HC 979238 - DECISAO
Não se verificou ilegalidade manifesta no acórdão impugnado; o entendimento do TJSP está em consonância com a jurisprudência do STJ porque há contumácia na prática de crimes patrimoniais e reincidência do paciente, além da ausência de laudo de avaliação sobre o valor dos bens, razão pela qual o princípio da...
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- Parties
- Paciente: SAMUEL TEODOLINO DA SILVA; Órgão Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Liminar indeferida.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Furto, Reincidência, Confissão Espontânea, Tentativa, Habeas Corpus Substitutivo
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Parties
SAMUEL TEODOLINO DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da insignificância
- 2 Efeito da reincidência sobre a bagatela
- 3 Necessidade de laudo de avaliação para aferir o valor da res furtiva
Ratio Decidendi
Não se verificou ilegalidade manifesta no acórdão impugnado; o entendimento do TJSP está em consonância com a jurisprudência do STJ porque há contumácia na prática de crimes patrimoniais e reincidência do paciente, além da ausência de laudo de avaliação sobre o valor dos bens, razão pela qual o princípio da insignificância não foi aplicado; ademais, não cabe habeas corpus substitutivo de recurso próprio sem demonstração de teratologia.
Court Disposition
Liminar indeferida.
Orders
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de SAMUEL TEODOLINO DA SILVA em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: DIREITO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. FURTO TENTADO. PARCIAL PROVIMENTO. I. Caso em Exame 1. Apelante condenado por tentativa de furto à pena de 10 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, mais 8 dias-multa. Recurso busca absolvição por atipicidade material ou abrandamento das penas. II. Questão em Discussão 2. A questão em discussão consiste em (i) aplicação do princípio da insignificância, (ii) compensação entre a confissão espontânea e a reincidência, e (iii) aplicação da fração máxima de redução pela tentativa. III. Razões de Decidir 3. Princípio da insignificância inaplicável devido à reincidência do apelante em crimes patrimoniais. 4. Compensação integral entre a agravante da reincidência e a atenuante da confissão espontânea, conforme jurisprudência do STJ. 5. Redução da pena pela tentativa não merece reparo, considerando o "iter criminis" percorrido, com parte da res furtiva já em poder do réu. IV. Dispositivo e Tese 5. Recurso parcialmente provido para reduzir a pena para 8 meses de reclusão e 6 dias-multa, mantido o regime inicial semiaberto. Tese de julgamento: 1. Reincidência impede aplicação do princípio da insignificância. 2. Compensação entre confissão espontânea e reincidência é cabível. 3. Redução máxima pela tentativa não aplicável devido ao "iter criminis". Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 08 (oito) meses de reclusão e multa, no regime semiaberto, pela prática do crime previsto no art. 155, § 4º, I c/c art. 14, II, ambos do Código Penal. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto deixou de ser reconhecida a atipicidade material da conduta em razão do princípio da insignificância, mesmo estando presentes os requisitos para a sua aplicação. Aduz, ainda, que a reincidência não poderia obstar a aplicação de referida benesse. Requer, em suma, a absolvição do paciente. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação para afastar a aplicação do princípio da insignificância: Não há falar em insignificância. O valor, embora pequeno, não é único critério para aferição, havendo necessidade de análise da situação do acusado, ao que consta, useiro na prática de infrações contra o patrimônio, reincidente, o que afasta a bagatela. .. Ademais, há norma expressa derivada da tipificação do furto, com determinação legislativa para consideração do pequeno valor da "res", caso seja o acusado primário, com redução de pena, ao contrário de atipicidade (fls. 13-15). Segundo entendimento firmado pela Terceira Seção do STJ a aplicação do princípio da insignificância exige o preenchimento de quatro condições, a saber: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) a ausência de periculosidade social na ação; c) o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e; d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. Por outro lado, segundo a jurisprudência firmada nesta Corte, o princípio da bagatela pode ser afastado quando: a) o valor da res furtiva for superior a 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos, independentemente da condição financeira da vítima; b) houver reiteração ou habitualidade no cometimento de crimes de natureza patrimonial ou maus antecedentes criminais por crimes de outra natureza, podendo ser consideradas ações penais em curso para caracterizar a habitualidade delitiva; e c) o crime for de furto qualificado. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: AgRg no HC n. 926.575/DF, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 10.10.2024; AgRg no HC n. 882.046/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 3.10.2024; AgRg no HC n. 925.508/MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 25.9.2024; AgRg no HC n. 933.248/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 24.9.2024; AgRg no HC n. 925.164/DF, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 20.9.2024; AgRg no HC n. 835.749/RJ, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 18.9.2024; AgRg no HC n. 924.446/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 12.9.2024; AgRg no HC n. 921.477/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 5.9.2024; AgRg no HC n. 918.551/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 5.9.2024; AgRg no RHC n. 179.378/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 4.9.2024; AgRg no HC n. 867.178/SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 27.8.2024; AgRg no HC n. 881.822/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no RHC n. 185.973/PR, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 18.4.2024; AgRg no HC n. 811.161/SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 23.8.2023; AgRg no AREsp n. 2.258.620/RS, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 15/12/2023; AgRg no HC n. 744.150/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 9.3.2023. Além disso, segundo entendimento sedimentado no julgamento do Tema Repetitivo n. 1.205, "a restituição imediata e integral do bem furtado não constitui, por si só, motivo suficiente para a incidência do princípio da insignificância". Por fim, inexistente laudo de avaliação, torna-se impossível verificar se os bens furtados eram de pequena monta, requisito indispensável para a aferição da expressividade ou não da lesão jurídica provocada e, consequentemente, para a aplicação do princípio da insignificância (AgRg no HC n. 899.516/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 10.6.2024; AgRg no HC n. 924.446/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 12.9.2024). Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência do STJ, no tocante à aplicação do princípio da insignificância, porque foi demonstrada a contumácia na prática de crimes patrimoniais e o paciente é reincidente em crimes patrimoniais. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA