HC 1080215 - DECISAO
Não se verifica flagrante ilegalidade a autorizar ordem de ofício: o valor dos bens subtraídos (R$ 257,96) ultrapassa 10% do salário-mínimo, afastando o princípio da insignificância; há comprovação de concurso de pessoas; ausência de laudo de avaliação impede reconhecer pequena monta, razão pela qual o habeas corpus...
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- Parties
- Paciente: HENRIQUE DE CAMARGO; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Furto Qualificado, Concurso De Pessoas, Valoração Do Bem Subtraído, Laudo De Avaliação
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Parties
HENRIQUE DE CAMARGO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 aplicabilidade do princípio da insignificância
- 2 necessidade de laudo de avaliação para aferir pequena monta
- 3 valor da res furtiva superior a 10% do salário-mínimo como impeditivo da insignificância
Ratio Decidendi
Não se verifica flagrante ilegalidade a autorizar ordem de ofício: o valor dos bens subtraídos (R$ 257,96) ultrapassa 10% do salário-mínimo, afastando o princípio da insignificância; há comprovação de concurso de pessoas; ausência de laudo de avaliação impede reconhecer pequena monta, razão pela qual o habeas corpus foi liminarmente indeferido.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de HENRIQUE DE CAMARGO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: DIREITO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. FURTO QUALIFICADO. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em Exame Henrique de Camargo foi condenado por furto qualificado, tendo subtraído cinco latas de Leite Ninho, avaliadas em R$ 257,96, da Drogaria São Paulo. A condenação foi baseada em provas materiais e orais, incluindo confissão judicial. II. Questão em Discussão 2. A questão em discussão consiste na alegação de atipicidade da conduta, com base no princípio da insignificância, devido ao valor dos bens subtraídos. III. Razões de Decidir 3. O valor dos bens subtraídos supera 10% do salário- mínimo vigente à época dos fatos, não sendo considerado ínfimo, o que impede a aplicação do princípio da insignificância. 4. A qualificadora de concurso de pessoas foi comprovada por prova oral, justificando a condenação por furto qualificado. IV. Dispositivo e Tese 5. Recurso desprovido, mantendo-se a sentença condenatória. Tese de julgamento: 1. Não aplicabilidade do princípio da insignificância devido ao valor dos bens. 2. Comprovação do concurso de pessoas. Legislação Citada: Código Penal, art. 155, §4º, inciso IV; art. 59; art. 33, § 2º, alínea "c"; art. 44. Código de Processo Penal, art. 386, inciso III. Jurisprudência Citada: STJ, AgRg no HC n. 626.297/RJ, rel. Min. Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 23/2/2021, D Je de 2/3/2021. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 2 (dois) anos de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 10 (dez) dias-multa, pela prática do delito previsto no art. 155, § 4º, IV, do Código Penal, com substituição da reprimenda por duas penas restritivas de direitos. Em suas razões, sustenta a Defensoria Pública estadual a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a conduta é materialmente atípica pela aplicação do princípio da insignificância, destacando a mínima ofensividade, a reduzida reprovabilidade, a ausência de periculosidade social e a inexpressividade da lesão, diante do valor de R$ 257,96, inferior a 20% do salário-mínimo, da recuperação dos bens, da primariedade e dos bons antecedentes do paciente, bem como do fato de ser a vítima pessoa jurídica de grande porte e de a res consistir em alimento infantil. Requer, em suma, a absolvição do paciente. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação para afastar a aplicação do princípio da insignificância: Descabe, outrossim, cogitar de absolvição por atipicidade material da conduta, porquanto ausentes os requisitos para aplicação do princípio da insignificância, eis que o valor dos bens é de R$ 257,96 (fls. 09), quantia que não pode ser considerada ínfima por superar a fração de 10% do salário-mínimo vigente à época dos fatos, parâmetro utilizado pelo E. Superior Tribunal de Justiça. (fls. 13/14, grifo meu). Segundo entendimento firmado pela Terceira Seção do STJ a aplicação do princípio da insignificância exige o preenchimento de quatro condições, a saber: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) a ausência de periculosidade social na ação; c) o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e; d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. Por outro lado, segundo a jurisprudência firmada nesta Corte, o princípio da bagatela pode ser afastado quando: a) o valor da res furtiva for superior a 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos, independentemente da condição financeira da vítima; b) houver reiteração ou habitualidade no cometimento de crimes de natureza patrimonial ou maus antecedentes criminais por crimes de outra natureza, podendo ser consideradas ações penais em curso para caracterizar a habitualidade delitiva; e c) o crime for de furto qualificado. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: AgRg no HC n. 926.575/DF, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 10.10.2024; AgRg no HC n. 882.046/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 3.10.2024; AgRg no HC n. 925.508/MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 25.9.2024; AgRg no HC n. 933.248/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 24.9.2024; AgRg no HC n. 925.164/DF, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 20.9.2024; AgRg no HC n. 835.749/RJ, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 18.9.2024; AgRg no HC n. 924.446/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 12.9.2024; AgRg no HC n. 921.477/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 5.9.2024; AgRg no HC n. 918.551/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 5.9.2024; AgRg no RHC n. 179.378/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 4.9.2024; AgRg no HC n. 867.178/SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 27.8.2024; AgRg no HC n. 881.822/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no RHC n. 185.973/PR, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 18.4.2024; AgRg no HC n. 811.161/SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 23.8.2023; AgRg no AREsp n. 2.258.620/RS, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 15/12/2023; AgRg no HC n. 744.150/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 9.3.2023. Além disso, segundo entendimento sedimentado no julgamento do Tema Repetitivo n. 1.205, "a restituição imediata e integral do bem furtado não constitui, por si só, motivo suficiente para a incidência do princípio da insignificância". Por fim, inexistente laudo de avaliação, torna-se impossível verificar se os bens furtados eram de pequena monta, requisito indispensável para a aferição da expressividade ou não da lesão jurídica provocada e, consequentemente, para a aplicação do princípio da insignificância (AgRg no HC n. 899.516/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 10.6.2024; AgRg no HC n. 924.446/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 12.9.2024). Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência do STJ, no tocante à aplicação do princípio da insignificância, porque o valor do bem ultrapassa 10% do salário mínimo. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA