do segurado tenha sido calculado em valor maior que o teto vigente na época da concessão, de modo a justificar a readequação da renda mensal do benefício quando da majoração do teto, pela fixação de um novo limite para os benefícios previdenciários, o qual poderá implicar, dependendo da situação, recomposição integral ou parcial do valor da renda mensal que outrora fora objeto do limite até então vigente. IV. Cumpre consignar que tal conclusão derivou da compreensão de que o segurado tem direito ao valor do salário de benefício original, calculado por ocasião de sua concessão, ainda que perceba quantia inferior por incidência do teto. V. Nesse sentido, para efeito de verificação de possível direito à readequação do valor da renda mensal do benefício, será preciso conhecer o valor genuíno da RMI, sem qualquer distorção, calculando-se o salário de benefício através da média atualizada dos salários de contribuição, sem incidência do teto limitador, uma vez que este constitui elemento extrínseco ao cálculo, aplicando-se posteriormente ao salário de benefício o coeficiente de cálculo (70% a 100%) e partir daí, encontrada a correta RMI, proceder a devida atualização do valor benefício através da aplicação dos índices legais, de modo que ao realizar o cotejo entre o valor encontrado e o limitador, seja possível verificar a existência ou não de direito à recuperação total ou parcial do valor eventualmente suprimido, como decorrência da majoração do limite até então vigorante (Emendas Constitucionais nºs 20/98 e 41/2003), fato que possibilitará, desde que se constate a supressão do valor original do benefício, a readequação do mesmo até o novo limite fixado. VI. Diante desse quadro, é possível concluir que o direito postulado se verifica nas hipóteses em que comprovadamente ocorre distorção do valor original do benefício, mas não em função da aplicação do teto vigente, cuja constitucionalidade é pacífica, e sim pela não recomposição do valor originário quando da fixação de um novo limite diante da edição das Emendas Constitucionais n 20/98 e 41/2003, em configuração que permita, no caso concreto, a readequação total ou parcial da renda mensal, em respeito ao seu valor originário diante da garantia constitucional da preservação do valor real do benefício. VII. Destarte, levando-se em conta que o eg. STF não impôs tal restrição temporal quando do reconhecimento do direito de readequação dos valores dos benefícios como decorrência da majoração do teto previdenciário nas Emendas Constitucionais nºs20/98 e 41/2003, e considerando, inclusive, ainda a orientação da Segunda Turma Especializada desta Corte que refuta a tese sustentada pelo INSS no sentido de que o aludido direito somente se aplicaria aos benefícios iniciados a partir de 5 de abril de1991, deve ser reconhecido, indistintamente, o direito de readequação do valor da renda mensal quando da majoração do teto, desde que seja comprovado nos autos que o valor do benefício tenha sido originariamente limitado. VIII. Acresça-se, em observância a essência do que foi deliberado pelo Pretório Excelso, não ser possível afastar por completo o eventual direito de readequação da renda mensal para os benefícios concedidos no período do denominado buraco negro, cujas RMI"s foram posteriormente revistas por determinação legal (art. 144 da Lei 8.213/91),desde que, obviamente, haja prova inequívoca (cópia do cálculo realizado pelo INSS na aludida revisão) de que o novo valor da renda inicial (revista) fosse passível de submissão ao teto na época da concessão do benefício. IX. De igual modo, não se exclui totalmente a possibilidade de ocorrência de distorção do valor originário do benefício em função da divergente variação do valor do teto previdenciário em comparação com os índices legais que reajustaram os benefícios previdenciários, conforme observado no julgamento do RE 564.354/SE, hipótese que, no entanto, demandará prova ainda mais específica, sem a qual não restará evidente o prejuízo ao valor originário do benefício que possa caracterizar o fato constitutivo do alegado direito. X. Partindo de tais premissas e das provas acostadas aos autos, é possível concluir que, no caso concreto, o valor real do benefício instituidor de sua pensão, em sua concepção originária, foi submetido ao teto por ocasião de sua concessão, conforme se verifica no documento juntado ao Evento 1 (Cadastro nacional de informações 4 - fl. 03), motivo pelo qual se afigura correta a sentença, fazendo a parte apelada jus à readequação do valor da renda mensal de sua pensão, por ocasião da fixação de novos valores para o teto previdenciário nas Emendas Constitucionais nº 20/98 e 41/2003. E quanto ao requerimento do INSS, objetivando a determinação de retificação de alegados erros históricos no reajuste do benefício, descritos no Despacho Decisório nº 1DIRBEN/DIRAT/PFE-INSS/2016 da própria autarquia, tal pleito não foi submetido a exame em primeiro grau, nem tampouco, ao menos submetido à apreciação da parte contrária, o que prejudica a sua análise em sede de apelação, diante da necessidade de dialética processual suficiente à sua conclusão, e em respeito ao Princípio do Devido Processo Legal. XI. Todavia, no que diz respeito à incidência de juros e correção monetária, o eg. STJ assentou entendimento no sentido de que se trata de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NORECURSO ESPECIAL. OBSERVÂNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA EM SEDE DEREEXAME NECESSÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NONREFORMATIO IN PEJUS E DA INÉRCIA DA JURISDIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEMPÚBLICA QUE NÃO DEPENDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO PARA O TRIBUNAL DEORIGEM. 1. A correção monetária, assim como os juros de mora, incide sobre o objeto da condenação judicial e não se prende a pedido feito em primeira instância ou a recurso voluntário dirigido à Corte de origem. É matéria de ordem pública, cognoscível de ofício em sede de reexame necessário, máxime quando a sentença afirma a sua incidência, mas não disciplina expressamente o modo como essa obrigação acessória sedará no caso (..). (STJ, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Ag. Interno no REsp 1.364.928/MG, DJe de 02/03/2017). No que toca à disciplina dada pelo art. 1º-F da Lei 9.494/97 aos juros e à correção monetária aplicáveis às condenações em face da Fazenda Pública, o eg. STF, quando do julgamento das ADIs 4.357 e 4.425, declarou ainconstitucionalidade, por arrastamento, do disposto no art. 5º da Lei nº 11.960/2009,considerando incongruente com o sistema constitucional a utilização da TR como índice de atualização monetária. Resumidamente, é possível afirmar que o STF, por ocasião do julgamento das ADIS 4.357 e 4.425, e posteriormente com a modulação dos efeitos, estabeleceu a seguinte disciplina para o pagamento de precatórios: 1) a partir de30/06/2009 (data de entrada em vigor da Lei 11.960/2009 - que deu nova redação ao art.1º-F da Lei 9.494/97) até 25/03/2015 (data fixada na modulação dos efeitos das decisões do eg. STF nas ADIs 4.357 e 4.425): a) A atualização monetária deverá ser realizada pela TR; b) Juros de mora nos moldes aplicados à caderneta de poupança. 2) a partir de25/03/2015 (data de modulação dos efeitos das ADI"s 4357 e 4425 pelo STF); a)Atualização monetária pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - Série Especial(IPCA-E); b) Juros monetários nos débitos não tributários; Índice da Poupança e c) Juros moratórios dos débitos tributários: SELIC. As decisões proferidas nas ações diretas de inconstitucionalidade, todavia, tinham por objeto a discussão acerca do sistema de atualização monetária e juros aplicáveis aos precatórios, enquanto a disposição do art.1º-F da Lei nº 9.494/97 possui alcance muito mais amplo, já que cuida das condenações em geral em face da Fazenda Pública, daí porque, mais recentemente, a Suprema Corte, instada a decidir sobre a questão, por ocasião do julgamento do RE 870947, assentou, resumidamente, que: a) Foi afastado o uso da Taxa Referencial (TR) como índice de correção monetária dos débitos judiciais da Fazenda Pública, mesmo no período anterior à expedição do precatório, devendo ser adotado o índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E); b) Em relação aos juros de mora, o STF manteve o índice de remuneração da poupança no tocante aos débitos de natureza não tributária. Verifica-se que o referido julgado do STF fixou premissas em relação aos juros e à correção monetária, declarando a inconstitucionalidade da aplicação da TR, definindo, outrossim, como índice de atualização para os débitos judiciais, de um modo geral, o IPCA-e, sem contudo definir, de forma específica, o índice incidente em relação aos débitos judiciais previdenciários, o que, por outro lado, ficou claro na decisão do eg. STJ que consolidou o Tema de nº 905 dos recursos repetitivos e fixou o INPC como índice próprio para atualização dos débitos judiciais previdenciários, em observância ao disposto no art. 41-A da Lei 8.213/91, que deve aplicado ao caso. Oportuno registrar que as decisões proferidas nas ações diretas de inconstitucionalidade possuem eficácia erga omnes e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal, nos termos do disposto no parágrafo único do art.28 da Lei nº 9.868/99, bem como no § 2º do art. 102 da CRFB/88. O CPC, por seu turno, determina aos juízes e tribunais, em seu art. 927, III, dentre outras coisas, a observância dos acórdãos em incidentes de resolução de demandas repetitivas e em julgamentos de recursos extraordinário e especial repetitivos, cabendo, inclusive, reclamação nos termos do art. 988, IV, do mesmo código. Considerando que as condenações em face da Fazenda Pública recaem, em grande parte dos casos, sobre relações de trato sucessivo, é de se registrar a necessidade de aplicação do postulado segundo o qual tempus regit actum às normas incidentes sobre tais relações, sobretudo aquelas atinentes a juros e correção monetária, as quais devem ter aplicação de imediato, sem retroatividade, assim como, de igual modo, as interpretações de cunho vinculante que os órgãos do Poder Judiciário vierem a firmar sobre a interpretação de tais normas jurídicas. Em vista disso, as decisões de caráter vinculante proferidas pelos tribunais superiores acerca da incidência de juros e correção monetária passam a integrar o acórdão recorrido, devendo ser observadas por ocasião da liquidação e execução do título executivo judicial, assim como qualquer outra decisão de observância obrigatória que venha a ser proferida, de modo que a análise do ponto, em sede de cognição, fica exaurida, não havendo margem para eventual oposição de novo recurso de caráter declaratório. Nodia 24 de setembro de 2018, o Exmo. Min. Luiz Fux proferiu decisão atribuindo efeito suspensivo aos embargos de declaração interpostos em face do acórdão proferido no RE870.947-SE (Tema 810), com base no § 1º do artigo 1.026 do CPC/2015. Tal decisão culminou com a suspensão, por via de consequência, do tema 905 do STJ, por decisão da sua vice-presidência nos autos do REsp 1492221/PR, publicada no DJe do dia08/10/2018. Diante disso, afigura-se imperioso destacar duas orientações possíveis para a liquidação e a execução do julgado, conforme ocorram antes ou depois da cessação do efeito suspensivo atribuído aos recursos interpostos em face dos acórdãos proferidos nos temas 810 do STF e 905 do STJ, a saber: 1) Se por ocasião da expedição da requisição(RPV ou precatório) para pagamento em decorrência da execução do julgado ainda vigorar a suspensão do efeito vinculante dos acórdãos proferidos nos temas 810 do STF e 905 do STJ, as parcelas atrasadas vencidas antes do início da vigência da Lei nº11.960/2009 deverão ser acrescidas de juros e correção monetária nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal, enquanto as vencidas durante a sua vigência deverão ser acrescidas de juros e correção de acordo com o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97; OU 2) Se por ocasião da expedição da requisição (RPV ou precatório) para pagamento em decorrência da execução do julgado tiver cessado a suspensão do efeito vinculante dos acórdãos proferidos nos temas 810 do STF e 905 do STJ, as parcelas atrasadas vencidas antes do início da vigência da Lei nº 11.960/2009 deverão ser acrescidas de juros e correção monetária nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal, enquanto as vencidas durante a sua vigência deverão ser acrescidas de juros e correção de acordo com o que vier a ser decidido pelos tribunais superiores na conclusão do julgamento dos temas repetitivos acima aludidos. Com o advento das decisões definitivas do STF e do STJ, compete ao Juízo a quo, em sede de execução, aplicar os índices ali definidos, sendo certo que, caso eventual modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade seja favorável ao exequente, terá direito ao recálculo dos valores devidos para recebimento da diferença, inclusive mediante requisição complementar se for o caso. Assim, restando apreciada a questão concernente à incidência de juros e correção monetária, inclusive na vigência da Lei11.960/2009, cumpre sinalizar que nada justificará a apresentação de novo recurso que tenha por objeto rediscutir esse tema específico, a causar grave prejuízo à atividade jurisdicional, fato que, uma vez configurado, poderá dar ensejo à aplicação de multa, na linha jurisprudencial do eg. STF, como se extrai da ementa a seguir, aplicável, mutatis mutandis, na espécie: "(..) A possibilidade de imposição de multa, quando manifestamente inadmissível ou infundado o agravo, encontra fundamento em razões de caráter ético - jurídico, pois, além de privilegiar o postulado da lealdade processual, busca imprimir maior celeridade ao processo de administração da justiça, atribuindo-lhe um coeficiente de maior racionalidade, em ordem a conferir efetividade à resposta jurisdicional do estado (..)" (RE nº 244.893 - AgR-ED, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de03.02.2000). "(..) 4. O recurso declaratório, concebido ao aprimoramento da prestação jurisdicional, não pode contribuir, ao revés, para alongar o tempo do processo onerando o já sobrecarregado ofício judicante. 5. A omissão, contradição, obscuridade, ou erro material, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão da decisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 1.022 do CPC/2015. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revela-se inadmissível, em sede de embargos" (STF, Rcl 21333 AG-R-ED, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ02/06/2016). As diferenças portanto deverão ser atualizadas de ofício na vigência da Lei11.960/2009 na forma supra citada. XII. Recurso desprovido, com modificação de ofício da parte concernente à atualização das diferenças (fls. 97/110). 2. Os embargos de declaração opostos foram acolhidos,cuja ementa é a seguinte: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. READEQUAÇÃO DOS VALORES MENSAIS DO BENEFÍCIOPREVIDENCIÁRIO AOS TETOS CONSTITUCIONAIS TRAZIDOS PELAS EC20/98 E 41/2003. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. PROVIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SANANDO AOMISSÃO APONTADA. I. Embargos de declaração opostos em face de acórdão da Primeira Turma Especializada pelo qual foi parcialmente provida a apelação da autora, apenas para declarar incabíveis os descontos efetuados na cota parte do benefício da apelante, em ação ajuizada em face do INSS e outros, objetivando o pagamento exclusivo de pensão previdenciária, as diferenças consideradas devidas e abstenção de descontos por parte do INSS. II. Os embargos de declaração se prestam ao aperfeiçoamento da prestação jurisdicional, para efeito de sanar eventuais vícios processuais do julgado, tais como contradição, obscuridade ou omissão e, ainda, para corrigir erro material ou erro de fato, caso existente, mas não operam, via de regra, efeitos infringentes, o que só acontece, excepcionalmente, em situações em que a correção de um desses vícios mencionados resulte, necessariamente, em modificação do julgado. III. Consoante a legislação processual vigente - Código de Processo Civil -Lei 13.105/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; suprir omissão ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento e corrigir erro material (art. 1022e incisos). IV. A atribuição de efeitos infringentes aos embargos de declaração, por seu turno, somente é possível nos casos em que há omissão, obscuridade ou contradição.(STJ - EDcl no AgRg no REsp: 862581 SP 2006/0140408-2, Relator: Ministro NAPOLEÃONUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 09/06/2015, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 22/06/2015). VI. No caso, compulsando os presentes autos, e objetivamente, o conteúdo da sentença e das questões requeridas na pauta de julgamento em sede de apelação, é importanteconsiderar, que não obstante o Relator do julgado ter determinado a suspensão do andamentodo feito na parte que tangencia a "Fixação do termo inicial da prescrição quinquenal" diante da pendência de julgamento do Tema Repetitivo 1005 no eg. STJ, não vizualizo contudo, a possibilidade da concretização de reformatio in pejus, vez que a fixação do termo inicial da prescrição quinquenal, restou fixada, por ora, nos cinco anosque antecedem ao ajuizamento do pedido vestibular, ou seja, na mesma forma posicionadapela autarquia. VII. Restou claro no julgamento, que a conclusão foi pautada na futura possibilidade da própriaautora requerer posicionamento diverso, o que levaria à probabilidade de se perpetuaruma discussão que levaria prejuízo a celeridade na resolução da questão, se contrapondoao Princípio da Efetividade do Processo. O objetivo, como já dito, é garantira efetividade do processo, pautado no disposto no art. 4º do CPC, o qual estabeleceque as partes tem direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa, considerando que a parte principal resta incontroversa. Portanto, mantenho o mesmo termo inicial da prescrição quinquenal, qualseja, a partir dos cinco anos que antecedem o ajuizamento do pedido. Não obstanteisso, vale lembrarque fica reservado ao recorrente o direito a interposição de recursopróprio aos Tribunais Superiores contra a decisão deste colegiado. VIII. Embargos de declaração desprovidos (fls. 140/144). 