HC 945758 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo regimental, por entender que a jurisprudência do STJ veda a aplicação do princípio da insignificância diante da reiteração criminosa; ademais, o valor do bem superior a 10% do salário mínimo, a existência de maus antecedentes, a reincidência e o cometimento do delito durante cumprimento de...
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- Parties
- Agravante: RAMON CRISPIM DA ROSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Acórdão
- Outcome
- Agravo regimental desprovido.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Reincidência, Habeas Corpus, Furto
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Parties
RAMON CRISPIM DA ROSA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Acórdão
Legal Issues
- 1 se a reincidência impede a aplicação do princípio da insignificância para excluir a tipicidade material
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo regimental, por entender que a jurisprudência do STJ veda a aplicação do princípio da insignificância diante da reiteração criminosa; ademais, o valor do bem superior a 10% do salário mínimo, a existência de maus antecedentes, a reincidência e o cometimento do delito durante cumprimento de pena afasta a atipicidade material. Não se reconheceu ilegalidade flagrante e o habeas corpus não foi conhecido por substituir recurso especial.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. REINCIDÊNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, impetrado em substituição a recurso especial, visando à absolvição do paciente com base no princípio da insignificância. 2. O paciente foi condenado por furto, com pena redimensionada pelo Tribunal de Justiça para 1 ano, 10 meses e 26 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além de 13 dias-multa. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se a reincidência impede a aplicação do princípio da insignificância para excluir a tipicidade material da conduta. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a reiteração criminosa constitui impeditivo para a aplicação do princípio da insignificância. 5. O valor do bem furtado, superior a 10% do salário mínimo vigente à época, e a presença de maus antecedentes e reincidência, afastam a aplicação do princípio da insignificância. IV. DISPOSITIVO E TESE 6. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "A reiteração criminosa impede a aplicação do princípio da insignificância." Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; Código de Processo Penal, art. 386, III. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 738.224/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 04.12.2023; STJ, AgRg no HC 844.190/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 05.09.2023.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental (fls. 399-396) interposto por RAMON CRISPIM DA ROSA contra a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus (fls. 388-391). Consta dos autos que o paciente foi inicialmente condenado pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Criciúma, na ação penal n. 50038174420248240020, à pena de 1 (um) ano, 9 (nove) meses e 23 (vinte e três) dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 15 (quinze) dias-multa, por infração ao disposto no artigo 155, caput, do Código Penal, por duas vezes (fls. 162-167). Ambas as partes interpuseram apelação criminal ao Tribunal de Justiça, que negou provimento ao recurso defensivo e deu provimento ao da acusação, redimensionando a pena para 1 (um) ano, 10 (dez) meses e 26 (vinte e seis) dias de reclusão e 13 (treze) dias-multa, mantido o regime inicial fechado (fls. 34-35 e 45-51). Na presente impetração, buscava-se a concessão da ordem para reconhecer a atipicidade material da conduta e, consequentemente, a absolvição do paciente. O habeas corpus não foi conhecido (fls. 388-391). No regimental (fls. 399-403), o agravante defende que o princípio da insignificância exclui a tipicidade material. Argumenta-se que a reincidência não constitui óbice ao reconhecimento do princípio da insignificância, pugnando pelo provimento do recurso para absolver o paciente com fundamento no artigo 386, III, do Código de Processo Penal. É o relatório. EMENTA DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. REINCIDÊNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, impetrado em substituição a recurso especial, visando à absolvição do paciente com base no princípio da insignificância. 2. O paciente foi condenado por furto, com pena redimensionada pelo Tribunal de Justiça para 1 ano, 10 meses e 26 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além de 13 dias-multa. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se a reincidência impede a aplicação do princípio da insignificância para excluir a tipicidade material da conduta. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a reiteração criminosa constitui impeditivo para a aplicação do princípio da insignificância. 5. O valor do bem furtado, superior a 10% do salário mínimo vigente à época, e a presença de maus antecedentes e reincidência, afastam a aplicação do princípio da insignificância. IV. DISPOSITIVO E TESE 6. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "A reiteração criminosa impede a aplicação do princípio da insignificância." Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; Código de Processo Penal, art. 386, III. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 738.224/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 04.12.2023; STJ, AgRg no HC 844.190/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 05.09.2023. VOTO O agravante defende que o princípio da insignificância exclui a tipicidade material. Argumenta-se que a reincidência não constitui óbice ao reconhecimento do princípio da insignificância, pugnando pelo provimento do recurso para absolver o paciente com fundamento no artigo 386, III, do Código de Processo Penal. Contudo, o habeas corpus não foi conhecido por funcionar como substituto de recurso especial, em posicionamento alinhado com a jurisprudência o Superior Tribunal de Justiça: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. WRIT NÃO CONHECIDO. CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. DELITOS DE ROUBO EM CONCURSO MATERIAL. CUMULAÇÃO DE CAUSAS DE AUMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. AGRAVO REGIMENTAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DESPROVIDO. 1. Conforme consignado na decisão agravada, o presente habeas corpus não merece ser conhecido, pois foi impetrado em substituição a recurso próprio. Contudo, a existência de flagrante ilegalidade justifica a concessão da ordem de ofício. .. 3. Agravo regimental desprovido" (AgRg no HC n. 738.224/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 12/12/2023). Não obstante o óbice à impetração de habeas corpus em substituição ao recurso especial, não vislumbrei a presença de ilegalidade flagrante, uma vez que o Tribunal de Apelação reconheceu que o bem furtado era superior a 10% do salário mínimo vigente à época, além de reconhecer a presença de maus antecedentes e reincidência, bem como que o delito em questão foi praticado durante o cumprimento de pena. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a reiteração criminosa constitui impeditivo para a aplicação do princípio da insignificância. A esse respeito, cito o seguintes julgado: "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL DO PARQUET FEDERAL EM HABEAS CORPUS. ART. 155, § 4.º, INCISO IV, DO CÓDIGO PENAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. RECONHECIMENTO. EXCEPCIONALIDADE. ACUSADO MULTIRREINCIDENTE. CONCURSO DE AGENTES. VALOR DA RES. MÍNIMA OFENSIVIDADE. REDUZIDO GRAU DE REPROVABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. - A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça firmou-se no sentido de ser incabível a aplicação do princípio da insignificância quando o montante do valor da res furtiva superar o percentual de 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos. Precedentes. - Agravo regimental desprovido" (AgRg no HC n. 844.190/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/9/2023, D Je de 8/9/2023). Portanto, não há coação ilegal ou teratologia que desafie a concessão da ordem de ofício, devendo a decisão monocrática ser mantida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.