AREsp 3037006 - DECISAO
Não conhecer do agravo porque a agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada nem indicou expressamente os dispositivos legais supostamente violados, de modo que seu recurso estava deficiente quanto à demonstração do dissídio jurisprudencial, atraindo a aplicação da Súmula 284/STF e, por...
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- Parties
- Agravante: ANA CLARA VIANA SOARES BRITO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042, Do Cpc/15) / Admissibilidade
- Outcome
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Princípio Da Dialeticidade, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284/stf, Súmula 182/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
ANA CLARA VIANA SOARES BRITO
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042, Do Cpc/15) / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 284/STF por ausência de indicação dos dispositivos legais no recurso especial
- 2 violação do princípio da dialeticidade por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 3 aplicação, por analogia, da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC/2015
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo porque a agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada nem indicou expressamente os dispositivos legais supostamente violados, de modo que seu recurso estava deficiente quanto à demonstração do dissídio jurisprudencial, atraindo a aplicação da Súmula 284/STF e, por analogia, da Súmula 182/STJ, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015; incidente de majoração de honorários em 10% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Não conhecer do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Majorar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042, do CPC/15), interposto por ANA CLARA VIANA SOARES BRITO, contra decisão que negou seguimento a recurso especial, sob os seguintes fundamentos (fls. 652/656, e-STJ): i) emprego da Súmula 284/STF à alegada violação das regras previstas nos arts. 489, § 1º, VI e 1.022, II, do CPC/15, por deficiência de fundamentação, consubstanciada em alegação genérica de violação a dispositivo de lei; ii) incidência da Súmula 284/STF à tese relacionada com a ocorrência de dissídio jurisprudencial, por deficiência de fundamentação, tendo em vista a ausência de indicação dos dispositivos de lei objeto da divergência e a não realização do cotejo analítico dos acórdãos apresentados. Daí o presente agravo (fls. 663/686, e-STJ), no qual a insurgente contesta os fundamentos que embasaram a decisão recorrida. Contraminuta às fls. 735/740 (e-STJ). É o relatório. Decido. O recurso não é admissível, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Em um exame acurado das razões de agravo (art. 1.042, do CPC/15) verifica-se que a recorrente limitou-se a renegar, genericamente, o juízo de admissibilidade realizado na origem, reafirmando as teses deduzidos no apelo nobre, sem, contudo, efetivamente demonstrar a inadequação dos óbices invocados. Acerca da incidência da Súmula n.º 284 do STF decorrente da ausência de comprovação do dissenso pretoriano, constata-se da leitura das razões do agravo, que a recorrente não se desincumbiu do ônus de indicar expressamente em que trecho da petição do recurso especial houve a enumeração clara e precisa dos dispositivos de lei cuja interpretação conferida pela Corte de origem estaria a dissentir daquela empregada por outros tribunais, com vistas a combater o argumento da deficiência na sua fundamentação. Como é cediço, o recurso especial é um meio impugnativo processual de fundamentação vinculada, no qual o efeito devolutivo se opera nos termos do que foi impugnado. Assim, a ausência de indicação expressa de dispositivos legais tidos por vulnerados não permite verificar se a legislação federal infraconstitucional restou, ou não, malferida, o que atrai a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZATÓRIA. PLANO DE SAÚDE. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA NOS MOLDES LEGAIS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DE DISPOSITIVOS DE LEI FEDERAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 284 DO STF, POR ANALOGIA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 2. Quanto ao dissídio jurisprudencial, não foi indicado nas razões recursais o dispositivo infraconstitucional tido por violado, exigência essa que deve ser cumprida tanto para o recurso especial interposto com base na alínea a quanto para o manejado com fulcro na alínea c do permissivo constitucional, sendo, portanto, imperiosa a incidência da Súmula nº 284 do STF. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1927096/SE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/05/2021, DJe 13/05/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OFENSA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SUPOSTAMENTE VIOLADO OU OBJETO DA ALEGADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO NÃO PROVIDO. (..) 3. O conhecimento do recurso especial exige a indicação do dispositivo legal supostamente violado ou objeto da alegada divergência jurisprudencial. Ausente tal requisito, incide a Súmula n. 284/STF. 4. Para a caracterização do dissídio jurisprudencial, nos termos do art. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e 255, §§ 1º e 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, é necessária a demonstração da similitude fática e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados, não bastando a simples transcrição de ementas. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1736638/PE, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/05/2021, DJe 12/05/2021) Como é cediço, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada encontra óbice na Súmula 182/STJ e no artigo 932, III, do NCPC: Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifos acrescidos) Conforme já decidiu o STJ, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.11.2008 - grifos nossos). E, ainda, "Inexistindo impugnação específica ao decisum impugnado, restou desatendido o princípio da dialeticidade, motivo pelo qual incide, no caso em exame, por analogia, a Súmula n. 182/STJ: "É inviável o exame do agravo do artigo 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." (AgRg no AgRg nos EAREsp 557.525/PR, Rel. Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe 14/12/2015). 2. Do exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, e na aplicação, por analogia, do Enunciado n. 182 da Súmula deste STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA