HC 937822 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido liminarmente porque a alegada ofensa ao princípio da correlação não foi previamente apreciada pelo Tribunal de origem, configurando supressão de instância que impede a análise inaugural pelo Superior Tribunal de Justiça; ademais, aplicação do Enunciado n. 52 da Súmula do STJ impede...
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- Parties
- Paciente: JOAO PAULO PRIMUS FERNANDES DA COSTA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1501185-43.2018.8.26.0624)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Pedido Liminar Indeferido
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Princípio Da Correlação, Supressão De Instância, Recebimento Da Denúncia, Excesso De Prazo, Nulidades
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Parties
JOAO PAULO PRIMUS FERNANDES DA COSTA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1501185-43.2018.8.26.0624)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Pedido Liminar Indeferido
Legal Issues
- 1 ofensa ao princípio da correlação por condenação por dois crimes quando denunciado por apenas um
- 2 supressão de instância por ausência de apreciação pelo Tribunal de origem
- 3 vedação da apreciação per saltum na via do habeas corpus
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido liminarmente porque a alegada ofensa ao princípio da correlação não foi previamente apreciada pelo Tribunal de origem, configurando supressão de instância que impede a análise inaugural pelo Superior Tribunal de Justiça; ademais, aplicação do Enunciado n. 52 da Súmula do STJ impede reconhecimento de excesso de prazo após encerrada a instrução/sentença condenatória.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o mandamus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de JOAO PAULO PRIMUS FERNANDES DA COSTA apontando como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1501185-43.2018.8.26.0624). Consta dos autos que o paciente foi condenado como incurso no art. 299, caput, do Código Penal, por duas vezes, e nos arts. 312, §1 º, e 282, p. único, ambos do Código Penal, à pena de 7 anos e 1 mês de reclusão e de 6 meses de detenção, em regime fechado. Irresignadas, defesa e acusação interpuseram recurso de apelação, sendo provido apenas o recurso da acusação, resultando na pena total de 17 anos e 6 meses de reclusão. No presente mandamus, a defesa aduz, em síntese, que houve ofensa ao princípio da correlação, porquanto o paciente foi denunciado por apenas um crime de falso, sendo, no entanto, condenado por dois crimes. Pugna, liminarmente, pela suspensão dos efeitos da condenação e, no mérito, pela absolvição com relação crime de falsidade perante a CREMESP. É o relatório. Decido. Da leitura atenta do acórdão impugnado, verifico que a alegada ofensa ao princípio da correlação não foi previamente submetida ao crivo do Tribunal de origem. Portanto, não houve manifestação da Corte local sobre o tema, o que inviabiliza o conhecimento do writ, haja vista a supressão de instância. Com efeito, "é vedada a apreciação per saltum da pretensão defensiva, sob pena de supressão de instância, uma vez que compete ao Superior Tribunal de Justiça, na via processual do habeas corpus, apreciar ato de um dos Tribunais Regionais Federais ou dos Tribunais de Justiça estaduais (art. 105, inciso II, alínea a, da Constituição da República)" (EDcl no HC 609.741/MG, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 15/9/2020, DJe 29/9/2020). No mesmo sentido: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. NULIDADES. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. PROLAÇÃO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA QUE PREJUDICA A APRECIAÇÃO DO TEMA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS TESES DEFENSIVAS PELA SENTENÇA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. EXCESSO DE PRAZO PARA O TÉRMINO DA INSTRUÇÃO . ENUNCIADO N. 52, DA SÚMULA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. As alegadas nulidades decorrentes da sentença condenatória não foram examinadas pelo Tribunal de origem, de modo que inviável a análise inaugural por esta Corte, sob pena de indevida supressão de instância. Outrossim, prolatada a sentença condenatória, fica obstada a análise de eventuais nulidades decorrentes do recebimento da denúncia. 2. No que se refere ao alegado excesso de prazo para o encerramento da instrução, incide o Enunciado n. 52, da Súmula do STJ, que afirma que "Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo". Nesse contexto, prolatada a sentença condenatória, inviável o reconhecimento do excesso de prazo. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 837.966/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 27/10/2023.) Pelo exposto, indefiro liminarmente o mandamus. Publique-se. EMENTA