3. Nasrazões do seurecurso especial (fls. 149/154), a parte recorrente sustenta violação dos arts.505, 507, 508 e 1.013, todos do CPC/2015, argumentando, em suma, queo termo inicial da prescrição não foi objeto de recurso da parte autora, estando acobertado pela preclusão, razão por que não poderia o Tribunal de origem reanalisar a matéria, sob pena de reformatio in pejus. 4. Devidamente intimada, a parte recorrida apresentou as contrarrazões (fls.160/163). 5. Houve juízo de retratação com relação aos consectários legais, temas 905/STJ e 810/STF (fls. 191/194). 6. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 203/204). 7.É o relatório. 8. A insurgência merece acolhimento. 9.Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 10. Indubitavelmente, não é o caso doprequestionamento ficto. Isso porque, conforme o entendimento desta egrégia Corte Superior, a incidência do art.1.025do CPC/2015exige que o recurso especial tenha demonstrado a ocorrência de violação do art. 1.022 do referido diploma legal - possibilitando verificar a omissão do tribunal de origem quanto à apreciação da matéria de direito de lei federalcontrovertida, bem como superar a supressão de instância pelo instância ad quem,caso constate a existência do vício do julgado, vindoa deliberar sobre a possibilidade de julgamento imediato da matéria,o que não ocorreu na espécie. 11. Confiram-se, a propósito, os seguintesjulgados deste Superior Tribunal de Justiça a seguir: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. CESSÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. ART. 114 DA LEI 8.213/91. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 83 DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA 182 DO STJ. (..). 3. O STJ possui o entendimento de que não basta a oposição de Embargos de Declaração para a configuração do prequestionamento ficto admitido no art. 1.025 do CPC/2015, sendo imprescindível que a parte alegue, nas razões do Recurso Especial, a violação do art.1.022 do mesmo diploma legal, para que, assim, o Superior Tribunal de Justiça esteja autorizado a examinar eventual ocorrência de omissão no acórdão recorrido e, caso constate a existência do vício, venha a deliberar sobre a possibilidade de julgamento imediato da matéria, conforme facultado pelo legislador. (..). 6. Agravo Interno não conhecido. (AgInt nos EDcl no REsp 1.849.130/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/3/2021, DJe 16/3/2021- sem destaques no original). PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO AMBIENTAL.SUSPENSÃO. AÇÃO ANULATÓRIA GARANTIA. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTO NÃO ATACADO. PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL (PRA). CONCRETIZAÇÃO PENDENTE. FATO NOVO. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO FICTO. AUSÊNCIA. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC" (Enunciado Administrativo n. 3). (..). 8. Segundo o entendimento desta Corte de Justiça, para se reconhecer o prequestionamento ficto de que trata o art. 1.025 do CPC/2015, na via do especial, impõe-se a invocação e o reconhecimento de contrariedade ao art. 1.022 do CPC/2015, o que não ocorreu. 9. Agravo interno desprovido.(AgInt no REsp 1.622.622/PR, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 31/8/2020, DJe 8/9/2020- sem destaques no original). 12. No mais, aalegação de violação dos arts.505, 507, 508 e 1.013não é suficiente para se ter a questão de direito como prequestionada, instituto que, para sua caracterização, demanda, além da alegação, a discussão e apreciação judicial pelo tribunal de origem. Com efeito, a jurisprudência desta Corte Superior considera que a ausência de enfrentamento pelo tribunal de origem da matéria impugnada, objeto do recurso excepcional, não obstante interposição de embargos de declaração, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 211/STJ. 13. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da autarquia federal. 14. Por fim, caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% (dez por cento) o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. 15. Publique-se. Intimações necessárias.