AREsp 2497126 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial porque, no caso concreto, preenchidos os requisitos do princípio da insignificância (ré primária; valor dos bens envolvidos R$60,00 inferior ao parâmetro jurisprudencial de 10% do salário mínimo vigente em 2018; restituição dos bens e ausência de ato mais...
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- Parties
- Agravante: SIMONE GONÇALVES CRUZ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Provimento Do Agravo
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para absolver a acusada SIMONE GONÇALVES CRUZ do crime de furto em razão da aplicação do princípio da insignificância.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Furto, Inadmissão De Recurso Especial, Aplicação Excepcional Do Princípio Da Insignificância, Reiteração Criminosa, Valor Da Res Furtiva
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Parties
SIMONE GONÇALVES CRUZ
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Provimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 violação do artigo 386, inciso III, do CPP
- 2 incidência do princípio da insignificância e seus requisitos
- 3 limites da aplicação do princípio da insignificância em face do valor da res furtiva
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial porque, no caso concreto, preenchidos os requisitos do princípio da insignificância (ré primária; valor dos bens envolvidos R$60,00 inferior ao parâmetro jurisprudencial de 10% do salário mínimo vigente em 2018; restituição dos bens e ausência de ato mais grave), afastou-se a tipicidade e absolveu-se SIMONE GONÇALVES CRUZ do crime de furto, com fundamento no art. 932, inciso VIII, do CPC c/c art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a" do RISTJ.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para absolver a acusada SIMONE GONÇALVES CRUZ do crime de furto em razão da aplicação do princípio da insignificância.
Orders
- Com fundamento no art. 932, inciso VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", parte final do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial e absolver a acusada SIMONE GONÇALVES CRUZ do crime de furto em razão da aplicação do princípio da insignificância.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SIMONE GONÇALVES CRUZ em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, cuja ementa é a seguinte (e-STJ fls. 366): APELAÇÃO FURTO QUALIFICADO TENTADO CONCURSO DE AGENTES AUTORIA E MATERIALIDADE DEMONSTRADAS ACUSADAS, TECNICAMENTE, PRIMÁRIAS - REDUÇÃO DAS PENAS RECONHECIMENTO DO PRIVILÉGIO SÚMULA 511, DOSTJ SUBSTITUIÇÃO DA SANÇÃO CORPORAL TAMBÉMEM RELAÇÃO À ACUSADA ROSILENE REGIME PRISIONAL ABERTO INCONTROVERSO RECURSOPARCIALMENTE PROVIDO. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 517/532), fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, alega a parte recorrente violação do artigo 386, inciso III, do CPP. Sustenta a incidência do princípio da insignificância. Apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 397/402), o Tribunal a quo não admitiu o recurso especial (e-STJ fls. 407), tendo sido interposto o presente agravo. O Ministério Público Federal, instado a se manifestar, opinou pelo não conhecimento do agravo (e-STJ fls. 471/473). É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso merece acolhida. A lei penal não deve ser invocada para atuar em hipóteses desprovidas de significação social, razão pela qual os princípios da insignificância e da intervenção mínima surgem para atuar como instrumentos de interpretação restrita do tipo penal. Entretanto, a ideia não pode ser aceita sem restrições, sob pena de o Estado dar margem a situações de perigo, na medida em que qualquer cidadão poderia se valer de tal princípio para justificar a prática de pequenos ilícitos, incentivando, por certo, condutas que atentem contra a ordem social. Assim, o princípio da insignificância deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade penal, observando-se a presença de "certos vetores, como (a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada" (HC n. 98.152/MG, Relator Ministro CELSO DE MELLO, Segunda Turma, DJe 5/6/2009). Salienta-se que, quanto ao tema, o Plenário do eg. Supremo Tribunal Federal, ao examinar, conjuntamente, o HC n. 123.108/MG, o HC n. 123.533/SP e o HC n. 123.734/MG, todos de relatoria do Ministro ROBERTO BARROSO, definiu que a incidência do princípio da insignificância deve ser feita caso a caso (Informativo n. 793/STF). Nessa linha, a Terceira Seção desta Corte, no julgamento do EREsp n. 221.999/RS, de MINHA RELATORIA, DJe 10/12/2015, estabeleceu que a reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, a verificação que a medida é socialmente recomendável, como no presente caso. Precedentes: AgRg no REsp n. 1.739.282/MG, Relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 14/8/2018, DJe 24/8/2018; AgRg no HC n. 439.368/SC, Relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 14/8/2018, DJe 22/8/2018; AgRg no AREsp n. 1.260.173/DF, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 7/8/2018, DJe 15/8/2018; AgRg no HC n. 429.890/MS, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 3/4/2018, DJe 12/4/2018. Ainda, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça firmou-se no sentido de ser incabível a aplicação do princípio da insignificância quando o montante do valor da res furtiva superar o percentual de 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos. Precedentes: AgRg no AREsp n. 1.242.213/MG, Relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 4/9/2018, DJe 12/9/2018; AgRg no AREsp n. 1.308.314/MG, Relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Sexta Turma, julgado em 23/8/2018, DJe 4/9/2018; AgRg no AREsp n. 1.313.997/MG, Relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 21/8/2018, DJe 30/8/2018; AgRg no REsp n. 1.744.802/MS, Relator Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 2/8/2018, DJe 10/8/2018; HC n. 425.168/SC, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 7/6/2018, DJe 15/6/2018; AgRg no REsp n. 1.734.968/MG, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 22/5/2018, DJe 30/5/2018. Na hipótese em análise, o entendimento das instâncias de origem deve ser afastado, tendo em vista que se trata de situação que atrai a incidência excepcional do Princípio da Insignificância, uma vez que (i) a acusada é primária; (i) o valor dos bens envolvidos (01 carteira e 01 fone de ouvido, avaliados em R$60,00) não ultrapassa o percentual de 10% do salário mínimo vigente ao tempo dos fatos (R$ 954,00 - 2018); e (iii) as circunstâncias do delito, com a restituição dos bens, e a ausência de qualquer ato mais grave configuram a mínima ofensividade e o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento da envolvida. Ante o exposto, com fundamento no art. 932, inciso VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", parte final do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial para absolver a acusada SIMONE GONÇALVES CRUZ do crime de furto, em razão da aplicação do princípio da insignificância. Intimem-se. EMENTA