AREsp 2502877 - ACORDAO
O agravo regimental foi desprovido porque o agravo em recurso especial não impugnou especificamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, não demonstrou que a análise do conjunto fático-probatório seria desnecessária e não indicou precedentes contemporâneos ou supervenientes capazes de afastar a aplicação...
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- Parties
- Agravante: ROGÉRIO DE CARVALHO ROSA; Recorrido: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Julgamento
- Outcome
- negou provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Princípio Da Dialeticidade, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula N. 7, STJ, Súmula N. 83, Súmula N. 182, Trancamento Do Recurso Especial
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Parties
ROGÉRIO DE CARVALHO ROSA
Agravante
Ministério Público
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Regimental / Julgamento
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial impugnou adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade em conformidade com o princípio da dialeticidade
- 2 Se o agravante demonstrou a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para conhecimento do recurso especial
- 3 Se foram apresentados precedentes contemporâneos ou supervenientes capazes de refutar a aplicação da Súmula n. 83, STJ
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi desprovido porque o agravo em recurso especial não impugnou especificamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, não demonstrou que a análise do conjunto fático-probatório seria desnecessária e não indicou precedentes contemporâneos ou supervenientes capazes de afastar a aplicação das Súmulas n. 7 e n. 83, configurando ofensa ao princípio da dialeticidade nos termos do art. 932, III, do CPC, do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula n. 182 do STJ.
Court Disposition
negou provimento ao agravo regimental
Orders
- Agravo regimental não provido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA Direito penal. Agravo regimental. Recurso especial. Princípio da dialeticidade. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial por ofensa ao princípio da dialeticidade. 2. O recurso especial foi trancado na origem com base nas Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ, e o agravo em recurso especial não foi conhecido por não impugnar especificamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial impugnou adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, em conformidade com o princípio da dialeticidade. III. Razões de decidir 4. O agravante não demonstrou a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório, nem que os fatos foram devidamente consignados no acórdão impugnado. 5. O agravante não apresentou precedentes adequados a refutar a aplicação da Súmula n. 83, STJ. 6. A decisão agravada foi correta ao não conhecer do agravo em recurso especial por ofensa ao princípio da dialeticidade, conforme art. 932, inciso III, do CPC, art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ e Súmula n. 182 do STJ. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: "1. É dever da parte demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para o conhecimento do recurso especial. 2. A impugnação genérica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade não atende ao princípio da dialeticidade." Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I; Súmula n. 182, STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp 600.416/MG, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 18/11/2016; STJ, AgRg no AREsp 1.207.268/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 19/12/2018; STJ, AgRg nos EDcl no AREsp 2.104.712/CE, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 11/11/2022.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por ROGÉRIO DE CARVALHO ROSA contra decisão monocrática de minha relatoria que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de enfrentamento de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade (fls. 1794-1796). O agravante sustenta que combateu efetivamente a incidência das Súmulas n. 7 e n. 83, STJ, e que por isso atendeu ao princípio da dialeticidade. Para tanto, afirma que as questões suscitadas são eminentemente de direito, relativas à correta interpretação e aplicação da legislação federal e não demandam o revolvimento do conjunto fático-probatório. Também alega ter demonstrado que a jurisprudência deste STJ não está pacificada no sentido da tese adotada pelo Tribunal de origem. Pede o provimento do agravo regimental para que o recurso especial seja conhecido e provido (fls. 1806-1811). É o relatório. EMENTA Direito penal. Agravo regimental. Recurso especial. Princípio da dialeticidade. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial por ofensa ao princípio da dialeticidade. 2. O recurso especial foi trancado na origem com base nas Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ, e o agravo em recurso especial não foi conhecido por não impugnar especificamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial impugnou adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, em conformidade com o princípio da dialeticidade. III. Razões de decidir 4. O agravante não demonstrou a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório, nem que os fatos foram devidamente consignados no acórdão impugnado. 5. O agravante não apresentou precedentes adequados a refutar a aplicação da Súmula n. 83, STJ. 6. A decisão agravada foi correta ao não conhecer do agravo em recurso especial por ofensa ao princípio da dialeticidade, conforme art. 932, inciso III, do CPC, art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ e Súmula n. 182 do STJ. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: "1. É dever da parte demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para o conhecimento do recurso especial. 2. A impugnação genérica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade não atende ao princípio da dialeticidade." Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I; Súmula n. 182, STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp 600.416/MG, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 18/11/2016; STJ, AgRg no AREsp 1.207.268/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 19/12/2018; STJ, AgRg nos EDcl no AREsp 2.104.712/CE, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 11/11/2022. VOTO O agravante interpôs recurso especial contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Estado de Minas Gerais que deu provimento ao recurso apresentado pelo Ministério Público, condenando o agravante pelo delito previsto no art. 1º, §1º, inciso I, da Lei 9.613/98, à pena de 4 (quatro) anos e 1 (um) mês de reclusão, no regime inicial fechado, e 12 (doze) dias-multa, no valor unitário mínimo (fls. 1525-1555). Com a inadmissão do recurso especial na origem (fls. 1678-1687), ao fundamento das Súmulas n. 7 e n. 83, ambas do STJ, a Defesa interpôs o agravo em recurso especial, que, por sua vez, não foi conhecido por afronta o princípio da dialeticidade. O agravo regimental, contudo, não logrou demonstrar que o agravo em recurso especial impugnou especificamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, limitando-se a negar, genericamente, a incidência dos enunciados sumulares. Como se sabe, é dever da parte demonstrar a eventual desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para a análise da questão, deixando claro que os fatos foram devidamente consignados no acórdão impugnado, o que não ocorreu na hipótese. Isso porque, a simples assertiva genérica de que se trata de questão unicamente de direito relativa à correta interpretação e aplicação de Lei Federal não é suficiente para adequadamente enfrentar a Súmula 7, STJ. Precedentes: AgInt no AREsp n. 600.416/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 18/11/2016). No mesmo sentido: AgRg no AREsp n. 1.207.268/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 19/12/2018 e AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.104.712/CE, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 11/11/2022. No que se refere ao questionamento quanto à aplicação da Súmula n. 83, STJ, caberia ao agravante demonstrar que os precedentes citados na decisão recorrida não se aplicam à situação dos autos, ou, ainda, indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes que demonstrem o desacerto da inadmissão do recurso interposto. A propósito: " .. 7. Inadmitido o recurso especial com base na incidência da Súmula 83 do STJ, incumbe à parte interessada apontar julgados deste Tribunal contemporâneos ou supervenientes sobre a matéria, procedendo ao cotejo entre eles a fim de demonstrar que a orientação desta Corte é diversa da do Tribunal a quo ou que não se encontra pacificada. Pode ainda, se fosse o caso, demonstrar a existência de distinção do caso tratado nos autos, o que não ocorreu na espécie" (AgInt nos EDcl no AREsp 1.842.229/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, DJe de 11/5/2023). O agravante, contudo, não se desincumbiu desse ônus, deixando de indicar precedente contemporâneo ou superveniente aos mencionados na decisão de inadmissibilidade. Pelo menos, não de modo a abordar a questão central, que é a possibilidade do reconhecimento de maior reprovabilidade da conduta quando o crime é cometido durante o cumprimento de pena por condenação anterior em conjunto com a reincidência, que está fundada exclusivamente na existência de condenação penal transitada em julgado. Não refutada adequadamente a aplicação das Súmulas n. 7 e n. 83, STJ, entendo correta a decisão agravada, que não conheceu do agravo em recurso especial por ofensa ao princípio da dialeticidade, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC, do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ e da Súmula n. 182, STJ. Nesse sentido: AgRg na RvCr n. 5.740/RS, Terceira Seção, Rel.ª Min.ª Laurita Vaz, DJe de 3/4/2023; EDcl no AgRg na RvCr n. 4.570/DF, Terceira Seção, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe de 14/5/2019. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.