HC 954343 - DECISAO
O habeas corpus não merece provimento porque as instâncias ordinárias fundamentaram adequadamente a não aplicação do princípio da insignificância, considerando que o paciente era contumaz/reincidente e que a res furtiva valia R$ 170,00, equivalente a mais de 10% do salário-mínimo à época; ademais, a valoração...
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- Parties
- Paciente: JARBES BORELLY ARAUJO DA SILVA; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios - 3ª Turma Criminal; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido Do Mandamus (art. 34, Xx, Regimento Interno Do Stj)
- Outcome
- Não conheço do presente mandamus
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Furto, Dosimetria Da Pena, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Confissão Extrajudicial
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Parties
JARBES BORELLY ARAUJO DA SILVA
Paciente
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios - 3ª Turma Criminal
Órgão Julgador
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido Do Mandamus (art. 34, Xx, Regimento Interno Do Stj)
Legal Issues
- 1 Incidência do princípio da insignificância no furto
- 2 Readequação da dosimetria da pena
- 3 Fixação do regime inicial de cumprimento da pena
Ratio Decidendi
O habeas corpus não merece provimento porque as instâncias ordinárias fundamentaram adequadamente a não aplicação do princípio da insignificância, considerando que o paciente era contumaz/reincidente e que a res furtiva valia R$ 170,00, equivalente a mais de 10% do salário-mínimo à época; ademais, a valoração negativa da culpabilidade e dos antecedentes, inclusive por crime praticado durante cumprimento de pena, justificou a dosimetria e a fixação do regime semiaberto, não havendo flagrante ilegalidade passível de correção na via estreita do mandamus.
Court Disposition
Não conheço do presente mandamus
Orders
- Pedido liminar indeferido (fl. 363/364)
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Habeas Corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de JARBES BORELLY ARAUJO DA SILVA contra acórdão da 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios no julgamento da apelação criminal n. 0733476-07.2023.8.07.0003, restando o acórdão assim ementado (fl. 273): PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME FURTO AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS. INSIGNIFICÂNCIA. AFASTADA. REITERAÇÃO DELITIVA. DOSIMETRIA. CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL. ATENUANTE RECONHECIDA. REGIME PRISIONAL. SEMIABERTO. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. 1. Demonstrado que o réu é contumaz na prática delitiva e o valor do bem ultrapassa 10% (dez por cento) do salário-mínimo, inviável o reconhecimento da atipicidade material da conduta pela aplicação do princípio da insignificância. 2. A palavra dos agentes públicos, quando atuam no desempenho de suas funções, possui presunção de veracidade, sobretudo se estiver em harmonia com os demais elementos de prova produzidos no processo. 3. A atenuante da confissão espontânea deve ser reconhecida, ainda que tenha sido parcial ou qualificada, seja ela judicial ou extrajudicial, e mesmo que o réu venha a dela se retratar, quando a manifestação for utilizada para formação do convencimento do julgador. 4. Em caso de pena abaixo de 4 (quatro) anos de reclusão, é adequada a fixação do regime prisional semiaberto, em razão da reincidência, nos termos do artigo 33, § 2º e § 3º, do Código Penal. 5. Recurso conhecido parcialmente provido. No presente writ, entende a defesa que o decreto condenatório não se mostra razoável, afigurando-se, de rigor, a aplicação do princípio da insignificância. Subsidiariamente, requereu a modificação da penal corporal imposta, bem como estabelecimento do regime aberto. O pedido liminar foi indeferido (fl. 363/364). O Ministério Público Federal opinou pela concessão da ordem (fls. 376/380). É o relatório. Decido. Como relatado, a principal controvérsia apresentada pela defesa cinge-se em definir a incidência, na espécie, do princípio da insignificância. A sentença de primeiro grau afastou a aplicação do aludido princípio, consoante se depreende do excerto que segue (fl. 213): " .. Defesa requer que seja aplicado o princípio da insignificância. Para tanto, devem estar presentes, cumulativamente, as seguintes condições objetivas: a) mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente; e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. Na hipótese, verifica-se que o valor do bem representa mais de 10% do valor do salário-mínimo vigente ao tempo dos fatos. Trata-se também de acusado reincidente, que estava em cumprimento de pena (FAP de id. 188451959). Portanto, não se revela insignificante. A decisão de primeiro grau foi corroborada pelo acórdão de (fl. 277/278): O princípio da insignificância não encontra respaldo legal, tratando-se de construção doutrinária que, posteriormente, foi melhor delineada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme assentado pela jurisprudência da Suprema Corte, a aplicação do referido princípio depende dos seguintes vetores cumulativos: a) a mínima ofensividade da conduta do agente, b) a ausência de periculosidade social da ação, c) o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. Trata-se de réu que possui contumácia na prática delitiva, ostentando reincidência (FAP ID 59778009, fl.5) afastando o vetor do reduzido grau de reprovabilidade de seu comportamento. Para fins de aplicação do princípio da insignificância, não basta avaliar somente o valor do bem, mas também a lesão jurídica e a periculosidade do agente, especialmente para perquirir se trata-se ou não de criminoso habitual. Nesse sentido, vale trazer à colação a ponderação feita pelo douto Ministro Carlos Ayres Britto no Habeas Corpus 84.424/SP: " .. Se interpretássemos o tipo penal do furto por meio do princípio da insignificância para excluir a incriminação em caso de objeto material de baixo valor, seja quanto ao patrimônio da vítima, seja em face de um parâmetro genérico e abstrato como o salário-mínimo, poderíamos chegar a situações absurdas como a exclusão do crime quando a vítima fosse um milionário e o bem furtado não lhe diminuísse sensivelmente o patrimônio. .. o critério para utilização da insignificância não deve ser exclusivamente a relação entre o objeto material do delito e o patrimônio da vítima no caso concreto, sob pena de chegarmos a interpretações teratológicas. .. " (Informativo nº 373 do STF). Desta forma, ausente vetor estabelecido pelo STF, não é possível afastar a tipicidade material da conduta do apelante, conforme requerido pela Defesa. .. Ademais, conforme o Laudo de perícia criminal (ID 59777981) o bem possui o valor de R$ 170,00 (cento e setenta reais), ou seja, maior que 10% do salário-mínimo vigente no país, o que impede o reconhecimento do princípio da insignificância". No presente writ entendo que as razões apresentadas pela defesa não merecem prosperar. Da leitura das fundamentações colacionadas nota-se que, ao tempo da prática do delito, o paciente cumpria pena em outro processo, assim como que o valor da res furtiva equivalia, à época, a 13% do salário mínimo nacional vigente. Nestas condições, denota-se que o decisum guerreado está amparado na pacífica jurisprudência deste Tribunal, segundo a qual não se aplica o princípio invocado quando o agente ostentar maus antecedentes e o valor da res furtiva for superior a 10% do salário mínimo nacional vigente. De outro enfoque, a circunstância da reincidência igualmente labora em seu desfavor. Confira-se: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. REITERAÇÃO DELITIVA. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo em recurso especial para negar-lhe provimento, mantendo a condenação do agravante à pena de um ano de reclusão, em regime semiaberto, pelo crime de furto. 2. O agravante busca a aplicação do princípio da insignificância, alegando que a conduta se limitou ao furto de itens de pequeno valor, totalizando R$ 52,67, e que a reincidência não deveria afastar a atipicidade do crime. II. Questão em discussão3. A questão em discussão consiste em saber se a reincidência e a habitualidade delitiva do agravante impedem a aplicação do princípio da insignificância, mesmo diante do pequeno valor dos bens furtados. III. Razões de decidir4. A aplicação do princípio da insignificância exige a presença cumulativa de condições objetivas, como mínima ofensividade da conduta e inexpressividade da lesão jurídica, o que não se verifica no caso devido à reincidência do agravante. 5. A habitualidade delitiva do agravante em crimes patrimoniais demonstra a reprovabilidade de seu comportamento, afastando a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância. 6. A mera repetição de argumentos já analisados em decisão monocrática viola o princípio da dialeticidade, incidindo o óbice da Súmula n. 182 do STJ. IV. Dispositivo e tese7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A reincidência e a habitualidade delitiva impedem a aplicação do princípio da insignificância. 2. A repetição de argumentos já analisados em decisão monocrática viola o princípio da dialeticidade, incidindo o óbice da Súmula n. 182 do STJ". Dispositivos relevantes citados: CP, art. 155; CP, art. 61, I; CF/1988, art. 105, III, "a".Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 926.575/DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 07.10.2024; STJ, AgRg no RHC 202.290/GO, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 17.09.2024; STJ, AgRg no HC 835.749/RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16.09.2024. (AgRg no AREsp n. 2.612.861/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 26/11/2024, DJe de 9/12/2024.). PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ABSOLVIÇÃO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFOCÂNCIA. 1. O habeas corpus não se presta para a apreciação de alegações que buscam a absolvição do paciente, em virtude da necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é inviável na via eleita. 2. O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que não se aplica o princípio da insignificância ao delito de furto, quando, apesar do pequeno valor da res furtiva, as condições pessoais e as circunstâncias do caso concreto se mostram desfavoráveis. De fato, a prática de furto majorado e a recidiva específica do agente, além do fato dele responder a outro processo-crime pela prática de crime contra o patrimônio, indicativos da habitualidade delitiva, inviabilizam a incidência do princípio da insignificância. Precedentes. 3. A jurisprudência desta Corte Superior reconhece que o princípio da insignificância não tem aplicabilidade nos casos em que o furto é cometido durante o repouso noturno e, ainda, quando o agente é reincidente na prática delitiva, salvo, excepcionalmente, quando as instâncias ordinárias entenderem ser tal medida recomendável diante de circunstâncias concretas, o que não ocorre no caso dos autos. 4. O simples fato de o bem haver sido restituído à vítima, não constitui, por si só, razão suficiente para a aplicação do princípio da insignificância. 5. Agravo desprovido. (AgRg no HC n. 873.940/ES, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024). (Grifos nossos) Em relação à readequação da dosimetria da pena, aventada pelo paciente às fls. 29/30, igualmente razão não lhe assiste. Sob esse enfoque, é assente o entendimento jurisprudencial no sentido de que se o delito for praticado durante o cumprimento de pena por crime anterior, tal como ocorre no caso em apreço, a reprovabilidade da conduta do agente aumenta, impondo-se, por conseguinte, a valoração negativa de sua culpabilidade. Nestas condições, indubitável se mostra que o decisum objurgado está em consonância com a jurisprudência desta Corte. Anote-se: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO. DOSIMETRIA DA PENA. CULPABILIDADE, MAUS ANTECEDENTES, CIRCUNSTÂNCIAS E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. VALORAÇÃO NEGATIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. PROPORCIONALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo, impetrado em favor de condenados pela prática de furto qualificado (art. 155, §4º, III e IV, do Código Penal). Os agravantes alegam ilegalidade na dosimetria das penas, apontando a ausência de fundamentação válida e a desproporcionalidade no aumento da pena-base em razão da valoração negativa da culpabilidade, antecedentes e consequências do crime. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) se há ilegalidade na valoração negativa de circunstâncias judiciais na primeira fase da dosimetria; e (ii) se a dosimetria da pena aplicada aos agravantes é desproporcional. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A revisão da dosimetria em sede de "habeas corpus" "é possível somente em situações excepcionais, de manifesta ilegalidade ou abuso de poder reconhecíveis de plano, sem maiores incursões em aspectos circunstanciais ou fáticos e probatórios" (HC n. 304.083/PR, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, DJe 12/3/2015). 4. A jurisprudência admite a valoração negativa da culpabilidade quando o delito é praticado durante o cumprimento de pena anterior, evidenciando maior reprovabilidade da conduta. 5. A utilização de condenações anteriores, com penas não extintas ou extintas há menos de 10 anos, para valorar negativamente os antecedentes, é compatível com a jurisprudência desta Corte. 6. A valoração negativa das consequências do crime é justificada pelo elevado prejuízo financeiro causado à vítima, de aproximadamente R$ 300.000,00. 7. A jurisprudência desta Corte reconhece a legalidade da utilização de uma qualificadora para exasperar a pena-base quando há pluralidade de qualificadoras. 8. A fixação da pena-base em 3 anos, 7 meses e 18 dias de reclusão para ambos os réus não se revela desproporcional, considerando-se a presença de quatro circunstâncias judiciais desfavoráveis e o intervalo entre as penas mínima e máxima previstas para o crime de furto qualificado. