REsp 1833896 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial por ausência de prequestionamento das normas invocadas (arts. 85, §§1º,11 e 14 do CPC/2015), uma vez que o Tribunal de origem não se manifestou sobre tais dispositivos e a parte recorrente não alegou omissão via art.1.022 do CPC/2015, nos termos da jurisprudência consolidada (Súmula...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO; Associação/autora Da Ação Coletiva: FEMURN
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (art. 932, Iii, Cpc/2015)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição Quinquenal, Suspensão De Ação Individual (cdc Art.104), Prequestionamento, Honorários Advocatícios Recursais, Complementação Do FUNDEF
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Parties
UNIÃO
Recorrente
FEMURN
Associação/autora Da Ação Coletiva
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (art. 932, Iii, Cpc/2015)
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento sobre a condenação em honorários advocatícios recursais (art.85, §§1º,11 e 14 do CPC/2015)
- 2 reconhecimento da prescrição quinquenal para pretensão relativa a 2001-2006
- 3 possibilidade de interrupção da prescrição por ação coletiva e necessidade de comprovação de filiação/autorizaçãodo município à associação autora da ação coletiva
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial por ausência de prequestionamento das normas invocadas (arts. 85, §§1º,11 e 14 do CPC/2015), uma vez que o Tribunal de origem não se manifestou sobre tais dispositivos e a parte recorrente não alegou omissão via art.1.022 do CPC/2015, nos termos da jurisprudência consolidada (Súmula 211/STJ).
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, não conheço do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto pelaUNIÃO, com amparo naalínea "a" do inciso III do art. 105 da CF/1988, contra acórdão doTRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃOassim ementado (e-STJ, fl. 399): ADMINISTRATIVO. COMPLEMENTAÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS DO FUNDEF ENTRE2001 E 2006. AÇÃO AJUIZADA EM 2016. PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO POR DEMANDA COLETIVA EXTINTA SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE ERA ASSOCIADO À ÉPOCA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO COLETIVA. APELAÇÃO IMPROVIDA. 1. A suspensão da ação individual, nos termos do art. 104, do CDC, visa a assegurar ao litigante individual, desde que assim o requeira no prazo de trinta dias da ciência do andamento da ação coletiva, os efeitos da coisa julgada da ação coletiva, que ainda não se formou, tratando-se de evento futuro, tanto que o CDC trata da suspensão da ação individual, a qual voltaria a tramitar, caso o julgamento da ação coletiva seja desfavorável. 2. Hipótese em que o apelante pretende a suspensão do presente feito, cuja sentença lhe foi desfavorável, em face de ação civil pública que já transitou em julgado, não havendo ensejo à suspensão pretendida. 3. A pretensão deduzida em juízo em 2016 refere-se ao pagamento das diferenças de complementação do FUNDEF, decorrentes da suposta subestimação do valor mínimo nacional, que deve ser calculado conforme as disposições do art. 6º da Lei nº 9.424/96, referentes aos anos de 2001 a 2006. 4. Tratando-se de pretensão delimitada no tempo, cujo termo final seria 2006, é de ser reconhecida a prescrição quinquenal, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, uma vez que a ação foi ajuizada apenas em 2016. 5. A coletiva ajuizada pela FEMURN não teve o condão de interromper a prescrição da pretensão do município, porquanto não restou comprovado que fosse filiado à referida associação ao tempo do ajuizamento da ação coletiva, nem tampouco que teria outorgado autorização para tanto. Entendimento de acordo com orientação emanada do Supremo Tribunal Federal no RE 573232, submetido à sistemática da repercussão geral. 6. Apelação improvida. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ, fls. 472-476). Defende o ente público, em síntese, que houve violação do art. 85, §§ 1º, 11 e 14do CPC/2015, visto que, embora tenha negado provimento à apelação, a Corte regional deixou de condenar o apelante, ora recorrido,ao pagamento de honorários advocatícios recursais. Apresentadascontrarrazões (e-STJ, fls. 566-578), o recurso especial foi admitido na origem(e-STJ, fls. 595-596). É o relatório. Observa-se que os referidos preceitos normativos não foram objeto de debate e deliberação pela Corte de origem, mesmo com a oposição dos embargos de declaração, o que redunda em ausência de prequestionamento da matéria, aplicando-se ao caso a orientação firmada na Súmula 211/STJ ("Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo."). Nesse caso, deveria a parte recorrente ter apontado, nas razões do recurso especial, afronta ao art. 1.022 do CPC/2015, alegando possível omissão. Não o fazendo, torna-se inviável o conhecimento do recurso especial. Nos termos da reiterada jurisprudência desta Corte, para que se tenha por prequestionada determinada matéria, é necessário que a questão tenha sido objeto de debate, à luz da legislação federal indicada, com a imprescindível manifestação pelo Tribunal de origem, o qual deverá emitir um juízo de valor acerca dos dispositivos legais, ao decidir pela sua aplicação ou seu afastamento em relação a cada caso concreto, o que não se deu na espécie: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA, DE PLANO, DAR PARCIAL PROVIMENTO AO APELO EXTREMO. INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. A ausência de enfrentamento da matéria pelo Tribunal de origem impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência das Súmulas 211 do STJ e 282 do STF. 1.1. In casu, deixou o recorrente de apontar, nas razões do apelo extremo, a violação do artigo 1.022 do CPC/15, a fim de que esta Corte pudesse averiguar a existência de possível omissão no julgado quanto ao tema. 1.2. Esta Corte admite o prequestionamento implícito dos dispositivos tidos por violados, desde que as teses debatidas no apelo nobre sejam expressamente discutidas no Tribunal de origem, o que não ocorreu na hipótese. 2. No caso sub judice, para acolher a pretensão recursal acerca do alegado cerceamento de defesa decorrente do indeferimento da produção de prova, bem como acerca da existência de danos morais indenizáveis, seria necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, providência que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 3. Esta Corte de Justiça tem entendimento no sentido de que a incidência do referido óbice impede o exame de dissídio jurisprudencial, na medida em que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática do caso concreto, com base na qual deu solução a causa a Corte de origem. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.458.813/SP, Rel. Min. MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 24/6/2019, DJe 1º/7/2019). PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATOS DE IMPROBIDADE - ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS -SÚMULA 7/STJ - AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO - SÚMULAS 282 E 356 DO STF E 211 DO STJ - INOVAÇÃO RECURSAL. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos de declaração, impede o seu conhecimento (Súmula 211 do STJ), bem como é manifestamente inadmissível o recurso especial em relação às teses que configuram inovação recursal e, por isso, não foram apreciadas pelo acórdão recorrido. 2. Inviável análise de pretensão que demanda o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. É inadmissível o recurso especial se o dispositivo legal apontado como violado não fez parte do juízo firmado no acórdão recorrido e se o Tribunal a quo não emitiu qualquer juízo de valor sobre a tese defendida no especial (Súmulas n.ºs 282 e 356/STF). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 15.180/PR, Rel. Min. ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 10/5/2013). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.