AREsp 2671818 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para decidir que o recurso especial não poderia ser conhecido porque, na instância de origem, a apelação não impugnou especificamente a sentença que extinguiu o processo por ausência de complementação de custas (preclusão), o que demandaria reexame de matéria fático-probatória vedado pela...
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- Parties
- Agravante: ABDO OSORIO MALUF GERMANO; Agravado: CONDOMÍNIO EDIFÍCIO MANHATTAN
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Agravo conhecido e recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Pressupostos Recursais, Prequestionamento, Coisa Julgada, Direito De Propriedade, Registro Imobiliário, Súmula 7/stj, Embargos De Declaração
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Parties
ABDO OSORIO MALUF GERMANO
Agravante
CONDOMÍNIO EDIFÍCIO MANHATTAN
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da sentença (art. 1.010, I a IV, do CPC)
- 2 necessidade de reexame do acervo fático-probatório vedada no recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 falta de prequestionamento sobre dispositivos federais (Súmulas 282 e 356 do STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para decidir que o recurso especial não poderia ser conhecido porque, na instância de origem, a apelação não impugnou especificamente a sentença que extinguiu o processo por ausência de complementação de custas (preclusão), o que demandaria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ; ademais, as questões federais suscitadas não foram apreciadas pelo tribunal a quo nem foram objeto de embargos de declaração, caracterizando ausência de prequestionamento (Súmulas 282 e 356 do STF).
Court Disposition
Agravo conhecido e recurso especial não conhecido.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Deixo de condenar em honorários recursais.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por ABDO OSORIO MALUF GERMANO contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 786): Agravo interno. Decisão monocrática que não conheceu do recurso por ofensa ao princípio da dialeticidade. Inobservância dos requisitos do art. 1.010, I a IV, do Código de Processo Civil. Ausência de impugnação específica. Extinção do processo sem resolução do mérito. Deserção recursal. Art. 1.007, § 4º, do CPC. Ausência de relação com os fundamentos da decisão. Negativa de provimento ao Agravo Interno. Manutenção da decisão monocrática. Sem embargos de declaração. No recurso especial, a parte recorrente alega que o acórdão contrariou as disposições contidas nos arts. 1.228, 1.247, 123, II, 182, 167 e 186, todos do Código Civil, bem como 502 e 506 do CPC (coisa julgada). Aponta divergência jurisprudencial com arestos de outros tribunais e desta Corte Superior. Ainda, aponta que "não se vislumbra nem de longe a aplicabilidade de inobservância dos requisitos do art. 1.010, I a IV, do Código de Processo Civil, por ausência de impugnação específica" (fl. 673). Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 791-802). Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 803-805), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 1.693-1.704). É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. Cuida-se, na origem, de ação declaratória de nulidade de registros imobiliários movida pela agravante, ABDO OSORIO MALUF GERMANO, em desfavor de CONDOMÍNIO EDIFÍCIO MANHATTAN, em que o Tribunal de origem, confirmando a sentença, julgou extinta a ação sem resolução do mérito, em razão da não complementação das custas processuais, decisão esta que não foi devidamente impugnada na origem. Quanto ao ponto, assim asseverou o Tribunal de Justiça de origem: Contudo, o recurso não merece ser conhecido. Como é cediço, a interposição do recurso de apelação deve obedecer algumas exigências, nos termos do art. 1010, incisos I a IV, do CPC: .. No caso dos autos, as razões apresentadas buscam combater, na verdade, decisão anterior, aquela proferida à fl. 590, contra a qual não houve a interposição de recurso, ocorrendo a preclusão. Deixou a parte, portanto, de impugnar especificamente os fundamentos da sentença que extinguiu o processo sem resolução do mérito por ausência de complementação de custas. Assim, sem impugnar especificamente a sentença, o apelante desrespeita a regra contida no art. 1010, incisos I e II, do CPC, faltando-lhe um dos pressupostos recursais, razão pela qual de rigor o não conhecimento do recurso. Portanto, para verificar se o agravante cumpriu os pressupostos recursais na origem (impugnação específica dos fundamentos), especialmente quanto à ausência de complementação das custas processuais, como se extrai das razões recursais, é necessária a incursão na seara fático-probatória, o que se sabe ser vedado pelo óbice da Súmula n. 7/STJ. Nesse sentido, cito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 123/STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE CONFIGURADA. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. ILEGITIMIDADE PASSIVA NÃO VERIFICADA. REVISÃO DAS CONCLUSÕES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. .. 4. Reverter a conclusão do colegiado estadual, para acolher a pretensão recursal, demandaria necessariamente o reexame do acervo fático-probatório dos autos, providência vedada no âmbito do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 5. A necessidade do reexame da matéria fática inviabiliza o recurso especial também pela alínea c do permissivo constitucional, ficando, portanto, prejudicado o exame da divergência jurisprudencial. 6. O não conhecimento ou a improcedência de recurso interno não enseja a automática condenação à multa do art. 1.021, § 4º, do NCPC, devendo ser analisado caso a caso. 7. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.954.353/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 14/3/2022, DJe de 18/3/2022.) Quanto aos demais artigos tidos como violados, observa-se que o Tribunal de origem, ao não conhecer o agravo interno, limitou-se a consignar acerca da ausência dos pressupostos recursais da apelação, sem abordar a questão da coisa julgada e do direito de propriedade e de questões registrais dos bens ora discutidos. Com efeito, verifica-se que a Corte de origem não analisou, sequer implicitamente, os arts. 502 a 506 do CPC, 1.228 do CC (direito de propriedade) e art. 1.247 (registro de imóveis). Logo, não foi cumprido o necessário e indispensável exame da questão pela decisão atacada, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente. Assim, incide, no caso, o enunciado das Súmulas n. 282 e 356 do excelso Supremo Tribunal Federal. Súmula 282: "É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida a questão federal suscitada". Súmula 356: "O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento". Nesse sentido, cito: 2. A ausência de debate no acórdão recorrido quanto ao tema suscitado no recurso especial e sobre o qual não foram opostos embargos de declaração evidencia a falta de prequestionamento, incidindo o disposto nas Súmulas n.ºs 282 e 356 do STF. (AgInt no AREsp n. 2.137.709/GO, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 7/12/2022.) 1. Não enfrentada no julgado impugnado a tese apontada no recurso especial, há falta do prequestionamento, o que faz incidir in casu o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. (AgInt no REsp n. 1.955.601/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 11/4/2022, DJe de 19/4/2022.) Por seu turno, se a recorrente entendesse existir alguma eiva no acórdão impugnado, ainda que a questão federal tenha surgido somente no julgamento perante o Tribunal a quo, deveria ter oposto embargos declaratórios, a fim de que fosse suprida a exigência do prequestionamento e viabilizado o conhecimento do recurso em relação aos referidos dispositivos legais e, caso persistisse tal omissão, imprescindível a alegação devidamente fundamentada de violação do art. 1.022 do CPC, quando da interposição do recurso especial com fundamento na alínea "a" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, sob pena de incidir no intransponível óbice da ausência de prequestionamento. Nesse sentido, cito: 1. A ausência de enfrentamento da matéria pelo Tribunal de origem impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência das Súmulas 211 do STJ e 282 do STF. 1.1. In casu, não foram opostos embargos de declaração pela ora recorrente, tampouco fora apontado nas razões do apelo extremo, violação do artigo 1.022 do CPC/15, a fim de que esta Corte pudesse averiguar a existência de possível omissão no julgado quanto ao tema. (AgInt no AREsp n. 1.700.683/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 1º/10/2020.) 1. Não tendo sido a matéria decidida na instância ordinária à luz do preceito legal indicado pela parte (arts. 319 e 332 do CPC; 39, V, do CDC), mesmo tendo sido opostos embargos de declaração, a fim de ver suprida eventual omissão, incidem, por analogia, os enunciados 282 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e 211 da Súmula do STJ. Ademais, os recorrentes não aduziram nas razões do recurso especial ofensa ao art. 535 do CPC. (AgInt no REsp n. 1.482.892/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 10/10/2016.) 2. Não obstante tenham sido opostos embargos de declaração, concluiu o Tribunal por rejeitá-los, sem se manifestar sobre as questões alegadas pelos apelantes, notadamente sobre aquelas explicitadas nos embargos. 3. Está claro, assim, que nenhuma das questões ventiladas no recurso especial foi objeto de debate e decisão pelo Tribunal de origem, circunstância que torna inadmissível o recurso, ante a falta do indispensável prequestionamento. 4. Com efeito, a falta de debate pela instância ordinária inviabiliza o conhecimento do especial por ausência de prequestionamento. 5. De fato, na hipótese, houve apresentação de embargos de declaração no Tribunal a quo para sanar possível omissão. Deveria a parte, se essa persistisse, ter fundamentado seu recurso no art. 535 do CPC, o que não foi feito na presente demanda, estando patente a ausência de prequestionamento acerca da matéria em questão. (AgRg no REsp n. 1.107.521/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 29/6/2015.) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Deixo de condenar em honorários recursais em razão da ausência de fixação da verba na origem (EDcl no AgInt no REsp n. 1.910.509/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 4/11/2021). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS RECURSAIS NÃO CUMPRIDOS NA ORIGEM. RECURSO DE APELAÇÃO NÃO CONHECIDO. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.