AREsp 2926813 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a parte agravante não atacou de forma específica e concreta os fundamentos da decisão agravada (não contestou adequadamente o não cabimento por ofensa constitucional, a aplicação da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de provas e a Súmula 83/STJ), atraindo a incidência da Súmula 182/STJ...
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- Parties
- Agravante: DOUGLAS PIRETT DOS SANTOS; Agravante: MARCELA APARECIDA DIAS CAVECCHIA; Agravante: ANEZIO FERREIRA MACHADO; Agravante: ALEX FERREIRA SABINO; Órgão Prolator Da Decisão Agravada: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Presunção De Inocência, In Dubio Pro Reo, Cerceamento De Defesa, Quebra De Sigilo Telefônico E Bancário, Erbs (estações Rádio Base), Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Impugnação Específica
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Parties
DOUGLAS PIRETT DOS SANTOS
Agravante
MARCELA APARECIDA DIAS CAVECCHIA
Agravante
ANEZIO FERREIRA MACHADO
Agravante
ALEX FERREIRA SABINO
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Órgão Prolator Da Decisão Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação dos arts. 155, caput, e 386, inciso VII, do Código de Processo Penal (alegada pelos recorrentes)
- 2 cerceamento de defesa por suposto não acesso integral a documentos de quebras de sigilo (art. 315, §2º, incs. I e II, CPP; art. 5º, LV, CF)
- 3 insuficiência das provas (registros de ERBs, movimentações financeiras, fotografias) e aplicação do in dubio pro reo
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a parte agravante não atacou de forma específica e concreta os fundamentos da decisão agravada (não contestou adequadamente o não cabimento por ofensa constitucional, a aplicação da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de provas e a Súmula 83/STJ), atraindo a incidência da Súmula 182/STJ e a aplicação do art. 932 do CPC/2015, razão pela qual, com apoio no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não se conheceu do agravo.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por DOUGLAS PIRETT DOS SANTOS, MARCELA APARECIDA DIAS CAVECCHIA, ANEZIO FERREIRA MACHADO e ALEX FERREIRA SABINO contra decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, que não admitiu o recurso especial manejado com apoio no artigo 105, III, "a", da Constituição da República. Nas razões recursais, aduz a defesa violação dos artigos 155, caput, e 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, bem como do artigo 315, § 2º, incisos I e II, do mesmo diploma legal, e do artigo 5º, inciso LV, da Constituição da República. Alega que a decisão impugnada violou o princípio da presunção de inocência, ao manter a condenação dos recorrentes sem provas suficientes para embasar a decisão condenatória, contrariando o disposto no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, que determina a absolvição do réu em caso de dúvida razoável quanto à autoria ou materialidade do delito. Sustenta, ainda, que houve cerceamento de defesa, uma vez que os recorrentes não tiveram acesso integral aos documentos relacionados à quebra de sigilo telefônico, bancário e de Estações Rádio Base (ERBs), utilizados pela acusação para fundamentar a condenação, em afronta ao artigo 315, § 2º, incisos I e II, do Código de Processo Penal, e ao artigo 5º, inciso LV, da Constituição da República, que asseguram o contraditório e a ampla defesa. Afirma que a condenação foi baseada em provas frágeis e insuficientes, como registros de localização de ERBs, movimentações financeiras e fotografias de objetos, que não demonstram, de forma inequívoca, a participação dos recorrentes nos crimes imputados. Argumenta que tais elementos probatórios não são suficientes para afastar o princípio do in dubio pro reo, que impõe a absolvição em caso de dúvida. Por fim, pleiteia a exclusão das qualificadoras de rompimento de obstáculo e concurso de agentes, sob o argumento de que não há provas robustas que justifiquem sua aplicação, e requer a redução da pena, considerando a participação de menor importância de alguns dos recorrentes. Ainda quanto à dosimetria penal, afirma que "não há nada que desabone a conduta social dos recorrentes", e "o motivo da infração, assim como as demais circunstâncias judiciais, não pode ser valorado negativamente quando já integra a definição típica do delito" (e-STJ, fl. 2864). Aduz, ainda, que as circunstâncias e consequências do delito também não extrapolam as elementares do tipo penal (e-STJ, fls. 2864-2865). Requer o provimento do recurso para que seja reformado o acórdão recorrido, com a absolvição dos recorrentes, ou, subsidiariamente, a exclusão das qualificadoras e a redução das penas impostas. Contrarrazões às fls. 2928-2935 (e-STJ). O recurso foi inadmitido (e-STJ, fls. 2941-2945). Daí este agravo (e-STJ, fls. 3013-3026). O Ministério Público Federal opina pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ, fls. 3122-3129). É o relatório. Decido. A irresignação não merece conhecimento. Conforme constante da decisão agravada, o recurso especial foi inadmitido diante dos seguintes fundamentos: a) não cabimento de recurso especial por ofensa a dispositivo constitucional; b) Súmula 7 do STJ (quanto à pretendida absolvição do delito e também com relação à dosimetria da pena); c) Súmula 83 do STJ. Todavia, a defesa não impugnou adequadamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a afirmar, de forma genérica, que não busca o reexame de provas, nada aduzindo em relação ao não cabimento de recurso especial por ofensa a dispositivo constitucional; Súmula 7 do STJ (quanto à dosimetria da pena); e Súmula 83 do STJ. Afinal, sobre a aplicação da Súmula 7/STJ, a parte agravante trouxe apenas razões genéricas de inconformismo (aduzindo que não seria necessário reexaminar as provas dos autos), o que não satisfaz a exigência de impugnação específica para viabilizar o conhecimento do agravo. Isso porque, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local. Nesse sentido: " .. 1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, de modo específico e concreto, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação das Súmulas n. 7 e 83, ambas do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No tocante à incidência da Súmula n. 7/STJ, a Agravante limitou-se a sustentar, genericamente, que as pretensões elencadas no apelo nobre envolvem mero debate jurídico, não demandando, assim, reexame de provas, sem explicitar, contudo, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 1.789.363/SP, relator Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 17/2/2021.) " .. 1. A falta de impugnação específica dos fundamentos utilizados na decisão ora agravada atrai a incidência do enunciado sumular n. 182 desta Corte Superior. Como tem reiteradamente decidido esta Corte, os recursos devem impugnar, de maneira específica e pormenorizada, os fundamentos da decisão contra a qual se insurgem, sob pena de vê-los mantidos. Não são suficientes meras alegações genéricas ou à insistência no mérito da controvérsia. .. 11. Agravo regimental não conhecido". (AgRg no RHC n. 128.660/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe de 24/8/2020.) Com isso, é inafastável a aplicação do impeditivo da Súmula 182 deste Superior Tribunal ("é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos d a decisão agravada"). Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AgRg nos EREsp 1.387.734/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, CORTE ESPECIAL, DJe de 9/9/2014; e AgRg nos EDcl nos EAREsp 402.929/SC, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, DJe de 27/8/2014. Anote-se, ainda, que o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 932, reafirmou a orientação do STJ, ao exigir a impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada. Ademais, tem-se que: "a jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que, para afastar a incidência da Súmula 182/STJ, não basta a impugnação genérica dos fundamentos da decisão agravada, é necessário que a contestação seja específica e suficientemente demonstrada" (AgInt no REsp 1.600.403/GO, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/8/2016, DJe 31/8/2016, grifou-se). A Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Ainda, esta Corte firmou o entendimento de que, "quando o inconformismo excepcional não é admitido pela instância ordinária, com fundamento no enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, a impugnação deve indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida" (AgRg no AREsp 709.926/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 28/10/2016, grifou-se). Ante o exposto, com apoio no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA