AREsp 1710503 - DECISAO
Inicialmente conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial em razão da ausência de prequestionamento da tese recursal pela corte de origem, o que impede a demonstração do dissídio jurisprudencial exigido pela alínea 'c' do art. 105, III, da CF/88; contudo, exercendo o juízo de retratação, o Relator...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Estado do Mato Grosso
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Contra Decisão Que Não Conheceu Recurso Especial / Juízo De Retratação; Remessa Dos Autos Para Apreciação Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Decisão de fls. 330/332 reconsiderada e tornada sem efeito; autos remetidos conclusos para apreciação do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Prescrição Quinquenal, URV, Reestruturação Remuneratória, Prequestionamento, Súmula 211/stj, Juízo De Retratação
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Estado do Mato Grosso
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Contra Decisão Que Não Conheceu Recurso Especial / Juízo De Retratação; Remessa Dos Autos Para Apreciação Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento como óbice ao conhecimento do recurso especial
- 2 possibilidade de demonstrar dissídio jurisprudencial (alínea 'c' do art. 105, III, CF/88)
- 3 termo inicial da prescrição quinquenal em razão da reestruturação remuneratória
Ratio Decidendi
Inicialmente conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial em razão da ausência de prequestionamento da tese recursal pela corte de origem, o que impede a demonstração do dissídio jurisprudencial exigido pela alínea 'c' do art. 105, III, da CF/88; contudo, exercendo o juízo de retratação, o Relator reconsiderou a decisão anterior (fls.330/332), tornando-a sem efeito e determinando que os autos retornem conclusos para apreciação do agravo em recurso especial.
Court Disposition
Decisão de fls. 330/332 reconsiderada e tornada sem efeito; autos remetidos conclusos para apreciação do agravo em recurso especial
Orders
- Reconsidera-se a decisão de fls. 330/332, tornando-a sem efeito
- Determina-se o retorno dos autos conclusos para apreciação do agravo em recurso especial (fls. 318/322)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto peloEstado do Mato Grossodesafiando decisão do Ministro Presidente desta Corte, queconheceu do agravo para não conhecer dorecurso especial, nos seguintes termos (fls. 330/332): Cuida-se de agravo apresentado pelo ESTADO DE MATO GROSSO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO, assim resumido: AGRAVO INTERNO INTERPOSTO NO RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA - URV PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE DIREITO PEDIDO DE RETRATAÇÃO DA DECISÃO - IMPOSSIBILIDADE PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS RECURSO DESPROVIDO. Além de divergência jurisprudencial, alega violação do art. 189 do Código Civil e do art. 1º do Decreto n. 20.910/1932, no que concerne ao reconhecimento da prescrição quinquenal da pretensão relativa ao pleito de conversão em URV, uma vez que o termo inicial se deu há mais de cinco anos com a reestruturação remuneratória da carreira, trazendo os seguintes argumentos: Nesse contexto, importa ressaltar que, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), esposado no RE 561836/RN, as leis que promoveram a reestruturação remuneratória da carreira são o termo final para a percepção de qualquer parcela decorrente da errônea conversão da URV, por não haver direito ad aeternum de parcela de remuneração ao servidor público .. . (fls. 297). Ora, se o termo final para a percepção de qualquer vantagem decorrente da conversão da URV é a reestruturação remuneratória da carreira, a ocorrência da reestruturação financeira fulmina a pretensão autoral, nos cinco anos subsequentes à reestruturação. Isto porque, o direito foi violado definitivamente (nas palavras do STF, o término da incorporação), com a reestruturação remuneratória da carreira, nascendo, a partir de então, a pretensão que se extingue com o prazo prescricional quinquenal para postular quaisquer dívidas à Fazenda Pública (Art. 189 do Código Civil de 2002 e Art. 1º do Decreto nº 20.190/1932). (fls. 299). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "O Tribunal de origem não tratou do tema ora vindicado sob o viés da exegese dos artigos 131 e 139 do CPC/1973, e, tampouco o recorrente opôs embargos de declaração visando prequestionar explicitamente o tema. Incidência da Súmula 211/STJ". (AgInt no REsp n. 1.627.269/PE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27/9/2017.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ademais, verifica-se que os dispositivos legais sobre os quais teria havido o dissídio jurisprudencial não foram examinados pela Corte de origem. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da norma objeto da divergência jurisprudencial, inviável a demonstração do referido dissenso em razão da inexistência de identidade entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Nesse sentido: "O óbice da ausência de prequestionamento impede a análise do dissenso jurisprudencial, porquanto inviável a comprovação da similitude das circunstâncias fáticas e do direito aplicado" (AgInt no AREsp 1.639.095/RJ, relator Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/5/2020). Sobre o tema, confiram-se os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.862.546/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp 1.486.884/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, Dje de 19/2/2020; e EDcl no REsp 1.274.569/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Terceira Turma, DJe de 25/8/2014. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. Sustenta o agravante que a tese aventada pelo ora Agravante foi analisada pelo Tribunal a quo, por meio, inclusive, de exame jurisprudencial, não havendo que se cogitar, portanto, na incidência da Súmula 211/STJ, uma vez que atendido o requisito do prequestionamento(fl. 339). Defende que a questãoobjeto do apelo nobreestá em consonância com a jurisprudência mais recente desta Egrégia Corte, no sentido de que a prescrição, nos casos em que há reestruturação de determinada carreira, atinge o fundo de direito (e não somente as parcelas anteriores ao quinquênio prescricional) e possui como termo inicial a data dessa reestruturação(fl. 339). Colaciona julgados. Requer o processamento do recurso especial. A parte agravada não apresentou impugnação (fl. 345). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Melhor compulsando os autos, exercendo o juízo de retratação, reconsidero a decisão de fls. 330/332, tornando-a sem efeito. Após, voltem conclusos para apreciação do agravo em recurso especial de fls. 318/322. Publique-se.