HC 897502 - DECISAO
Concedeu-se a ordem porque, considerando o valor dos bens subtraídos (R$ 248,48, equivalentes a aproximadamente 17% do salário mínimo), a devolução da res furtiva, o caráter tentado do furto e a primariedade do réu, restou reconhecida a atipicidade material da conduta pela aplicação do princípio da insignificância,...
Source-derived case information.
- Parties
- Impetrante: defesa; Órgão Ministerial: Ministério Público Federal; Vítima (pessoa Jurídica): Supermercado Shibata
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- ordem concedida; absolvição do paciente por atipicidade material (art. 386, III, CPP) em razão do princípio da insignificância
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Furto, Tentativa, Absolvição Sumária, Art. 386, III, CPP
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
defesa
Impetrante
Ministério Público Federal
Órgão Ministerial
Supermercado Shibata
Vítima (pessoa Jurídica)
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 aplicabilidade do princípio da insignificância no furto tentado
- 2 valoração do valor do bem subtraído como percentual do salário mínimo
- 3 relevância da devolução da res furtiva e da primariedade do réu para fins de atipicidade material
Ratio Decidendi
Concedeu-se a ordem porque, considerando o valor dos bens subtraídos (R$ 248,48, equivalentes a aproximadamente 17% do salário mínimo), a devolução da res furtiva, o caráter tentado do furto e a primariedade do réu, restou reconhecida a atipicidade material da conduta pela aplicação do princípio da insignificância, absolvendo-se o paciente com fundamento no art. 386, III, do CPP.
Court Disposition
ordem concedida; absolvição do paciente por atipicidade material (art. 386, III, CPP) em razão do princípio da insignificância
Orders
- Conceder a ordem
- Absolver o paciente com fundamento no art. 386, III, do CPP
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado contra acórdão que negou provimento ao recurso de apelação. No presente writ , a defesa alega, em suma, a atipicidade da conduta, pela aplicabilidade, no caso, do princípio da insignificância. Requer, liminarmente e no mérito, seja o paciente absolvido. Indeferida a liminar, prestadas as informações, o Ministério Público Federal manifestou-se pela denegação da ordem. É o relatório. DECIDO. O paciente foi condenado como incurso no art. 155, caput, c/c art. 14, II, do Código Penal, a 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime aberto, e 7 dias-multa. Interposto recurso de apelação pela defesa, o Tribunal de origem negou-lhe provimento. Relativamente à aplicação do princípio da insignificância, o acórdão encontra-se assim fundamentado (fls. 21-23): Infere-se do conjunto probatório que, no dia 21 de janeiro de 2023, por volta das 20h40min, na Rua Andorra, nº 500, Jardim América, na cidade de São José dos Campos SP, o apelante tentou subtrair, para si, 01 bolsa térmica, 02 peças de carne e 04 chocolates, avaliados em um total de R$ 248,48 (duzentos e quarenta e oito reais e quarenta e oito centavos), pertencentes ao "Supermercado Shibata", não obtendo êxito em seu intento criminoso, por circunstâncias alheias a sua vontade. .. Inviável falar-se em aplicação do princípio da insignificância. Com efeito, tendo em vista que os bens subtraídos foram avaliados em R$ 248,48 (duzentos e quarenta e oito reais e quarenta e oito centavos), não há como sustentar ser tal quantia insignificante, uma vez que corresponde a 17% do salário mínimo vigente (fato de 01.01.2024). Nesse sentido, a jurisprudência, quanto ao requisito objetivo do valor da coisa subtraída, estabeleceu o teto de 10 % (dez por cento) do salário mínimo vigente à época dos fatos como parâmetro para aplicação do princípio da insignificância: .. Sedimentou-se a orientação jurisprudencial, nesta Corte e no Supremo Tribunal Federal, de que a incidência do princípio da insignificância pressupõe a concomitância de quatro vetores: a) mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. No caso, o ínfimo valor das res furtivae, avaliadas em R$ 248,48, as quais foram restituídas à vítima (pessoa jurídica) - tratando-se de delito tentado -, embora supere ligeiramente o quantitativo de 10% do valor do salário-mínimo fixado pela jurisprudência desta Corte não ultrapassa 20%, justificando a aplicação do princípio da insignificância, em se considerando, ainda, tratar-se de réu primário. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO QUALIFICADO PELO CONCURSO DE AGENTES. ITENS DE HIGIENE. VALOR EQUIVALENTE A 14% DO SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO. RÉ TECNICAMENTE PRIMÁRIA. RES FURTIVA DEVOLVIDA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCIDÊNCIA. 1. Sedimentou-se a orientação jurisprudencial de que a incidência do princípio da insignificância pressupõe a concomitância de quatro vetores: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhu ma periculosidade social da ação; c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. 2. Conforme a jurisprudência desta Corte Superior, em se tratando de pessoa jurídica, considerando-se as circunstâncias do delito, é possível reconhecer-se a aplicação do princípio da insignificância se a o valor do bem subtraído for inferior a 20% do salário mínimo vigente à época dos fatos. 3. Tratando-se de ré tecnicamente primária, e ainda que configurado o concurso de agentes, o furto de itens de higiene de Supermercado, avaliados em R$ 154,37, que foram restituídos à empresa vítima autoriza, excepcionalmente, a incidência do princípio da insignificância, não justificando tão gravosa resposta penal do Estado. 4. Provimento do agravo regimental. Restabelecimento da sentença de absolvição sumária. (AgRg no AREsp n. 2.073.862/DF, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 28/6/2022, DJe de 1/7/2022.) Ante o exposto, concedo a ordem para, reconhecendo a atipicidade material da conduta, absolver o paciente (art. 386, III, do CPP) da imputação, pela aplicação do princípio da insignificância. Publique-se. Intimem-se. EMENTA