HC 1025727 - DECISAO
A pretensão não pode ser acolhida nesta Corte Superior porque a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, incidindo o óbice da Súmula 691 do STF que veda habeas corpus contra indeferimento de liminar em outro writ, não havendo flagrante ilegalidade ou excepcionalidade a autorizar a superação do referido...
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- Parties
- Paciente: MAISA DE MORAES DOS SANTOS; Ato Coator (decisão Monocrática De Desembargador): Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida Monocraticamente; Matéria Não Examinada Pelo Tribunal De Origem
- Outcome
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
- Legal Topics
- Prescrição Retroativa, Prisão Domiciliar, Súmula 691/stf, Liminar, Esgotamento Da Jurisdição De Origem
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Parties
MAISA DE MORAES DOS SANTOS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Ato Coator (decisão Monocrática De Desembargador)
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida Monocraticamente; Matéria Não Examinada Pelo Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 prescrição da pretensão punitiva retroativa
- 2 concessão de prisão domiciliar para mãe solo (art. 318, V, CPP)
- 3 cabimento de habeas corpus contra indeferimento de liminar (Súmula 691/STF)
Ratio Decidendi
A pretensão não pode ser acolhida nesta Corte Superior porque a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, incidindo o óbice da Súmula 691 do STF que veda habeas corpus contra indeferimento de liminar em outro writ, não havendo flagrante ilegalidade ou excepcionalidade a autorizar a superação do referido verbete; assim, indefiro liminarmente o habeas corpus com fundamento nos arts. 21-E, IV, c/c 210 do RISTJ.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
Orders
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de MAISA DE MORAES DOS SANTOS em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 0026910-93.2025.8.26.0000. Consta dos autos que a paciente foi condenada definitivamente à pena de 05 (cinco) anos de reclusão em regime semiaberto, pela prática do delito capitulado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. Após o trânsito em julgado da sentença condenatória, determinou-se a expedição de mandado de prisão em desfavor da paciente, o qual, até o momento, permanece pendente de cumprimento. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a prescrição da pretensão punitiva retroativa está configurada, uma vez que o lapso temporal entre a denúncia e o trânsito em julgado ultrapassa o prazo prescricional, considerando a menoridade relativa da paciente ao tempo do crime. Argumenta que a paciente é mãe solo de dois filhos menores de 12 (doze) anos, o que autoriza a substituição da prisão preventiva por domiciliar, conforme o art. 318, V, do CPP e o HC coletivo 143.641/SP (STF). Expõe que o mandado de prisão expedido evidencia risco iminente de constrangimento ilegal, justificando a tutela urgente. Requer, liminarmente, a suspensão imediata da ordem de prisão e a expedição de salvo-conduto para resguardar a liberdade da paciente até o julgamento final. E, no mérito, a concessão da ordem para reconhecer a prescrição retroativa e declarar extinta a punibilidade, ou, subsidiariamente, converter a prisão em prisão domiciliar. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA