AREsp 2588301 - ACORDAO
Nega-se provimento ao agravo regimental porque a reincidência do agravante em crimes patrimoniais, aliada à prática do furto em concurso de pessoas e com rompimento de obstáculo, demonstra elevado grau de reprovabilidade que impede a aplicação do princípio da insignificância, mesmo tratando-se de valor de pequena...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ERIKA DE OLIVEIRA CESARIO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Acórdão
- Outcome
- Nego provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Reincidência Em Crimes Patrimoniais, Furto, Furto Qualificado, Concurso De Pessoas, Rompimento De Obstáculo
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ERIKA DE OLIVEIRA CESARIO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Acórdão
Legal Issues
- 1 É possível a aplicação do princípio da insignificância em caso de furto de pequeno valor quando o agente é reincidente em crimes patrimoniais e o crime é praticado em sua forma qualificada?
Ratio Decidendi
Nega-se provimento ao agravo regimental porque a reincidência do agravante em crimes patrimoniais, aliada à prática do furto em concurso de pessoas e com rompimento de obstáculo, demonstra elevado grau de reprovabilidade que impede a aplicação do princípio da insignificância, mesmo tratando-se de valor de pequena monta (R$ 40,00).
Court Disposition
Nego provimento ao agravo regimental
Orders
- Nego provimento ao agravo regimental.
- Manutenção da decisão monocrática que não conheceu do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA Direito penal. Agravo regimental. Princípio da insignificância. Reincidência. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do recurso especial, aplicando a Súmula n. 83 do STJ, em razão da reincidência do agravante em crimes patrimoniais, o que impede a aplicação do princípio da insignificância. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se é possível a aplicação do princípio da insignificância em caso de furto de pequeno valor, quando o agente é reincidente em crimes da mesma natureza e o crime é praticado em sua forma qualificada. III. Razões de decidir 3. A reincidência do agravante em crimes patrimoniais impede a aplicação do princípio da insignificância, mesmo que o valor furtado seja de pequena monta. 4. A conduta do agravante, cometida em concurso de pessoas e com rompimento de obstáculo, demonstra elevado grau de reprovabilidade, reforçando a impossibilidade de aplicação do princípio da insignificância. 5. A parte agravante não apresentou argumentos novos capazes de infirmar a decisão agravada, limitando-se a reiterar alegações já rebatidas. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo não provido. Tese de julgamento: "1. A reincidência em crimes patrimoniais impede a aplicação do princípio da insignificância. 2. A prática de furto em concurso de pessoas e com rompimento de obstáculo demonstra elevado grau de reprovabilidade, inviabilizando a aplicação do princípio da insignificância". Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 258; RISTJ, art. 21-E, § 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 956.409/SC, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, j. 05.03.2025; STJ, AgRg no HC 902.787/MG, Rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, j. 26.02.2025; STJ, AgRg no HC 962.257/BA, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, j. 26.02.2025.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por ERIKA DE OLIVEIRA CESARIO contra decisão monocrática que conheceu do agravo, para não conhecer do recurso especial, pela aplicação da Súmula n. 83 do STJ (fls. 805-807). O agravo regimental da defesa requer a aplicação do princípio da insignificância, para absolver o agravante em razão da atipicidade da conduta, reiterando o mérito do recurso anterior (fls. 814-830). É o relatório EMENTA Direito penal. Agravo regimental. Princípio da insignificância. Reincidência. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do recurso especial, aplicando a Súmula n. 83 do STJ, em razão da reincidência do agravante em crimes patrimoniais, o que impede a aplicação do princípio da insignificância. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se é possível a aplicação do princípio da insignificância em caso de furto de pequeno valor, quando o agente é reincidente em crimes da mesma natureza e o crime é praticado em sua forma qualificada. III. Razões de decidir 3. A reincidência do agravante em crimes patrimoniais impede a aplicação do princípio da insignificância, mesmo que o valor furtado seja de pequena monta. 4. A conduta do agravante, cometida em concurso de pessoas e com rompimento de obstáculo, demonstra elevado grau de reprovabilidade, reforçando a impossibilidade de aplicação do princípio da insignificância. 5. A parte agravante não apresentou argumentos novos capazes de infirmar a decisão agravada, limitando-se a reiterar alegações já rebatidas. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo não provido. Tese de julgamento: "1. A reincidência em crimes patrimoniais impede a aplicação do princípio da insignificância. 2. A prática de furto em concurso de pessoas e com rompimento de obstáculo demonstra elevado grau de reprovabilidade, inviabilizando a aplicação do princípio da insignificância". Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 258; RISTJ, art. 21-E, § 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 956.409/SC, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, j. 05.03.2025; STJ, AgRg no HC 902.787/MG, Rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, j. 26.02.2025; STJ, AgRg no HC 962.257/BA, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, j. 26.02.2025. VOTO Conforme dispõe o art. 258 c/c o art. 21-E, § 2º, do RISTJ, o agravo regimental se destina a desafiar decisões monocráticas proferidas em matéria penal, motivo pelo qual caberia à parte recorrente impugnar os fundamentos que levaram ao não conhecimento do recurso especial. Entretanto, verifico das razões que o agravante se limitou a reiterar as alegações deduzidas no recurso anterior sem apresentar argumentos suficientes para infirmar a decisão recorrida. A argumentação reitera o mérito recursal sobre a atipicidade material, diante da aplicação do princípio da insignificância, mesmo se tratando de agente reincidente. Traz como justificativa o reduzido grau de reprovabilidade da conduta e da periculosidade da ação, além do ínfimo valor da res furtiva e sua devida restituição à vítima. Ademais, inclui julgados desta Corte com aplicação do referido princípio em casos de réus reincidentes em crimes patrimoniais. As questões foram devidamente enfrentadas pela decisão monocrática, limitando-se a parte a trazer os mesmos argumentos já rebatidos anteriormente. No caso concreto, embora o valor furtado seja de pequena monta, furto de bebida alcoólica avaliada em R$ 40,00 (quarenta reais), o recorrente é reincidente na prática de crimes da mesma natureza. Assim, a conduta do agente não pode ser considerada como insignificante, por sua habitualidade em crimes patrimoniais, o que impede a aplicação do princípio da insignificância. Nesse sentido é o entendimento desta Corte Superior: AgRg no HC n. 956.409/SC, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 5/3/2025, DJEN de 11/3/2025; AgRg no HC n. 902.787/MG, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 26/2/2025, DJEN de 10/3/2025; AgRg no HC n. 962.257/BA, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 26/2/2025, DJEN de 6/3/2025. Além disso, destaca-se que o delito foi cometido em concurso de pessoas e com rompimento de obstáculo, o que de monstra o elevado grau de reprovabilidade da conduta, reforçando a impossibilidade de aplicação do princípio da insignificância. Com efeito, a parte agravante não trouxe argumentos capazes de infirmar a decisão agravada, assim, a manutenção da decisão é a medida que se impõe. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.