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no HC n. 923.421/SC, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 30/10/2024, DJe de 5/11/2024.). (Grifos nossos) Por fim, no que diz respeito ao regime de cumprimento de pena (fls. 31/46), entendo que, de igual forma, os argumentos da defesa não merecem prosperar. Isso porque o regime mais gravoso foi fixado com base na existência de circunstâncias judiciais negativas, de modo que o fundamento da decisão está ancorado na pacífica jurisprudência deste Tribunal. A título de argumentação, confira-se os seguintes julgados: DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO. DOSIMETRIA. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. MAUS ANTECEDENTES, CULPABILIDADE E CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. ORDEM NÃO CONHECIDA. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus impetrado em substituição a recurso próprio, visando a alteração do regime prisional de semiaberto para aberto, alegando constrangimento ilegal. 2. O paciente foi condenado por furto qualificado, com pena redimensionada em apelação para 2 anos e 8 meses de reclusão em regime semiaberto. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se é cabível o habeas corpus como substitutivo de recurso próprio para alterar o regime prisional, diante de alegado constrangimento ilegal. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. O habeas corpus não é cabível como substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 5. Não se verifica flagrante ilegalidade ou constrangimento ilegal que justifique a concessão da ordem de ofício. 6. No caso, a existência de circunstâncias judiciais negativas (culpabilidade, maus antecedentes e circunstâncias do crime) permitem a fixação de regime inicial mais gravoso, consoante a jurisprudência desta Corte. IV. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO (HC n. 836.284/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 5/11/2024, DJe de 11/11/2024.). AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CRIMES DE FURTO E FALSA IDENTIDADE. NÃO APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. HABITUALIDADE DELITIVA. TIPICIDADE DA CONDUTA. TEMA REPETITIVO N. 646 DO STJ. MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. CONFISSÃO NÃO RECONHECIDA. FRAÇÃO DA TENTATIVA. ITER CRIMINIS PERCORRIDO. REVISÃO DE FATOS E PROVAS. REGIME INICIAL SEMIABERTO MANTIDO. DETRAÇÃO PENAL. DISCUSSÃO IRRELEVANTE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A habitualidade delitiva, representada pelos maus antecedentes e pela reincidência, tem sido compreendida como obstáculo inicial à tese da aplicação do princípio da insignificância, ressalvada excepcional peculiaridade do caso penal. 2. "É típica a conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial, ainda que em situação de alegada autodefesa (art. 307 do CP)" (Tema repetitivo n. 646 do STJ). 3. O Tribunal de origem indicou expressamente os feitos criminais caracterizadores dos maus antecedentes, bem como aqueles relacionados ao reconhecimento da reincidência, possibilitando assim constatar inexistir identidade entre os mesmos, pelo que não há se falar em ocorrência de bis in idem. 4. Não há se falar em ilegalidade flagrante quanto ao não reconhecimento da confissão, pois, como bem concluiu o Tribunal de origem, não consta que tenha o paciente admitido a prática do ato delituoso. 5. A instância ordinária concluiu, fundamentadamente, pela redução em 1/2, uma vez que houve significativo esgotamento do iter criminis pelo agente, apenas não se consumando o delito por circunstâncias alheias à sua vontade. 6. "A inversão do julgado, de forma a verificar se deve ser aplicada a fração máxima do redutor pela tentativa, implicaria profunda análise do arcabouço fático-probatório, o que é defeso na via estreita do habeas corpus". (HC n. 456.927/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 12/3/2019, DJe 28/3/2019.) 7. Considerando-se que as penas aplicadas para os dois delitos são inferiores a 4 anos, e diante da existência de maus antecedentes e da reincidência, não há falar em fixação do regime inicial aberto. Jurisprudência do STJ. 8. "No caso dos autos, mostra-se irrelevante a discussão acerca do tempo de prisão provisória, nos moldes do art. 387, § 2º, do Código de Processo Penal, para fins de escolha do regime inicial de cumprimento da pena. Isso porque, ainda que descontado o período de prisão cautelar, não haveria alteração do regime inicial fixado na condenação, pois o agravamento do regime está baseado na existência de circunstância judicial desfavorável - maus antecedentes - e na reincidência do acusado, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal" (AgRg no AREsp n. 2.192.322/PR, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/2/2023, DJe de 27/2/2023.) 9. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 827.848/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 15/12/2023). (Grifos nossos) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do presente mandamus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA