REsp 1922387 - DECISAO
Reconheceu-se a legitimidade do Banco do Brasil para figurar no polo passivo por saques/desfalques em conta do PASEP; aplicou-se o art. 27 do CDC, afastando a prescrição por ter a autora tido ciência do dano em 21/11/2018 e proposta a ação em 02/05/2019; adotou-se a teoria da causa madura (art.1.013, §4º, CPC) para...
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- Parties
- Recorrente: Banco do Brasil S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial Pelo STJ
- Outcome
- Nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Prescrição Quinquenal, Legitimidade Passiva, Responsabilidade Objetiva, Danos Materiais, Danos Morais, Teoria Da Causa Madura, Competência Para Atualização Monetária, PASEP, Liquidação De Sentença
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Parties
Banco do Brasil S.A.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Legitimidade do Banco do Brasil para figurar no polo passivo em ação relativa a conta vinculada ao PASEP
- 2 Incidência e termo inicial da prescrição quinquenal do art. 27 do CDC
- 3 Aplicabilidade da teoria da causa madura e do art. 1.013, §4º, do CPC para julgamento do mérito em grau recursal
Ratio Decidendi
Reconheceu-se a legitimidade do Banco do Brasil para figurar no polo passivo por saques/desfalques em conta do PASEP; aplicou-se o art. 27 do CDC, afastando a prescrição por ter a autora tido ciência do dano em 21/11/2018 e proposta a ação em 02/05/2019; adotou-se a teoria da causa madura (art.1.013, §4º, CPC) para analisar mérito no recurso, concluindo-se pela responsabilidade objetiva do banco por falha na prestação do serviço, condenação por dano material com apuração em liquidação de sentença e afastamento do dano moral; determinou-se que pedidos de atualização monetária devem ser dirigidos contra a União quando decorrentes de competência do Conselho Diretor do PIS/PASEP.
Court Disposition
Nego provimento ao recurso especial
Orders
- Nego provimento ao recurso especial
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial, fundamentado nas alíneas a e c do permissivo constitucional, em oposição a acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. RESTITUIÇÃO DE VALORES SACADOS/DESFALCADOS DE CONTA VINCULADA AO PASEP. LEGITIMIDADE DO BANCO DO BRASIL S.A. RELAÇÃO DE CONSUMO. ART. 27 DO CDC. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. CONHECIMENTO DO DANO. DATA DE ACESSO AO EXTRATO DE MOVIMENTAÇÃO DA CONTA. PRESCRIÇÃO AFASTADA. SENTENÇA CASSADA. 1. O Banco do Brasil S/A possui legitimidade para figurar no polo passivo de ação em que se postula indenização por danos morais e materiais decorrentes de saques/desfalques/descontos indevidos realizados em conta vinculada ao PASEP, oriundos de saques indevidos, especialmente pela atribuição que possui de processar as solicitações de saque, nos termos do Decreto n.9.978/2019. Precedentes do TJTO e do STJ. 2. Incidência do art. 27 CDC que determina que a prescrição da pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço ocorre em 05 anos, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. 3. Considerando que a parte autora somente teve acesso aos extratos do PASEP (data do conhecimento da lesão) em 21/11/2018, e que a presente demanda foi proposta em 02/05/2019, não há que se falar em prescrição da pretensão autoral. 4. Sentença cassada. CASSAÇÃO DA SENTENÇA PARA AFASTAR A PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DA TEORIA DA CAUSA MADURA. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO DISPOSTO NO ART. 1.013, § 4º, DO CPC VIGENTE. 5. Com amparo na teoria da causa madura, é possível o julgamento, já na instância recursal, do mérito da lide, nas hipóteses previstas no art. 1.013, § 4º, do CPC vigente. 6. Caso concreto em que a sentença que reconheceu a prescrição é anulada. Assim, seria contraproducente devolver os autos à comarca/vara de origem para que o Juiz singular prolatasse nova sentença. Logo, é sensata a aplicação da causa madura. MÉRITO. INSTITUIÇÃO BANCÁRIA.RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE CAUSA EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO COMPROVADA. DANO MATERIAL DEVIDAMENTE CONFIGURADO.APURAÇÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA.ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPROCEDÊNCIA.COMPETÊNCIA DO CONSELHO DIRETOR. DANO MORAL NÃO DEMONSTRADO. 7. Tratando-se de relação consumerista, responde objetivamente o fornecedor do serviço pela reparação dos danos causados, ficando incumbido, ainda, de provar causas excludentes de responsabilidade, o que não ocorreu no presente caso. 8. O Banco tem o dever de informar o motivo e a destinação dos valores questionados pela autora, a fim de comprovar a legalidade dos lançamentos, ônus do qual não se desincumbiu, conforme determina o art. 373, II, do CPC. 9. A instituição bancária sequer demonstra qualquer excludente de responsabilidade constante no art. 14, § 3º, incisos I e II, do CDC, restando incontroversa a falha na prestação dos serviços, e via de consequência, a relação de causa e efeito entre os danos materiais perpetrados à demandante, cujo montante deverá ser apurado em liquidação de sentença. 10. O PIS/PASEP é gerido por um Conselho Diretor, designado pelo Ministro da Economia, o qual detém a competência legal para calcular a atualização monetária do saldo credor das contas individuais dos participantes, além do cálculo da incidência de juros sobre alusivos valores, à luz do art. 4º, inciso II, alíneas "b" e "c", do Decreto nº 9.978, de 20 de agosto de 2019. Logo, eventual demanda em que se busque a atualização monetária dos valores não sacados/desfalcados da conta vinculada ao PASEP deve ser ajuizada contra a União, e não contra o Banco do Brasil S/A. 11. Não se verifica, in casu, situação que tenha produzido na autora humilhação e sofrimento na esfera de sua dignidade, de forma que os débitos em sua conta vinculada PASEP não passaram de mero dissabor, sem abalo à sua honra, sendo incapaz, portanto, de gerar dano de ordem moral. Dano moral afastado. 12. Recurso conhecido e parcialmente provido. O Banco do Brasil aduz que houve violação do art. 17 e 485, VI, do CPC, bem como dos arts. 7º e 10do Decreto n. 4.751/2003. Decido. O voto condutor do aresto recorrido deixou evidenciado que a discussão trazida nos autos diz respeito a saques indevidos em suas conta individual do Pasep. Em casos como o dos autos, deve ser reconhecida a legitimidade passiva do insurgente, conforme se dessume dos seguintes precedentes desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. CÁLCULO DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE O SALDO CREDOR DE CONTA INDIVIDUAL DO PASEP. EVENTUAL INCORREÇÃO NO VALOR CREDITADO NA CONTA INDIVIDUAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. SÚMULA N.42/STJ. I - Na origem, trata-se de ação de indenização por danos materiais contra o Banco do Brasil alegando, em suma, que sua conta do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP, administrada pelo réu, deixou de receber a devida atualização monetária, além de ter sido objeto de desfalques em razão de saques indevidos. II - O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios manteve a sentença que extinguiu o processo sem resolução do mérito, diante da ilegitimidade do réu, sob entendimento de ser mero mantenedor das contas do PASEP. III - O entendimento deste Superior Tribunal de Justiça é de que, em ações nas quais se pleiteia a recomposição do saldo existente em conta vinculada ao PASEP, a União deve figurar no polo passivo da demanda. No entanto, a presente lide versa sobre responsabilidade decorrente da má gestão dos valores depositados, a exemplo da alegação de saques indevidos e da ausência de atualização monetária da conta bancária. IV - Nessas situações, o STJ conclui que a legitimidade passiva é do Banco do Brasil e, por consequência, a competência é da justiça comum estadual, em atenção à Súmula n. 42/STJ. Nesse sentido são as recentes decisões no REsp n. 1.874.404, relatora Ministra Assusete Magalhães, DJe 1º/6/2020; no REsp n. 1.869.872, relator Ministro Herman Benjamin, DJe 29/5/2020 e no REsp n. 1.852.193, Relator Ministro Sérgio Kukina, DJe 5/2/2020. V - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.882.478/DF, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2020, DJe 18/12/2020.) PROCESSUAL CIVIL. PASEP. DESFALQUE. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. BANCO DO BRASIL. INSTITUIÇÃO GESTORA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SÚMULA 42/STJ. 1. Na origem, trata-se de Ação Ordinária ajuizada contra o Banco de Brasil S.A., na qual se pleiteia a recomposição de saldo na conta Pasep, tendo em vista suposta incorreção nos valores existentes, derivada de saques e correções errôneas do saldo depositado. 2. É entendimento do STJ que, em ações nas quais se pleiteia a recomposição do saldo existente em conta vinculada ao PASEP, a União deve figurar no polo passivo da demanda. No entanto, conforme delineado pelo acórdão recorrido, no caso dos autos, a demanda não versa sobre índices equivocados de responsabilidade do Conselho Gestor do Fundo, mas sobre responsabilidade decorrente da má gestão do banco, decorrente de saques indevidos ou de não aplicação dos índices de juros e de correção monetária na conta do PASEP. Assim, tem-se a conclusão de que a legitimidade passiva é do Banco do Brasil S.A., o que define a competência da Justiça Comum Estadual. Precedentes do STJ. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1.877.938/DF, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2020, DJe 18/12/2020.) Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único,II, a, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se.