Rcl 50055 - DECISAO
A reclamação não é cognoscível porque não há decisão desta Corte, em caso concreto, desrespeitada, e a reclamação não se presta a uniformizar jurisprudência nem a substituir recursos ordinários; portanto o meio não é adequado para os pedidos formulados, nos termos dos arts. 34, XVIII, a, e 187 do RISTJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: Daniel Francisco da Silva; Reclamado: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 October 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Não Cognoscível
- Outcome
- não conheço da reclamação
- Legal Topics
- Presunção De Inocência, Reclamação, Competência Do STJ, Autoridade Das Decisões, Sucedâneo Recursal
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Daniel Francisco da Silva
Reclamante
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Não Cognoscível
Legal Issues
- 1 violação do princípio da presunção de inocência pela exclusão de candidato de concurso público em fase de investigação social
- 2 cabimento da reclamação para preservação da autoridade das decisões do STJ
- 3 utilização da reclamação como sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
A reclamação não é cognoscível porque não há decisão desta Corte, em caso concreto, desrespeitada, e a reclamação não se presta a uniformizar jurisprudência nem a substituir recursos ordinários; portanto o meio não é adequado para os pedidos formulados, nos termos dos arts. 34, XVIII, a, e 187 do RISTJ.
Court Disposition
não conheço da reclamação
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por Daniel Francisco da Silva contra decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Aduz que o Juízo Reclamado proferiu decisão, contrariando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça no sentido de violar o princípio de presunção de inocência a exclusão de candidato de concurso público, em fase de investigação social, que responda a inquérito policial ou ação penal sem trânsito em julgado. Alega, ainda, que apresentou toda documentação necessária, inclusive certidão emitida pela polícia civil informando a inexistência dos inquéritos policiais. É o relatório. Decido. A presente Reclamação não é cognoscível. Cabe reclamação, para o STJ, para que seja preservada sua competência ou para que seja garantida a autoridade de suas decisões, conforme disposto nos artigos 105, I, f, da CF/88, 988, do CPC/2015 e 187, do RI/STJ. Esclareça-se, por necessário, que não existe decisão desta Corte, em um caso concreto, envolvendo as mesmas partes e que tenha sido desrespeitada. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a reclamação não se destina a dirimir divergência jurisprudencial entre acórdão reclamado e precedentes do Superior Tribunal de Justiça muito menos de qualquer outro Tribunal. O que se observa, na verdade, é que a reclamação foi utilizada como sucedâneo recursal, entretanto, tal medida jurisdicional não se presta a isso, tendo, na verdade utilização restrita. A utilização da reclamação para garantia das decisões do tribunal pode se dar quando a decisão do próprio tribunal não é cumprida. Isso não ocorre quando outro órgão julgador adota entendimento diverso do STJ. Em outras palavras, a reclamação não serve para preservar a jurisprudência do Tribunal. Nesse sentido, in verbis: RECLAMAÇÃO. PROCESSO COLETIVO. DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS. EFEITO VINCULANTE. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO SUPOSTAMENTE DESRESPEITADO. AUTORIDADE. CIRCUNSCRIÇÃO AO CASO CONCRETO. SUCEDÂNEO DE RECURSO. DESCABIMENTO. 1. Reclamação proposta com fundamento no art. 105, I, "f", da Constituição Federal, contra decisão proferida pelo Juízo da 6ª Vara Cível da Comarca de Natal/RN, rejeitando a preliminar de coisa julgada e determinando o regular processamento de demanda coletiva. 2. Acórdão desta Corte Superior no qual se decidiu que a improcedência de ação coletiva intentada para a proteção de direitos individuais homogêneos, não importando se resultante ou não de insuficiência probatória, impede a repropositura de demanda coletiva com o mesmo objeto, resguardado o direito dos interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes de propor ação de indenização a título individual. 3. A reclamação fundada no art. 105, I, "f", da Constituição Federal não se presta à reforma de decisões contrárias à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 4. É impossível estender a autoridade da decisão proferida por esta Corte a todas as demais ações em curso nos outros Estados da Federação e no Distrito Federal, seja porque não dotado o acórdão de efeito vinculante, seja por envolver, formalmente, processos distintos submetidos a diferentes órgãos jurisdicionais. (grifo nosso) 5. Reclamação não conhecida. Pedido de reconsideração prejudicado. (Rcl 32.937/RN, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/06/2017, DJe 01/08/2017) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO CONTRA DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO À RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE AUTORIDADE DAS DECISÕES PROFERIDAS NOS RESPs 1.468/665/PE E 1.520.281/PE NÃO CARACTERIZADA. EXECUÇÕES FISCAIS DISTINTAS. IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS QUE NÃO FOI VERIFICADA. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO DA CONTRIBUINTE NÃO PROVIDO. 1. A reclamação não é instrumento hábil para adequar o julgado ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não se prestando como sucedâneo recursal. 2. O cabimento da Reclamação calcada na garantia da autoridade das decisões do Tribunal (art. 988, II, CPC/2015) surge por ocasião de eventual descumprimento de ordens emanadas desta Corte aplicáveis especificamente para o caso concreto, não sendo esta a hipótese retrata nos autos. (grifo nosso) 3. Ainda que o posicionamento deste Relator esteja em desacordo com a determinação da penhora de imóvel onde localizada a sede da empresa, o instrumento processual utilizado é inadequado para os fins almejados pela parte recorrente. 4. Agravo interno da Contribuinte não provido. (AgInt na Rcl 33.768/PE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/06/2017, DJe 01/08/2017) Ante o exposto, com fundamento nos arts. 34, XVIII, a, e 187 do RISTJ, não conheço da reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA