RHC 200239 - DECISAO
A documentação dos autos demonstra cumprimento irregular da prestação de serviços à comunidade e existência de horas remanescentes, de modo que a defesa não comprovou o efetivo cumprimento da pena; assim, não se pode declarar a extinção da punibilidade apenas pelo decurso do tempo, sendo o recurso não provido.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: GUILHERME PEREIRA MARINHO; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário (habeas Corpus) / Decisão
- Outcome
- nego provimento ao recurso
- Legal Topics
- Prestação De Serviços À Comunidade, Extinção Da Punibilidade, Cômputo De Pena, Pena Restritiva De Direitos, Cumprimento Irregular
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GUILHERME PEREIRA MARINHO
Recorrente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Recurso Ordinário (habeas Corpus) / Decisão
Legal Issues
- 1 Houve integral cumprimento da pena de prestação de serviços à comunidade?
- 2 Quem tem o ônus de comprovar o cumprimento da pena restritiva de direitos?
- 3 Pode-se computar como cumprido o período de ausência em razão da pandemia da covid-19?
Ratio Decidendi
A documentação dos autos demonstra cumprimento irregular da prestação de serviços à comunidade e existência de horas remanescentes, de modo que a defesa não comprovou o efetivo cumprimento da pena; assim, não se pode declarar a extinção da punibilidade apenas pelo decurso do tempo, sendo o recurso não provido.
Court Disposition
nego provimento ao recurso
Orders
- Nego provimento ao recurso.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Considerando o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples (CNJ/Recomendação nº 144/2023 e CNJ/Resolução nº 376/2021), adoto o relatório de fls. 245 (e-STJ): "GUILHERME PEREIRA MARINHO interpõe recurso ordinário contra acórdão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que denegou a ordem de habeas corpusem que se pretendia a extinção da pena de prestação de serviços à comunidade pelo seu integral cumprimento. O recorrente afirma, em síntese, que houve o integral cumprimento da pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade, a possibilitar a declaração de extinção da punibilidade nos autos nº 0003072-96.2014.8.19.0002 (e-STJ fls. 192/219). Contrarrazões às fls. 231/237 e-STJ." O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso. Decido. O recurso não merece provimento. Isso porque consta do acórdão impugnado, de maneira bastante clara e objetiva a forma irregular com que o executado vem cumprindo a pena de prestação de serviços à comunidade, restando, ainda, saldo de horas a cumprir. Eis a seguinte passagem do acórdão impugnado (e-STJ fls. 123/126): "(..) Além disso, o fato de o magistrado, em 06/02/2019, ter determinado aconversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, com a expedição de mandado de prisão (doc. 000226) tão somente comprova que o paciente deixou de comparecer para cumprimento da pena alternativa desde dezembro de 2016, o que demonstra o total despropósito do questionamento do impetrante se o paciente teria cumprido a PSC entre novembro de 2016 e outubro de 2018. Veja-se que, com a expedição de mandado de prisão, a defesa do paciente requereu, em 28/02/2019, a reconsideração da decisão, informando que as faltas do paciente não foram injustificadas, alegando que teve problemas com os dois filhos pequenos, perda do pai e problemas de saúde da mãe(doc. 000235). Ou seja, O PACIENTE CONFIRMA QUE NÃO COMPARECEU NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE DEZEMBRO DE 2016 E FEVEREIRO DE 2019, tendo reiniciado o cumprimento de sua PSC apenas em 13/05/2019 (doc. 000298). A CPMA informou em 15/09/2020(doc. 000302) que o paciente estava cumprindo sua PSC de forma irregular, tendo comparecido na Instituição Instituto Evangélico de Assistência Médica e Social apenas até o mês de março de 2020, e que restava um saldo de 891h(oitocentas e noventa e uma horas) a cumprir. Por sua vez, a defesa afirma, sem qualquer comprovação, baseada, novamente, em meras conjecturas, que, se a CPMA afirma que o paciente compareceu pela última vez em março de 2020 e, tendo reiniciado o cumprimento em 13/05/2019, DEVERIA SUPOR que o pacienteteria cumprido esse período (13/05/2019 a 31/03/2020) integralmente, afirmação que não tem o menor cabimento, uma vez que a CPMA informou que o paciente estava cumprindo a pena de forma irregular. A CPMA informou, em 18/12/2020(doc. 000310) que o paciente teria cumprido até esta data, o total de 291h(duzentas e noventa e uma horas) de um total de 1.080h(mil e oitenta horas). Novamente, em 12/03/2021(doc. 000313), a CPMA comunica ao Juízo que o paciente não compareceu na unidade para cumprimento de sua PSC desde novembro de 2020. Além disso, em 21/11/2022(doc. 000344), a CPMA reitera que o paciente não vem cumprindo a pena desde novembro de 2020, razão pela qual a instituição beneficiária solicitou seu desligamento. Em 21/02/2024 a CMPA(doc. 000399) informou que o paciente estava cumprindo regularmente sua PSC, restando 575h(quinhentas e setenta e cinco) horas para seu término. Como se vê, a documentação existente nos autos demonstra que o cumprimento da pena de prestação de serviços à comunidade pelo paciente vem se dando se forma absolutamente irregular, indicando que a mesma não foi integralmente cumprida.(..)A análise dos documentos existentes nos autos originários mostra que o paciente compareceu para cumprir sua pena de prestação de serviços à comunidade entre novembro e dezembro de 2016, entre maio de 2109 e março de 2020. O paciente teria reiniciado seu cumprimento logo depois, mas não há dados indicando o recomeço, sendo certo que cumpriu apenas até o mês de novembro de 2020(doc. 000344), sempre de forma irregular, não sendo possível afirmar, portanto, que houve comparecimento integral nesse período. Por fim, o paciente comprovou que vem comparecendo regularmente desde maio de 2023(doc. 000073/74 destes autos). Impossível que o comparecimento em tão curto período tenha completado as 1.080h(mil e oitenta horas) totais da pena do paciente. Desta forma, não havendo comprovação de que o paciente tenha, de fato, cumprido integralmente a pena de prestação de serviços à comunidade, voto pela denegação da ordem." Desse modo, não basta a demonstração do transcurso do tempo, fazendo-se necessária a demonstração do efetivo cumprimento da pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade, para que se declare a extinção da punibilidade, ônus do qual não se desincumbiu a defesa. Sobre a impossibilidade de cômputo de pena fictamente cumprida, esta Corte Superior já se manifestou no sentido de que "O período em que o sentenciado deixou de comparecer em juízo por causa da pandemia da covid-19 não pode ser considerad o como tempo efetivamente cumprido. Apesar de o recorrido não ter dado causa àquela situação, não se pode concluir que a finalidade da pena tenha sido atingida apenas pelo decurso do tempo" (AgRg no REsp n. 2.076.164/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 16/10/2023). Ante ao exposto, nego provimento ao recurso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA