AREsp 2522518 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça conheceu do agravo regimental e deu provimento ao recurso especial, aplicando o princípio da insignificância ao furto de baixo valor (R$30,55), reconhecendo a atipicidade material da conduta e absolvendo a recorrente com fundamento no art. 386, III, do CPP, afastando a fundamentação do...
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- Parties
- Recorrente/agravante: ISABEL LORRAYNE RIBEIRO FERNANDES; Manifestante: Ministério Público Federal; Vítima: Natan Macedo da Costa; Menor Corrompida: Vanessa Kevellen Alves da Silva
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 February 2025
- Procedural Posture
- Criminal / Agravo Regimental (recurso Especial) Perante O STJ Decisão De Provimento Que Absolveu a Recorrente
- Outcome
- Agravo regimental conhecido e provido; recurso especial provido; absolvição da recorrente com fundamento no art. 386, III, do CPP.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Atipicidade Material, Furto Simples, Corrupção De Menores (art.244 B, Eca), Arrependimento Posterior (art.16 Cp), Reincidência/contumácia, Art.386, III, CPP, Inadmissão De Recurso Especial, Súmulas Do STJ (súmulas 83, 7, 182, 522)
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Parties
ISABEL LORRAYNE RIBEIRO FERNANDES
Recorrente/agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Natan Macedo da Costa
Vítima
Vanessa Kevellen Alves da Silva
Menor Corrompida
Procedural Posture
Criminal / Agravo Regimental (recurso Especial) Perante O STJ Decisão De Provimento Que Absolveu a Recorrente
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da insignificância ao furto de baixo valor
- 2 Requisitos para reconhecimento da atipicidade material
- 3 Efeito da reincidência/contumácia sobre a possibilidade de aplicar a insignificância
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça conheceu do agravo regimental e deu provimento ao recurso especial, aplicando o princípio da insignificância ao furto de baixo valor (R$30,55), reconhecendo a atipicidade material da conduta e absolvendo a recorrente com fundamento no art. 386, III, do CPP, afastando a fundamentação do tribunal a quo relativa à impossibilidade de acolhimento em virtude da reincidência/contumácia.
Court Disposition
Agravo regimental conhecido e provido; recurso especial provido; absolvição da recorrente com fundamento no art. 386, III, do CPP.
Orders
- Absolver a agravante com base no art. 386, III, do Código de Processo Penal
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Aproveito o bem lançado relatório do representante do Ministério Público Federal (e-STJ fls. 381/382): O Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, por sua 1ª Câmara Criminal, negou provimento ao recurso de apelação interposto pela defesa, mantendo a condenação de ISABEL LORRAYNE RIBEIRO FERNANDES à pena de 3 (três) anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, além da multa, pela prática dos delitos de furto simples e corrupção de menores (art. 155, caput, do Código Penal, e art. 244-B da Lei nº 8.069/90), porquanto, em 02/05/2022, "subtraiu para si e para outrem, coisas alheias móveis, sendo (01) um SPRAY PASSA JÁ e 01 (uma) caixa de sabão em pó, ambos os produtos avaliados em R$ 30,55 (trinta reais e cinquenta e cinco centavos), do supermercado "Gira Rápido" pertencente a vítima Natan Macedo da Costa" e "corrompeu a menor Vanessa Kevellen Alves da Silva, com ela praticando infração penal" (e-STJ fls. 3/4). Irresignada, a defesa de ISABEL LORRAYNE RIBEIRO FERNANDES interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, pleiteando o provimento do recurso para "absolver a recorrente da conduta tipificada no artigo 155, "caput" do Código Penal, tendo em vista que verifica-se no caso concreto todos os requisitos para a aplicação do princípio da insignificância, não havendo óbice para o seu afastamento, com fulcro no artigo 386, incisos III do Código de Processo Penal" (e-STJ fl. 292). Subsidiariamente, para "reconhecer a incidência do instituto do Arrependimento Posterior e aplicar a causa de diminuição de pena em seu grau máximo, conforme art. 16 do CP" (e-STJ fl. 293). O recurso especial foi inadmitido pela aplicação das Súmulas 83 e 7, ambas do STJ (e-STJ fls. 309/312). Daí que, após o não conhecimento do agravo pelo Ministro Presidente dessa E. Corte Superior pela aplicação da Súmula 182/STJ, a defesa de ISABEL LORRAYNE RIBEIRO FERNANDES interpôs o presente agravo regimental alegando que "ao contrário do julgado na decisão em combate, verifica-se a devida realização de impugnação efetiva, concreta e pormenorizada a todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal a quo para inadmitir o Recurso Especial" (e-STJ fl. 358). É a síntese do necessário. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo provimento do recurso (e-STJ fls. 380/388). É o relatório. Decido. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do agravo. A tese apresentada ao Superior Tribunal de Justiça associa-se estreitamente ao princípio da intervenção mínima, segundo o qual o Direito Penal somente deve ser aplicado quando estritamente necessário no combate a comportamentos indesejados, mantendo-se subsidiário e fragmentário. Nesse contexto, trouxe-nos a doutrina o princípio da insignificância, propondo que se excluam do âmbito de incidência do Direito Penal situações em que a ofensa concretamente perpetrada seja de pouca importância, noutras palavras, incapaz de atingir materialmente e de modo intolerável o bem jurídico protegido. A propósito do tema, Carlos Vico Ma as anuncia que "o princípio da insignificância surge como instrumento de interpretação restritiva do tipo penal que, de acordo com a dogmática moderna, não deve ser considerado apenas em seu aspecto formal, de subsunção do fato à norma, mas, primordialmente, em seu conteúdo material, de cunho valorativo, no sentido da sua efetiva lesividade ao bem jurídico tutelado pela norma penal, o que consagra o postulado da fragmentariedade do direito penal". Esclarece, outrossim, que o princípio em análise baseia-se "na concepção material do tipo penal, por meio da qual é possível alcançar, pela via judicial e sem macular a segurança jurídica do pensamento sistemático, a proposição político-criminal da necessidade de descriminalização de condutas que, embora formalmente típicas, não atingem de forma socialmente relevante os bens jurídicos protegidos pelo Direito Penal" (O Princípio da Insignificância como Excludente da Tipicidade no Direito Penal. 1. ed. São Paulo: Saraiva, p. 56/81). Entretanto, a aplicação do mencionado postulado não é irrestrita, sendo imperiosa, na análise do relevo material da conduta, a presença de certos vetores, tais como: (a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a ausência de periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. No mesmo sentido: HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO SUBSTITUTIVA DE RECURSO ESPECIAL. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. FURTO TENTADO. PAR DE CHINELOS (R$ 20, 00). REINCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. FLAGRANTE ILEGALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ORDEM DE OFÍCIO. .. 2. Consoante entendimento jurisprudencial, o "princípio da insignificância - que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentaridade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal - tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada na perspectiva de seu caráter material. (..) Tal postulado - que considera necessária, na aferição do relevo material da tipicidade penal, a presença de certos vetores, tais como (a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada - apoiou-se, em seu processo de formulação teórica, no reconhecimento de que o caráter subsidiário do sistema penal reclama e impõe, em função dos próprios objetivos por ele visados, a intervenção mínima do Poder Público." (HC nº 84.412-0/SP, STF, Min. Celso de Mello, DJU 19.11.2004) .. 4. Habeas corpus não conhecido. Concedida a ordem, de ofício, aplicado o princípio da insignificância, para trancar a ação penal, por atipicidade da conduta. (HC 360.863/SP, relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 30/06/2016, DJe 01/08/2016, grifei.) Na espécie, o Tribunal a quo se manifestou sobre o tema nos seguintes termos (e-STJ fls. 261/264): No caso em apreço, pelo que denota dos autos, a apelada é contumaz na prática de delitos, inclusive contra o patrimônio, conforme se pode observar através da certidão de antecedentes criminais juntada no evento 15 da ação penal originária, havendo, inclusive, execução penal em seu desfavor (SEEU nº 0011893-16.2018.8.27.2722). Logo, a reiteração no cometimento de infrações penais é fator que denota maior reprovabilidade na conduta imputada à apelante, o que também constitui óbice ao acolhimento da tese de atipicidade material, visto que a adoção de entendimento contrário acabaria por reforçar o sentimento de impunidade, estimulando a delinquência e gerando intranquilidade à população. .. Nesse contexto, a conduta da acusada não deve ser tida como penalmente irrelevante, mas comportamento altamente reprovável a ser combatido pelo Direito Penal, tornando impossível o afastamento da tipicidade material pelo princípio da insignificância. No caso específico dos autos, parece-me inequívoco o reduzido grau de reprovabilidade e a mínima ofensividade da conduta, tendo em vista que se trata de furto simples de "(01) um SPRAY PASSA JÁ e 01 (uma) caixa de sabão em pó, ambos os produtos avaliados em R$30,55 (trinta reais e cinquenta e cinco centavos), do supermercado "Gira Rápido" pertencente a vítima Natan Macedo da Costa" (e-STJ fls. 3/4), não podendo ser desprezado o fato de eles terem sido destituídos integralmente e de o delito ter sido praticado sem violência ou grave ameaça. Em casos análogos, esta Corte assim se pronunciou: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO TENTADO. ALIMENTO E PRODUTOS DE HIGIENE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. BENS AVALIADOS EM R$ 107,28. BAIXO VALOR. RESTITUIÇÃO À VÍTIMA. ANTERIOR CONDENAÇÃO. PRECEDENTES DO STJ. ART. 307 DO CP. FALSA IDENTIDADE PERANTE AUTORIDADE POLICIAL. TIPICIDADE DA CONDUTA. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. SÚMULA 522/STJ. DEMONSTRAÇÃO DE VANTAGEM. IRRELEVÂNCIA. CRIME FORMAL. 1. Sedimentou-se a orientação jurisprudencial no sentido de que a incidência do princípio da insignificância pressupõe a concomitância de quatro vetores: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. 2. A despeito da vivência delitiva dos pacientes, o pequeno valor da res furtiva (R$ 107,28, correspondendo a 11,45% do salário mínimo então vigente), aliado ao fato que se tratava de alimentos e produtos de higiene pessoal subtraídos de um supermercado, permite a incidência do princípio da insignificância, pois nenhum interesse social existe na onerosa intervenção estatal. 3. O Supremo Tribunal Federal - ao julgar a repercussão geral no RE n. 640.139/DF, DJe 14/10/2011 - reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria controvertida, no sentido de que o princípio constitucional da autodefesa (art. 5º, LXIII, da CF) não alcança aquele que se atribui falsa identidade perante autoridade policial com o intento de ocultar maus antecedentes, sendo, portanto, típica a conduta praticada pelo agente (art. 307 do CP) (REsp 1362524/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2013, DJe 02/05/2014). 4. Habeas corpus parcialmente concedido para reconhecer a atipicidade da conduta de furto qualificado tentado, pela aplicação do princípio da insignificância. (HC 469.177/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 27/11/2018, DJe 24/4/2019, grifei.) HABEAS CORPUS. RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. TEMAS SUPERADOS. FURTO QUALIFICADO POR CONCURSO DE PESSOAS CONTRA ESTABELECIMENTO COMERCIAL. VALOR ÍNFIMO PARA A VÍTIMA. INSIGNIFICÂNCIA NO CONTEXTO DE CRIME FAMÉLICO. PROSSEGUIMENTO DA PERSECUÇÃO PENAL. IMPOSSIBILIDADE, SEJA PELA ATIPICIDADE MATERIAL, SEJA PELA INCIDÊNCIA DA CAUSA DE JUSTIFICAÇÃO ESTADO DE NECESSIDADE. WRIT NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. .. 4. No caso, os pacientes subtrairam alimentos, bens avaliados em R$ 101,48, não havendo prejuízo material para a vítima, tendo em vista que os bens foram restituídos à empresa Hipermercados Extra. Reconhece-se, então, o caráter bagatelar do comportamento imputado, não havendo falar em afetação do bem jurídico patrimônio, em especial pelo ínfimo valor dos bens. Flagrante ilegalidade. 5. Writ não conhecido. Ordem concedida, ex officio, aplicado o princípio da insignificância, para, reconhecendo a atipicidade material da conduta, trancar a ação penal. (HC 400.041/SP, relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 26/6/2018, DJe 2/8/2018.) HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DESCABIMENTO. FURTO TENTADO. DOIS PACOTES DE MACARRÃO CONGELADO E UM PACOTE DE ACHOCOLATADO. VALOR DA RES FURTIVA (R$ 118,00) SUPERIOR A 10% (DEZ POR CENTO) DO SALÁRIO MÍNIMO (2016 - R$ 880,00). AUSÊNCIA DE LESÃO AO BEM JURÍDICO TUTELADO E NATUREZA ALIMENTAR DA RES FURTIVA. EXCEPCIONALIDADE DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. O Superior Tribunal de Justiça, seguindo entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, passou a não admitir o conhecimento de habeas corpus substitutivo de recurso previsto para a espécie. No entanto, deve-se analisar o pedido formulado na inicial, tendo em vista a possibilidade de se conceder a ordem de ofício, em razão da existência de eventual coação ilegal. 2. O princípio da insignificância deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade penal, observando-se a presença de certos vetores, como (a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada (HC 98.152/MG, Rel. Ministro CELSO DE MELLO, Segunda Turma, DJe 5/6/2009). 3. Nesse contexto, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça adotou como parâmetro para a aplicação do princípio da insignificância quando o montante do valor da res furtiva não superar o percentual de 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos. 4. No presente caso, embora o valor do bem que se tentou subtrair (R$ 118,00) ultrapasse, um pouco, 10% (dez por cento) do salário mínimo vigente à época da prática delitiva (2016 - R$ 880,00), os bens foram todos devolvidos à vítima (Supermercado), ou seja, inexistiu prejuízo patrimonial, bem como os bens objeto da conduta possuem natureza alimentar (2 pacotes de macarrão congelado e 1 pacote de achocolatado), o que justifica o tratamento excepcional. 5. Habeas Corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício para trancar a ação penal. (HC 383.597/RJ, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 7/3/2017, DJe 10/3/2017.) Ademais, o Pleno do Supremo Tribunal Federal já decidiu que a reiteração delitiva, por si só, não impede a aplicação do princípio da insignificância. Confira-se: PENAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. CRIME DE FURTO SIMPLES. REINCIDÊNCIA. 1. A aplicação do princípio da insignificância envolve um juízo amplo ( conglobante ), que vai além da simples aferição do resultado material da conduta, abrangendo também a reincidência ou contumácia do agente, elementos que, embora não determinantes, devem ser considerados. 2. Por maioria, foram também acolhidas as seguintes teses: (i) a reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto; e (ii) na hipótese de o juiz da causa considerar penal ou socialmente indesejável a aplicação do princípio da insignificância por furto, em situações em que tal enquadramento seja cogitável, eventual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada, como regra geral, em regime inicial aberto, paralisando-se a incidência do art. 33, § 2º, c, do CP no caso concreto, com base no princípio da proporcionalidade. .. (HC 123108, relator(a): Ministro ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 03/08/2015, DJe-01/02/2016, grifei.) À vista do exposto, reconsidero a decisão agravada, conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para absolver a agravante, com base no art. 386, III, do CPP. Publique-se. Intimem-se. EMENTA