REsp 1989836 - ACORDAO
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento, por entender que não houve omissão do tribunal de origem; confirmou-se o reconhecimento da abusividade do percentual de reajuste por faixa etária e determinou-se que a apuração do percentual adequado seja realizada na fase de liquidação de sentença por...
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- Parties
- Recorrente: AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (art. 105, Iii, Alínea "a" Da Constituição Federal) / Julgamento Do Recurso Especial Com Determinação De Apuração Na Fase De Liquidação De Sentença
- Outcome
- Recurso especial conhecido e parcialmente provido.
- Legal Topics
- Prestação Jurisdicional, Omissão, Reajuste Por Faixa Etária, Abusividade, Liquidação De Sentença, Perícia Atuarial, Equilíbrio Contratual
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Parties
AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL S.A.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial (art. 105, Iii, Alínea "a" Da Constituição Federal) / Julgamento Do Recurso Especial Com Determinação De Apuração Na Fase De Liquidação De Sentença
Legal Issues
- 1 Alegação de omissão/negativa de prestação jurisdicional pelo tribunal de origem
- 2 Caracterização da abusividade do reajuste por mudança de faixa etária
- 3 Necessidade de apuração do percentual adequado em fase de liquidação por cálculos atuariais
Ratio Decidendi
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento, por entender que não houve omissão do tribunal de origem; confirmou-se o reconhecimento da abusividade do percentual de reajuste por faixa etária e determinou-se que a apuração do percentual adequado seja realizada na fase de liquidação de sentença por meio de cálculos atuariais, de modo a readequar o reajuste e preservar o equilíbrio contratual.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e parcialmente provido.
Orders
- Conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial.
- Determinar a apuração, na fase de liquidação de sentença, do percentual adequado de reajuste por mudança de faixa etária mediante cálculos atuariais.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/11/2025 a 10/11/2025, por unanimidade, conhecer do recurso e lhe dar parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, Daniela Teixeira, Nancy Andrighi e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO. PLANO DE SAÚDE. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NEGATIVA. VÍCIO EMBARGÁVEL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA. ABUSIVIDADE. APURAÇÃO. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas em sentido inverso aos interesses da parte. 2. A constatação de abusividade não importa na anulação da respectiva cláusula do contrato, sendo imprescindível a readequação do reajuste a parâmetros mais justos, a fim de preservar o equilíbrio contratual. 3. Verificada abusividade no reajuste de mensalidade por mudança de faixa etária praticado pela operadora do plano de saúde, mister a apuração do percentual adequado na fase de liquidação de sentença, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual por meio de cálculos atuariais. Tema nº 952/STJ. 4. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.
RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto por AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL S.A., com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "Plano de saúde. Embora não se desconheça a possibilidade de reajuste dos planos de saúde por variação de faixa etária, qualquer tipo de abusividade deve ser proibida, devendo haver clara demonstração dos critérios utilizados para majorar os preços das mensalidades, o que não ocorreu. Recurso improvido" (e-STJ fls. 432/437). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 496/500). No recurso especial, a recorrente alega violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) art. 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil, ante a persistência de omissões apontadas nos embargos de declaração rejeitados; (ii) arts. 927, inciso III, e 1.039 do Código de Processo Civil, ao argumento de que, reconhecida a abusividade do reajuste por faixa etária, imprescindível a apuração de novo percentual por meio de perícia técnica. Contrarrazões apresentadas às e-STJ fls. 506/516. É o relatório. EMENTA RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO. PLANO DE SAÚDE. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NEGATIVA. VÍCIO EMBARGÁVEL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA. ABUSIVIDADE. APURAÇÃO. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas em sentido inverso aos interesses da parte. 2. A constatação de abusividade não importa na anulação da respectiva cláusula do contrato, sendo imprescindível a readequação do reajuste a parâmetros mais justos, a fim de preservar o equilíbrio contratual. 3. Verificada abusividade no reajuste de mensalidade por mudança de faixa etária praticado pela operadora do plano de saúde, mister a apuração do percentual adequado na fase de liquidação de sentença, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual por meio de cálculos atuariais. Tema nº 952/STJ. 4. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. VOTO A insurgência merece prosperar em parte. Inicialmente, a recorrente sustenta omissão do acórdão recorrido, pois "em caso de abusividade do reajuste, tal como ocorrida no presente caso, o percentual devido deve ser calculado em fase de liquidação de sentença" (e-STJ fl. 444). Por ocasião do julgamento dos aclaratórios, o Tribunal de origem foi categórico a respeito da inexistência de omissão a justificar o acolhimento do recurso integrativo. Confira-se: "Saliento ter constado expressamente do acórdão: "Não se ignora a tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no âmbito do Recurso Especial nº 1.568.244/RJ (tema 0952). O percentual de reajuste apresentado pela ré foi imposto aleatoriamente, sobretudo se considerarmos seu pleito para produção de prova pericial atuarial. Não é admissível que uma empresa atuante no mercado de seguros e plano de saúde há tantos anos haja dessa forma, ou seja, primeiro apresenta a necessidade de um índice de reajuste para manutenção do equilíbrio contratual e depois alterando a ordem dos fatos solicita produção de prova pericial atuarial para que seja demonstrada a real necessidade do reajuste" (fl. 436)" (e-STJ fls. 499/500). Assim, a matéria foi sobejamente enfrentada pela Corte estadual, conquanto em sentido contrário aos interesses da recorrente, o que não se confunde com negativa de prestação jurisdicional. Não se vislumbra, portanto, omissão na fundamentação do acórdão impugnado, que solucionou fundamentadamente a causa, ainda que sob perspectiva diversa da pretendida pela ora recorrente. Por outro lado, a constatação de abusividade, tal como ocorrido no caso dos autos, não importa na anulação da respectiva cláusula do contrato, sendo imprescindível a readequação do reajuste a parâmetros mais justos, a fim de preservar o equilíbrio contratual, nos moldes do quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.568.244/RJ, desta relatoria, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Confira-se a ementa desse julgado: "RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. CIVIL. PLANO DE SAÚDE. MODALIDADE INDIVIDUAL OU FAMILIAR. CLÁUSULA DE REAJUSTE DE MENSALIDADE POR MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. LEGALIDADE. ÚLTIMO GRUPO DE RISCO. PERCENTUAL DE REAJUSTE. DEFINIÇÃO DE PARÂMETROS. ABUSIVIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. EQUILÍBRIO FINANCEIRO-ATUARIAL DO CONTRATO. 1. A variação das contraprestações pecuniárias dos planos privados de assistência à saúde em razão da idade do usuário deverá estar prevista no contrato, de forma clara, bem como todos os grupos etários e os percentuais de reajuste correspondentes, sob pena de não ser aplicada (arts. 15, caput, e 16, IV, da Lei nº 9.656/1998). .. 9. Se for reconhecida a abusividade do aumento praticado pela operadora de plano de saúde em virtude da alteração de faixa etária do usuário, para não haver desequilíbrio contratual, faz-se necessária, nos termos do art. 51, § 2º, do CDC, a apuração de percentual adequado e razoável de majoração da mensalidade em virtude da inserção do consumidor na nova faixa de risco, o que deverá ser feito por meio de cálculos atuariais na fase de cumprimento de sentença. .. 12. Recurso especial não provido." (REsp 1.568.244/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segu nda Seção, julgado em 14/12/2016, DJe de 19/12/2016). A propósito: "CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. CLÁUSULA DE REAJUSTE DE MENSALIDADE POR MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. POSSIBILIDADE. NATUREZA ABUSIVA. READEQUAÇÃO DO REAJUSTE. PERÍCIA ATUARIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. "A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que não é abusiva a cláusula que prevê a possibilidade de reajuste do plano de saúde, seja por variação de custos ou por aumento de sinistralidade, cabendo ao magistrado a respectiva análise, no caso concreto, do caráter abusivo do reajuste efetivamente aplicado. Precedentes" (AgInt no AREsp 2.043.624/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 8/8/2022, DJe de 26/8/2022). 2. O atual entendimento da Segunda Seção desta Corte, firmado no julgamento do REsp 1.568.244/RJ, de relatoria do Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, é no sentido de que o reconhecimento da natureza abusiva no aumento por faixa etária implica a readequação do reajuste a parâmetros mais justos, por meio de perícia atuarial na fase de cumprimento de sentença. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt no REsp 2.061.761/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 1º/10/2024) Na hipótese, verificada abusividade no reajuste de mensalidade por mudança de faixa etária praticado pela operadora do plano de saúde, mister a apuração do percentual adequado na fase de liquidação de sentença, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual por meio de cálculos atuariais. Ante o exposto, conheço do recurso especial e dou-lhe parcial provimento para determinar a apuração, na fase de liquidação de sentença, do adequado aumento a ser computado na mensalidade do plano de saúde em virtude da inserção em nova faixa de risco, à luz de cálculos atuariais, mantido o reconhecimento da abusividade do percentual constatado pelo Tribunal local. Mantida a sucumbência fixada na origem. É o voto.