HC 676349 - DECISAO
Considerando-se a inexpressividade da lesão jurídica (valores e natureza dos bens: produtos alimentícios), a tentativa simples de furto, a restituição dos bens ao estabelecimento e a condição de idosa da paciente, reconheceu-se a atipicidade material por aplicação do princípio da insignificância, devendo trancar-se...
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- Parties
- Agravante: BIBIANA DE REZENDE LOURENÇO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Monocrática Reformada
- Outcome
- Provimento ao agravo regimental para determinar o trancamento da ação penal e expedição de alvará de soltura em favor da agravante.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Atipicidade Material, Trancamento Da Ação Penal, Habeas Corpus, Furto Tentado
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Parties
BIBIANA DE REZENDE LOURENÇO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Monocrática Reformada
Legal Issues
- 1 incidência do princípio da insignificância
- 2 relevância da lesão jurídica no furto tentado
- 3 consideração de antecedentes criminais na aplicação da insignificância
Ratio Decidendi
Considerando-se a inexpressividade da lesão jurídica (valores e natureza dos bens: produtos alimentícios), a tentativa simples de furto, a restituição dos bens ao estabelecimento e a condição de idosa da paciente, reconheceu-se a atipicidade material por aplicação do princípio da insignificância, devendo trancar-se a ação penal mesmo diante de antecedentes, nos termos da análise casuística adotada pelo Tribunal.
Court Disposition
Provimento ao agravo regimental para determinar o trancamento da ação penal e expedição de alvará de soltura em favor da agravante.
Orders
- Trancamento da ação penal
- Expedição de alvará de soltura em favor da agravante
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo regimental interposto por BIBIANA DE REZENDE LOURENÇOcontra decisão monocrática, a qual não conheceu do habeas corpus impetrado contra o v. acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. No presente agravo regimental, a defesa reitera as alegações no sentido daatipicidade material da conduta praticada, ante a possibilidade da incidência do princípio da insignificância. Postula, assim, a reconsideração da decisão, para trancar a ação penal, ou que o presente agravo seja submetido à apreciação do Colegiado, pugnando pelo seu total provimento (fls. 95-103). É o relatório. Decido. A parte que se considerar agravada por decisão de relator, à exceção do indeferimento de liminar em procedimento de habeas corpus e recurso ordinário em habeas corpus, poderá requerer, dentro de cinco dias, a apresentação do feito em mesa relativo à matéria penal em geral, para que a Corte Especial, a Seção ou a Turma sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a. A defesa reitera as alegações no sentido da atipicidade material da conduta praticada, ante a possibilidade da incidência do princípio da insignificância. Para tanto, aduz que: "Trata-se de uma tentativa de furto de salame e carne seca de um supermercado, por parte de uma mulher que teve uma condenação por fato de quase uma década atrás.Não bastasse, ela é IDOSA (62 anos de idade), desempregada e não tem fonte de renda." Nesse compasso, no que se refere às irresignações exaradas pela defesa, tenho que reconsiderar o decisum. A pretensão deduzida no mandamus tem como fundamento a atipicidade material da conduta praticada, ante a possibilidade da incidência do princípio da insignificância. Sobre o tema,"A tipicidade penal não pode ser percebida como o trivial exercício de adequação do fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade, é necessária uma análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso concreto, no sentido de se verificar a ocorrência de alguma lesão grave, contundente e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. O princípio da insignificância reduz o âmbito de proibição aparente da tipicidade legal e, por consequência, torna atípico o fato na seara penal, apesar de haver lesão a bem juridicamente tutelado pela norma penal. 3. Para a incidência do princípio da insignificância, devem ser relevados o valor do objeto do crime e os aspectos objetivos do fato - tais como a mínima ofensividade da conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica causada" (STF, HC 96684, Primeira Turma Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 23/11/2010). Na sessão de 3/8/2015, o Plenário do eg. Supremo Tribunal Federal, ao examinar, conjuntamente, o HC n. 123.108/MG, Rel. Min. Roberto Barroso; o HC n. 123.533/SP, Rel. Min. Roberto Barroso e o HC n. 123.734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, definiu que a incidência do princípio da insignificância deve ser feita caso a caso (Informativo nº. 793/STF). Quanto à atipicidade da conduta, no presente caso, o princípio da insignificância foi afastado, em razão da vida pregressa da paciente, ao fundamento de que possui comportamento reiterado na prática de crimes. Entretanto, na hipótese, denota-se a inexpressividade da lesão jurídica provocada, uma vez que, trata-se de paciente idosa, que executouofurto na modalidade tentada e simples, de modo que,os itens furtados são produtos alimentícios (um salame e três peças de carne seca),os quais foram restituídos ao estabelecimento comercial. Tais circunstâncias,enquadram-se dentre as hipóteses excepcionais em que é recomendável a aplicação do princípio da insignificância, a despeito dos antecedentes criminais, reconhecendo-se a atipicidade material da conduta. Sobre a questão, destaco os recentes julgados proferidos pelas Turmas que integram a Terceira Seção:AgRg no REsp 1415978/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 02/02/2016, DJe 15/02/2016 e AgRg no AREsp 633.190/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 14/4/2015, DJe 23/4/2015. Ante o exposto, nos termos do art. 258, § 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, dou provimento ao agravo regimental, para determinar o trancamento da ação penal e a expedição de alvará de solturaem favorda agravante. P. e I.