AREsp 2625705 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, porquanto a insurgência quanto ao montante da prestação pecuniária demandaria o reexame do conjunto fático-probatório (situação econômica do recorrente), providência vedada pela Súmula n. 7 do STJ, e o Tribunal de origem, ao avaliar renda, fiança e valores...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: RODRIGO EDUARDO DUARTE DAVALOS; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Prestação Pecuniária, Fixação Da Pena, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Reexame De Matéria Fático Probatória
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RODRIGO EDUARDO DUARTE DAVALOS
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Alegada afronta ao art. 59 do Código Penal na fixação da prestação pecuniária
- 2 Incidência da Súmula n. 7/STJ vedando o reexame de matéria fático-probatória em recurso especial
- 3 Possibilidade de revisão da situação econômica do réu em sede de execução penal
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, porquanto a insurgência quanto ao montante da prestação pecuniária demandaria o reexame do conjunto fático-probatório (situação econômica do recorrente), providência vedada pela Súmula n. 7 do STJ, e o Tribunal de origem, ao avaliar renda, fiança e valores elididos, não incorreu em ilegalidade a justificar reforma.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO RODRIGO EDUARDO DUARTE DAVALOS agrava de decisão que inadmitiu o processamento do recurso especial, interposto com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Criminal n. 5001020-29.2023.4.04.7002. Consta dos autos que o réu foi condenado à pena de 1 ano de reclusão, no regime aberto, pela prática do delito tipificado no art. 334-A, § 1º, III e IV, do Código Penal, substituída a sanção privativa de liberdade por uma restritiva de direitos, consistente em prestação pecuniária de 10 salários mínimos (fls. 81-88). O Tribunal de origem, por sua vez, negou provimento à apelação defensiva para manter incólume a sentença condenatória (fls. 138-144). Nas razões do recurso especial, a defesa alegou violação do art. 59 do Código Penal, aduzindo que o valor imposto a título de prestação pecuniária é desproporcional e desconsidera a situação econômica do réu. Pleiteou o conhecimento e o provimento do recurso para reduzir o valor da prestação pecuniária imposta ao acusado. O Tribunal de origem não admitiu o recurso pelo óbice do enunciado sumular n. 7 do STJ (fls. 175-177), o que ensejou esta interposição. Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pelo conhecimento do agravo para negar provimento ao recurso especial (fls. 219-221). Decido. I. Admissibilidade O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento. II. Afronta ao art. 59 do Código Penal - alegada desproporcionalidade na fixação da pena pecuniária Acerca do tema, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos (fl. 142, destaquei): De início, não se pode perder de vista que, tratando-se de medida substitutiva que mantém caráter punitivo - inerente a qualquer pena, visto que se trata de ônus da condenação -, o cumprimento da prestação pecuniária deve exigir sacrifício e esforço. Portanto, não há como seu valor ser mitigado, a fim de que configure sanção aplicada em razão da prática de conduta penalmente reprovável. Ademais, observados os parâmetros estabelecidos no art. 45, § 1º, do Código Penal, o valor da prestação pecuniária não deve considerar apenas a situação financeira do agente, mas também as vetoriais do art. 59 do Código Penal, a extensão do dano ocasionado pelo delito, e outros elementos que se mostrarem aptos a promover a necessária correspondência com a pena substituída. Nesse cenário, embora o apelante alegue perceber mensalmente aproximadamente R$1.500,00 (evento 1, P_FLAGRANTE2, fl. 4), o elevado valor dos impostos federais (II e IPI) iludidos, na monta de R$ 416.376,12, bem como a fiança de R$ 7.000,00 adimplida (evento 14, GUIADEP1), são elementos que apontam para a adequação da quantia de 10 salários mínimos arbitrada na sentença, pelo que deve ser mantida. Observa-se que a Corte de origem manteve o quantum da prestação pecuniária em dez salários mínimos. Para tanto, consignou que a prestação pecuniária imposta é suficiente para a prevenção e a reprovação do crime praticado e atentou-se, ainda, para a situação econômica do condenado, que informou possuir trabalho lícito. Assim, o Tribunal de origem ponderou a situação econômica do réu, ao considerar a renda mensal declarada e o valor adimplido a título de fiança, e o elevado valor dos impostos elididos. Cabe salientar que são diversos os critérios de fixação da multa prevista no preceito secundário do tipo penal e daquela elencada como prestação pecuniária substitutiva, no art. 44, § 2º, do CP. A multa substitutiva não está vinculada aos critérios estabelecidos para a determinação da pena privativa de liberdade. Diferentemente, ela deve ser aplicada para prevenção e repressão do delito, de acordo com o estabe lecido no art. 60, caput e § 1º, do CP, tendo em vista a magnitude do crime e a condição econômica do réu. O acórdão não padece, portanto, de ilegalidade, e a pretensão de rediscutir o montante da pena pecuniária encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. Nesse sentido: .. 1. Afirmado pelas instâncias ordinárias, a partir do cotejo da prova dos autos, que não se tratava de falsificação grosseira, possuindo as contrafações potencialidade lesiva à fé pública, incabível o reconhecimento da tese de configuração de crime impossível, porquanto não se permite o reexame do quadro fático-probatório em sede de recurso especial, ante o teor da Súmula 7/STJ. Precedentes. 2. A ausência de impugnação específica de fundamento autônomo adotado pelo acórdão recorrido atrai a incidência do óbice previsto na Súmula 283/STF. 3. Rever a situação econômico-financeira do agravante, de modo a alterar o entendimento adotado na instância ordinária, demandaria, novamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em recurso especial. 4. Não sendo aptos os argumentos trazidos na insurgência para desconstituir a decisão agravada, deve ela ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 5. Agravo regimental improvido. (AgInt no AREsp 1044643/ES, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 21/05/2018) .. I - A elevação da pena com base na apreciação negativa da culpabilidade, nos moldes operados pelas instâncias ordinárias, não merece qualquer reparo, porquanto devidamente fundamentada. II - Lado outro, o pedido formulado - verificar se o recorrente teria condições financeiras de arcar com a prestação pecuniária que lhe foi imposta - reclama incursão na seara fático-probatório, procedimento vedado pela Súmula n. 7 desta Corte, já que para se alcançar conclusão diversa daquela a que chegou o eg. Tribunal a quo acerca das condição econômica do recorrente seria imprescindível reexaminar todo o acervo probatório dos autos, pretensão que não se coaduna com os propósitos atribuídos à via eleita. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 1145434/RS, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 18/12/2017) Esclareço, por oportuno, que o Juízo da Execução poderá parcelar ou substituir a prestação pecuniária (art. 169, § 1º, da LEP) se demonstrada, inequivocamente, a atual insuficiência econômica do apenado. III . Dispositivo À vista do exposto, com fundamento no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA