AREsp 2472112 - DECISAO
Em face do Tema 1.109, o reconhecimento administrativo de direito não configura renúncia tácita à prescrição, de modo que deve ser verificada a conformidade do acórdão recorrido com o entendimento do STJ; assim, os autos foram devolvidos ao Tribunal de origem para que, observados arts. 1.030 e 1.040 do CPC, seja...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
- Outcome
- Autos devolvidos ao Tribunal de origem para aplicação do Tema 1.109 do STJ e eventual juízo de retratação nos termos do art. 256-L, II, do RISTJ.
- Legal Topics
- Prescrição Quinquenal, Licença Especial Não Gozada, Conversão Em Pecúnia, Renúncia Tácita Da Prescrição, Revisão Administrativa, Recursos Repetitivos (tema 1.109), Admissibilidade Do Recurso Especial
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Procedural Posture
Agravo / Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 ocorrência de prescrição quinquenal e termo inicial para ex-militares
- 2 aplicabilidade do art.191 do Código Civil à renúncia tácita da prescrição pela Administração Pública
- 3 efeitos financeiros retroativos de reconhecimento administrativo e necessidade de lei autorizativa para renúncia da prescrição
Ratio Decidendi
Em face do Tema 1.109, o reconhecimento administrativo de direito não configura renúncia tácita à prescrição, de modo que deve ser verificada a conformidade do acórdão recorrido com o entendimento do STJ; assim, os autos foram devolvidos ao Tribunal de origem para que, observados arts. 1.030 e 1.040 do CPC, seja negado seguimento ao recurso especial quando o acórdão estiver alinhado ao entendimento do STJ ou seja promovido juízo de retratação quando divergir.
Court Disposition
Autos devolvidos ao Tribunal de origem para aplicação do Tema 1.109 do STJ e eventual juízo de retratação nos termos do art. 256-L, II, do RISTJ.
Orders
- Determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem nos termos do art. 256-L, II, do RISTJ.
- Se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o entendimento do STJ, negar seguimento ao recurso especial (arts. 1.030 e 1.040 do CPC).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial da parte ora recorrente. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão, assim ementado (fl. 172-173): ADMINISTRATIVO. MILITAR. LICENÇA ESPECIAL NÃO GOZADA, NEM COMPUTADA PARA FINS DE INATIVIDADE. CONVERSÃO EM PECÚNIA. PRESCRIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. DATA DA APOSENTAÇÃO. OCORRÊNCIA. PASSAGEM PARA A INATIVIDADE EM PERÍODO ANTERIOR AOS CINCO ANOS QUE ANTECEDERAM O AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. 1. Sentença proferida na vigência do CPC/2015. Presentes os pressupostos de admissibilidade. Apelação recebida no efeito devolutivo (art. 1.011 do CPC). 2. O Decreto nº 20.910 de 1932, determina a prescrição quinquenal para todas as dívidas contra a Fazenda Pública. Tratando-se de ação proposta por ex-militar, o termo inicial da prescrição é contado da data do seu desligamento da respectiva Força. Nestes termos, o termo a quo da prescrição do direito de pleitear indenizações referentes a licenças e férias não gozadas deve ser o ato de inativação. Precedente STJ: EDcl no REsp 1634035/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/03/2018, DJe 23/03/2018. 3. No presente caso, houve o transcurso de mais de cinco anos entre a data da inativação do ex- militar (30/04/2003) e o ajuizamento do feito (23/09/2019), ocorrendo a prescrição que atingiu o próprio fundo de direito. 4. Apelação do autor desprovida. 5. Os honorários de advogado ficam majorados em 2% (dois por cento), a teor do disposto no art. 85, §§ 2º, 3º e 11, do NCPC, totalizando o quantum de 12% (doze por cento) calculado sobre o valor da causa, ressalvada a condição suspensiva de exigibilidade a que faz jus o beneficiário da justiça gratuita, nos termos do art. 98, § 3º, do CPC. Embargos de declaração rejeitados. No recurso especial o recorrente alega violação dos artigos 489 e 1022, ao argumento de que a Corte local não se manifestou a respeito de pontos importantes ao deslinde da controvérsia. Quanto a questão de fundo, sustenta ofensa, aos arts. 191 do Código Civil e 1025 do CPC/2015, quanto a inocorrência de prescrição, bem como a existência de dissídio jurisprudencial. Com contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. É o relatório. Decido. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Tendo a parte insurgente impugnado os fundamentos da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial. Na hipótese, observa-se que o caso dos autos se refere a incidência da prescrição, e sua renúncia, quando havido reconhecimento administrativo do direito. Essa temática foi objeto de afetação e julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio do Tema 1.109 dos recursos repetitivos, assim delimitado: TEMA 1.109: "Definição acerca da ocorrência, ou não, de renúncia tácita da prescrição, como prevista no art. 191 do Código Civil, quando a Administração Pública, no caso concreto, reconhece o direito pleiteado pelo interessado". Do referido julgamento, extrai-se a seguinte ementa: DIREITO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. TEMA 1.109. SERVIDOR PÚBLICO APOSENTADO. REVISÃO ADMINISTRATIVA DEFLAGRADA DEPOIS DE TRANSCORRIDOS MAIS DE CINCO ANOS DESDE O ATO DE APOSENTAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À CONTAGEM DE TEMPO ESPECIAL COM REFLEXO FINANCEIRO FAVORÁVEL AO APOSENTADO. REALINHAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL AO QUANTO DECIDIDO PELO TCU NO ACÓRDÃO N. 2008/2006 (CONFORME ORIENTAÇÕES NORMATIVAS 3 E 7, DE 2007, DO MPOG). PRETENSÃO DA PARTE APOSENTADA EM RECEBER AS RESPECTIVAS DIFERENÇAS DESDE A DATA DA APOSENTAÇÃO, E NÃO SOMENTE A CONTAR DA EDIÇÃO DO ACÓRDÃO DO TCU (2006). IMPOSSIBILIDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO QUE NÃO IMPLICOU RENÚNCIA TÁCITA À PRESCRIÇÃO POR PARTE DA ADMINISTRAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 191 DO CÓDIGO CIVIL NA ESPÉCIE. REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO DE DIREITO PÚBLICO QUE EXIGE LEI AUTORIZATIVA PRÓPRIA PARA FINS DE RENÚNCIA À PRESCRIÇÃO JÁ CONSUMADA EM FAVOR DA ADMINISTRAÇÃO. 1. O Tema Repetitivo n. 1.109 teve sua afetação assim delimitada: "Definição acerca da ocorrência, ou não, de renúncia tácita da prescrição, como prevista no art. 191 do Código Civil, quando a Administração Pública, no caso concreto, reconhece o direito pleiteado pelo interessado". 2. A revisão administrativa que promova a adoção de entendimento mais favorável ao administrado, em observância aos princípios da igualdade e da segurança jurídica, não se caracteriza como renúncia, tácita ou expressa, à prescrição já consumada em favor da Administração Pública, máxime com vistas à pretendida produção de efeitos financeiros retroativos à data do ato concessivo da aposentadoria da parte autora, à míngua de lei nesse sentido. Inaplicabilidade do art. 191 do Código Civil na espécie. 3. Em respeito ao princípio da deferência administrativa, o agir administrativo transigente, pautado na atuação conforme a lei e o direito, segundo padrões éticos de probidade e boa-fé, deve ser prestigiado pela jurisdição, sinalizando, assim, favoravelmente a que os órgãos administrativos tomadores de decisão sempre tenham em seu horizonte a boa prática da busca de soluções extrajudiciais uniformes, desestimulando, com isso, a litigiosidade com os administrados. 4. Nesse sentido, destaca-se orientação doutrinária segundo a qual " os tribunais também desestimulam a solução extrajudicial quando conferem à Administração transigente, que reconhece administrativamente direitos, tratamento até mais gravoso do que aquele que lhe seria conferido em caso de intransigência." (Luciano, Pablo Bezerra. In A renúncia tácita à prescrição pelo Poder Público. Revista Consultor Jurídico, 11 fev. 2002). 5. TESE REPETITIVA: Não ocorre renúncia tácita à prescrição (art. 191 do Código Civil), a ensejar o pagamento retroativo de parcelas anteriores à mudança de orientação jurídica, quando a Administração Pública, inexistindo lei que, no caso concreto, autorize a mencionada retroação, reconhece administrativamente o direito pleiteado pelo interessado. 6. RESOLUÇÃO DO CASO CONCRETO: 6.1. Em razão de nova interpretação jurídica decorrente do Acórdão TCU n. 2008/2006 (superação da Súmula n. 245/TCU), a Administração Pública reconheceu administrativamente o direito de servidora aposentada à contagem de tempo especial (serviço insalubre) prestado no serviço público, mas em regime celetista, até ao advento do Regime Jurídico Único (Lei n. 8.112/90), com os correspondentes reflexos financeiros, retificando e, com isso, majorando seus proventos (a contar de 6/11/2006, data da publicação do referido acórdão do TCU, observada a prescrição quinquenal, marcada pelo requerimento administrativo datado de outubro de 2016). 6.2. Nada obstante a Administração Pública tenha reconhecido a produção de efeitos financeiros prospectivos, isto é, a partir da nova interpretação jurídica conferida pelo acórdão do TCU, a decisão judicial ora recorrida qualificou a sobredita revisão administrativa como sendo caso de renúncia tácita à prescrição, condenando a União ao pagamento retroativo de diferenças vencimentais desde a data do ato de jubilação da parte autora (2/5/1995), ou seja, em desalinho com a tese firmada no presente repetitivo. 6.3. Recurso especial da União conhecido em parte e, nessa extensão, parcialmente provido. (REsp n. 1.925.192/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 13/9/2023, DJe de 2/10/2023.) Ante o exposto, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem pelo Tema n. 1109, nos termos do art. 256-L, II, do RISTJ, para que, em observância aos arts. 1.030 e 1.040 do CPC: a) negue seguimento ao recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o entendimento do STJ; b) encaminhe os autos ao órgão julgador para realização do juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA