HC 1074739 - ACORDAO
O agravo regimental não foi conhecido porque não impugnou de forma específica e pormenorizada o fundamento da decisão agravada, que se baseou na impossibilidade de exame de habeas corpus pelo STJ sem decisão colegiada do tribunal de origem (exaurimento da instância), incidindo a Súmula 182/STJ e violando o princípio...
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- Parties
- Agravante: JEFFERSON CAMARA DOS SANTOS; Impetrado: Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental não conhecido
- Legal Topics
- Princípio Da Dialeticidade, Súmula 182/stj, Exaurimento Da Instância, Competência Do STJ, Concessão De Habeas Corpus De Ofício
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Parties
JEFFERSON CAMARA DOS SANTOS
Agravante
Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Impetrado
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 182/STJ por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Impossibilidade de conhecimento de habeas corpus pelo STJ sem decisão colegiada do tribunal de origem (exaurimento da instância)
- 3 Limites da concessão de habeas corpus de ofício diante de regras de competência
Ratio Decidendi
O agravo regimental não foi conhecido porque não impugnou de forma específica e pormenorizada o fundamento da decisão agravada, que se baseou na impossibilidade de exame de habeas corpus pelo STJ sem decisão colegiada do tribunal de origem (exaurimento da instância), incidindo a Súmula 182/STJ e violando o princípio da dialeticidade; além disso, a pretensão de concessão de habeas corpus de ofício não justifica violação das regras de competência.
Court Disposition
Agravo regimental não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo regimental
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/03/2026 a 31/03/2026, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. OFENSA À DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. A petiç ão recursal do agravante esbarra no óbice do enunciado n. 182 da Súmula desta Corte, porquanto não foi impugnado o fundamento da decisão agravada, consistente na impossibilidade da impetração de habeas corpus contra ato omissivo atribuído à Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, porquanto a competência desta Corte Superior para examinar habeas corpus, nos termos do art. 105, I, "c", da Constituição Federal, somente se inaugura após decisão colegiada do Tribunal de origem, exigindo-se o exaurimento prévio da instância ordinária. Assim, a não impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo, por violação do princípio da dialeticidade, uma vez que os fundamentos não impugnados se mantêm. 2. Agravo regimental não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por JEFFERSON CAMARA DOS SANTOS contra decisão monocrática, da minha lavra, que indeferiu liminarmente o habeas corpus impetrado contra ato omissivo atribuído à Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (e-STJ fls. 196/200). Em suas razões recursais (e-STJ fls. 204/208), a defesa, em suma, repete os termos da impetração, sem refutar os fundamentos da decisão monocrática desta relatoria. Aduz que o rigorismo formal adotado na decisão agravada ignora a teratologia do caso concreto e que o processo ficou paralisado por "absurdos" 8 meses na Terceira Vice-Presidência do TJMG, aguardando um mero exame de admissibilidade recursal, o que impõe a concessão da ordem de habeas corpus de ofício. Ao final, requer: 1-Seja recebido e conhecido o presente Agravo Regimental, para que Vossa Excelência, exercendo o Juízo de Retratação, reconsidere a r. decisão monocrática, afastando o óbice formal da supressão de instância; 2-Caso não seja este o entendimento, requer seja o feito levado à mesa da Egrégia Sexta Turma na primeira sessão desimpedida, para que seja dado provimento ao recurso; 3-No mérito, seja concedida a MEDIDA LIMINAR, ainda que mediante ORDEM DE OFÍCIO (Art. 654, §2º, CPP), determinando-se o imediato relaxamento da prisão preventiva do Agravante JEFFERSON CAMARA DOS SANTOS, face ao inescusável excesso de prazo qualificado (831 dias), à flagrante omissão do art. 316, parágrafo único, do CPP (paralisação de 240 dias sem revisão), com a consequente expedição de ALVARÁ DE SOLTURA. 4-Subsidiariamente, seja a prisão substituída pelas medidas cautelares do art. 319 do CPP, notadamente a monitoração eletrônica. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. OFENSA À DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. A petiç ão recursal do agravante esbarra no óbice do enunciado n. 182 da Súmula desta Corte, porquanto não foi impugnado o fundamento da decisão agravada, consistente na impossibilidade da impetração de habeas corpus contra ato omissivo atribuído à Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, porquanto a competência desta Corte Superior para examinar habeas corpus, nos termos do art. 105, I, "c", da Constituição Federal, somente se inaugura após decisão colegiada do Tribunal de origem, exigindo-se o exaurimento prévio da instância ordinária. Assim, a não impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo, por violação do princípio da dialeticidade, uma vez que os fundamentos não impugnados se mantêm. 2. Agravo regimental não conhecido. VOTO De plano, destaco que não é possível conhecer do agravo regimental. Com efeito, a petição recursal do agravante esbarra no óbice do enunciado n. 182 da Súmula desta Corte, porquanto não foi impugnado o fundamento da decisão agravada, consistente na impossibilidade da impetração de habeas corpus contra ato omissivo atribuído à Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, porquanto a competência desta Corte Superior para examinar habeas corpus, nos termos do art. 105, I, "c", da Constituição Federal, somente se inaugura após decisão colegiada do Tribunal de origem, exigindo-se o exaurimento prévio da instância ordinária. Somado a isso, ao contrário do alegado, A concessão de habeas corpus de ofício é prerrogativa do julgador e não pode ser utilizada para violar regras de competência ou como meio de burlar os requisitos do recurso próprio (AgRg no HC n. 993.856/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 22/4/2025, DJEN de 30/4/2025). Portanto, a não impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo regimental, por violação do princípio da dialeticidade, uma vez que os fundamentos não impugnados se mantêm. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. EXIGÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DESTA CORTE. FUNDAMENTO DE INEXISTÊNCIA DE EXAURIMENTO DA INSTÂNCIA ANTECEDENTE NÃO COMBATIDO. PETIÇÃO INICIAL DO HABEAS CORPUS LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. O princípio da dialeticidade impõe ao Agravante o ônus de demonstrar o desacerto da decisão agravada. No caso, as razões do regimental não rebatem, especificamente, o fundamento da decisão recorrida de que o writ não poderia ser conhecido, pois interposto contra decisão monocrática de Desembargador Relator, sem que o Órgão colegiado a quo analisasse a matéria. Fundamento de inexistência de exaurimento da instância não combatido no presente recurso. 2. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC 718.289/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 22/02/2022, DJe 03/03/2022) Ante o exposto, não conheço do agravo regimental. É como voto.