HC 426308 - ACORDAO
A natureza distinta entre prestação pecuniária (pena restritiva de direitos, voltada à recomposição do dano à vítima) e pena de multa (calculada em dias-multa e regulada por regras próprias) impede a aplicação por analogia do art.49, §1º, do Código Penal para fixação do valor da prestação pecuniária; esse...
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- Parties
- Agravante: RODRIGO JARDIM MOTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Acórdão (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo regimental não provido.
- Legal Topics
- Prestação Pecuniária, Receptação, Aplicação Por Analogia, Salário Mínimo
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Parties
RODRIGO JARDIM MOTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Acórdão (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de aplicação por analogia do art. 49, § 1º, do Código Penal para fixação do valor da prestação pecuniária
- 2 Diferença de natureza jurídica entre prestação pecuniária (pena restritiva de direitos) e pena de multa, e suas consequências práticas
Ratio Decidendi
A natureza distinta entre prestação pecuniária (pena restritiva de direitos, voltada à recomposição do dano à vítima) e pena de multa (calculada em dias-multa e regulada por regras próprias) impede a aplicação por analogia do art.49, §1º, do Código Penal para fixação do valor da prestação pecuniária; esse entendimento está consolidado na jurisprudência do STJ.
Court Disposition
Agravo regimental não provido.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a condenação e a pena fixada para o crime do art. 180 do Código Penal.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Laurita Vaz e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. RECEPTAÇÃO. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. APLICAÇÃO POR ANALOGIA DO ART. 49, § 1º, DO CP (SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS). NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O STJ já decidiu não ser possível a aplicação, por analogia, do art. 49, § 1º, do Código Penal, para fixação do valor da prestação pecuniária. O acórdão impugnado decidiu a questão em consonância com o entendimento predominante nesta Corte Superior. 2. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: RODRIGO JARDIM MOTA agrava de decisão de minha relatoria na qual deneguei a ordem de habeas corpus e, dessa forma, foram mantidas a condenação e a pena fixada para o crime do art. 180 do Código Penal. A defesa alega, em síntese, constrangimento ilegal, ao argumento de que o valor da prestação pecuniária deve ser o salário mínimo vigente à época dos fatos. Aduz que "a ilegalidade é flagrante, na medida em que a pena cominada foi posterior ao fato criminoso" (fl. 222). Requer a reconsideração do decisum agravado ou o julgamento do agravo regimental pelo colegiado. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. RECEPTAÇÃO. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. APLICAÇÃO POR ANALOGIA DO ART. 49, § 1º, DO CP (SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS). NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O STJ já decidiu não ser possível a aplicação, por analogia, do art. 49, § 1º, do Código Penal, para fixação do valor da prestação pecuniária. O acórdão impugnado decidiu a questão em consonância com o entendimento predominante nesta Corte Superior. 2. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): A despeito dos esforços perpetrados pelo insurgente, não verifico fundamento suficiente a infirmar a decisão agravada, cuja conclusão mantenho. O decisum, em relação ao valor da prestação pecuniária, consignou (fls. 211-212, grifos no original): .. Ademais, a impetrante requer, subsidiariamente, o estabelecimento, como critério de pagamento da prestação pecuniária decorrente da condenação em pena restritiva de direitos, o valor do salário mínimo vigente à época dos fatos, aplicando-se por analogia o artigo 49, § 1º, do Código Penal. Todavia, a prestação pecuniária prevista no art. 45, § 1º, do Código Penal, tem a natureza de pena (restritiva de direitos), tratando-se de pagamento em dinheiro à vítima, seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo e nem superior a 360 (trezentos e sessenta), nos termos do art. 45, § 1º, do Código Penal. Por ser pena, em caso de descumprimento, pode ser convertida em pena privativa de liberdade. Ao contrário, a pena de multa - prestação de obrigação monetária perante o fundo penitenciário - cuida de valor fixado na sentença condenatória e calculado em dias-multa, cuja medida unitária não pode ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente à época do fato, nem superior a cinco vezes tal salário. Na hipótese de não pagamento, não será convertida em pena privativa de liberdade, pois incide na espécie a legislação própria da dívida ativa da Fazenda Pública, nos termos do art. 51 do Código Penal. Assim, forçoso concluir que a natureza diversa dos institutos inviabiliza a aplicação analógica do disposto no art. 49, § 1º, do Código Penal, "sobretudo diante do caráter de recomposição do dano causado à vítima da prestação pecuniária, que recomenda que seu valor deva estar o mais próximo possível da realidade" (RHC n. 46.882/ES, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 15/12/2014). Nesse sentido: .. 1. A prestação pecuniária prevista no art. 45, § 1º, do Código Penal, tem a natureza de pena (restritiva de direitos), tratando-se de pagamento em dinheiro à vítima, seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo e nem superior a 360 (trezentos e sessenta), nos termos do art. 45, § 1º, do Código Penal. Por ser pena, em caso de descumprimento, pode ser convertida em pena privativa de liberdade. .. 3. A natureza diversa dos institutos inviabiliza a aplicação analógica do disposto no art. 49, § 1º, do Código Penal, mormente por conta da natureza de recomposição do dano causado à vítima da prestação pecuniária. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no RHC n. 32.328/ES, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, 6ª T., DJe 22/03/2017, destaquei) AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO DO ART. 45, § 1º, DO CP. SUPOSTA ILEGALIDADE NA DECISÃO QUE CALCULOU A PENA SUBSTITUTIVA CONSIDERANDO O VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE À ÉPOCA DO PAGAMENTO. TESE DE QUE O VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO É AQUELE VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO § 1º DO ART. 49 DO CP. IMPOSSIBILIDADE. INSTITUTOS DISTINTOS. ACÓRDÃO IMPUGNADO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA NESTA CORTE SUPERIOR. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 1.003.136/PR, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 15/03/2017, destaquei) Dessa forma, ao calcular a prestação pecuniária considerando o valor do salário mínimo vigente à época da sentença, as instâncias ordinárias não divergiram do entendimento desta Corte Superior de Justiça. O STJ já decidiu não ser possível a aplicação, por analogia, do art. 49, § 1º, do Código Penal para fixação do valor da prestação pecuniária. O acórdão impugnado decidiu a questão em consonância com o entendimento predominante nesta Corte Superior. Ilustrativamente: .. I - A jurisprudência desta Corte Superior firmou o entendimento de que "A pena restritiva de direitos consistente na prestação pecuniária deve ser calculada com base no valor do salário mínimo vigente à época do pagamento. Precedentes" (EDcl no HC 529.379/SC, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe 16/3/2020). II - A prestação pecuniária e a pena de multa são institutos diversos, com consequências jurídicas diversas, de modo que não é possível a aplicação analógica do disposto no art. 49, § 1º, do Código Penal. Não se pode querer aplicar à prestação pecuniária a forma de pagamento de valores relativos à pena de multa, diante do caráter de recomposição do dano causado à vítima da pena restritiva de direitos. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 1.907.206/SC, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 25/3/2021) À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.