HC 676343 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental por ausência de novos argumentos capazes de alterar o entendimento anterior e por entender que, diante do histórico delitivo do paciente (diversos apontamentos criminais e condenação definitiva por crime da mesma espécie) e da reiteração/habitualidade delitiva, é inaplicável...
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- Parties
- Agravante: GILBERTO SOARES SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada (quinta Turma) Agravo Regimental Conhecido E Desprovido
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; mantida a determinação de prosseguimento da ação penal.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Furto, Absolvição Sumária, Habitualidade Delitiva, Habeas Corpus Substituto De Recurso
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Parties
GILBERTO SOARES SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada (quinta Turma) Agravo Regimental Conhecido E Desprovido
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da insignificância diante de histórico delitivo e reiteração criminosa
- 2 Admissibilidade de habeas corpus como substituto de recurso próprio
- 3 Manutenção da cassação da absolvição sumária e prosseguimento da ação penal
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental por ausência de novos argumentos capazes de alterar o entendimento anterior e por entender que, diante do histórico delitivo do paciente (diversos apontamentos criminais e condenação definitiva por crime da mesma espécie) e da reiteração/habitualidade delitiva, é inaplicável o princípio da insignificância, devendo ser mantida a cassação da absolvição sumária e a determinação de prosseguimento da ação penal.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; mantida a determinação de prosseguimento da ação penal.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter determinação da Corte originária de prosseguimento da ação penal.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Joel Ilan Paciornik. EMENTA DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO PRÓPRIO. FURTO PRATICADO DURANTE O REPOUSO NOTURNO. TENTATIVA. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA CASSADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. DETERMINAÇÃO DE PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO PENAL. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. HISTÓRICO DELITIVO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos. II - Pedido de restabelecimento da decisão de primeiro grau. Absolvição sumária. Édito cassado pela Corte originária. Determinação de prosseguimento da ação penal. Fundamento do ato apontado como coator: inaplicabilidade do princípio da insignificância. III - Com efeito, "a Terceira Seção desta Corte, no julgamento dos EREsp n.221.999/RS, estabeleceu a tese de que a reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, o aplicador do direito verificar que a medida é socialmente recomendável" (RHC n. 118.548/RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 13/12/2019). IV - Na hipótese em foco, observa-se não ser recomendável a aplicação do princípio da insignificância. Isso porque o paciente "ostenta diversos apontamentos criminais, inclusive com condenação definitiva por crime da mesma espécie". Ademais, o ínfimo valor da res furtiva, diante das referidas circunstâncias não tem o condão de, por si só, atrair a incidência do princípio bagatelar. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 1.553.855/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 26/11/2019; AgRg no HC n. 516.674/MG, Quinta Turma, Leopoldo De Arruda Raposo (Desembargador convocado do TJ/PE), DJe de 29/10/2019; e HC n. 540.456/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 09/12/2019. V - Registre-se que, "apesar de não configurar reincidência, a existência de outras ações penais, inquéritos policiais em curso ou procedimentos administrativos fiscais é suficiente para caracterizar a habitualidade delitiva e, consequentemente, afastar a incidência do princípio da insignificância" (AgRg no HC n. 578.039/PR, Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldan ha Palheiro, DJe 04/09/2020). A propósito: AgRg no AREsp n. 1150475/MS, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 06/04/2018; e AgRg no AREsp n. 1076199/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, DJe 01/08/2017. VI - O ínfimo valor da res furtiva tem o condão de, por si só, atrair a incidência do princípio bagatelar, diante das circunstâncias que gravitam em torno do caso. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por GILBERTO SOARES SANTOS contra a decisão de fls. 84-86, que não conheceu do habeas corpus. Nas razões do presente inconformismo (fls. 89-92), a parte agravante alega que, "não obstante o entendimento exposto, a decisão da Corte de origem configura, a bem verdade, ilegalidade, pois a acusação que recai sobre Gilberto é de que teria tentado furtar 04 (quatro) latas de cerveja e 02 (duas) garrafas de vodka e um refrigerante, avaliados em R$ 34,00 (trinta e quatro reais), os produtos imediatamente recuperados. Desse modo, considerando a jurisprudência desta Corte, indispensável que se lance uma reconsideração ou se dê provimento ao agravo, eis que o paciente sofre constrangimento ilegal por ser reincidente, não pelo crime que cometeu, o que configura direito penal do autor e não está amparado na jurisprudência desta Eg. Corte" (fl. 90). Requer a reconsideração do decisum agravado ou a submissão da irresignação ao Órgão Colegiado. Por manter a decisão agravada, submeto o agravo regimental à apreciação da Quinta Turma. É o relatório. EMENTA DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO PRÓPRIO. FURTO PRATICADO DURANTE O REPOUSO NOTURNO. TENTATIVA. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA CASSADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. DETERMINAÇÃO DE PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO PENAL. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. HISTÓRICO DELITIVO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos. II - Pedido de restabelecimento da decisão de primeiro grau. Absolvição sumária. Édito cassado pela Corte originária. Determinação de prosseguimento da ação penal. Fundamento do ato apontado como coator: inaplicabilidade do princípio da insignificância. III - Com efeito, "a Terceira Seção desta Corte, no julgamento dos EREsp n.221.999/RS, estabeleceu a tese de que a reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, o aplicador do direito verificar que a medida é socialmente recomendável" (RHC n. 118.548/RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 13/12/2019). IV - Na hipótese em foco, observa-se não ser recomendável a aplicação do princípio da insignificância. Isso porque o paciente "ostenta diversos apontamentos criminais, inclusive com condenação definitiva por crime da mesma espécie". Ademais, o ínfimo valor da res furtiva, diante das referidas circunstâncias não tem o condão de, por si só, atrair a incidência do princípio bagatelar. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 1.553.855/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 26/11/2019; AgRg no HC n. 516.674/MG, Quinta Turma, Leopoldo De Arruda Raposo (Desembargador convocado do TJ/PE), DJe de 29/10/2019; e HC n. 540.456/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 09/12/2019. V - Registre-se que, "apesar de não configurar reincidência, a existência de outras ações penais, inquéritos policiais em curso ou procedimentos administrativos fiscais é suficiente para caracterizar a habitualidade delitiva e, consequentemente, afastar a incidência do princípio da insignificância" (AgRg no HC n. 578.039/PR, Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldan ha Palheiro, DJe 04/09/2020). A propósito: AgRg no AREsp n. 1150475/MS, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 06/04/2018; e AgRg no AREsp n. 1076199/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, DJe 01/08/2017. VI - O ínfimo valor da res furtiva tem o condão de, por si só, atrair a incidência do princípio bagatelar, diante das circunstâncias que gravitam em torno do caso. Agravo regimental desprovido. VOTO Inicialmente, consigna-se que se encontram presentes os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual conheço do presente agravo regimental. A parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ensejar a alteração do entendimento firmado por ocasião da decisão monocrática, assim proferida: "A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não admitir a impetração de habeas corpus em substituição ao recurso adequado, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, seja possível a concessão da ordem de ofício. Dessarte, passo ao exame das razões veiculadas no mandamus. Conforme relatado, busca-se na presente impetração a aplicação do princípio da insignificância. Transcrevo, a fim de delimitar a quaestio, os seguintes trechos do v. acórdão impugnado: "De fato, a suposta insignificância da conduta não pode ser utilizada para legitimar a falta de aplicação da lei, isto é, a impunidade, não podendo criar-se perigoso precedente de sempre se absolver o agente que vive de pequenos furtos, praticados diariamente contra vítimas diversas, pela suposta atipicidade que ensejaria a conduta insignificante, mormente no caso do réu que, conforme folha de antecedentes de fls. 138/148,ostenta diversos apontamentos criminais, inclusive com condenação definitiva por crime da mesma espécie. O crime de bagatela, como ensina a doutrina, decorre da natureza do bem e não de seu valor econômico. Entendimento contrário implica em reconhecer a ausência de proteção da norma penal com relação à grande rede de comércio varejista que busca atender as necessidades da sociedade com objetos e mercadorias de pequeno valor. Bem por isso não tem previsão legal no sistema brasileiro, sendo seu reconhecimento decorrente de interpretação e consolidação jurisprudencial diante do caso concreto. E, no caso, como acima analisado, impossível esse reconhecimento, diante da natureza e do valor do bem" (fls. 44-45, grifei). Com efeito, "a Terceira Seção desta Corte, no julgamento dos EREsp n.221.999/RS, estabeleceu a tese de que a reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, o aplicador do direito verificar que a medida é socialmente recomendável" (RHC n. 118.548/RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 13/12/2019). Na hipótese em foco, observa-se não ser recomendável a aplicação do princípio da insignificância. Isso porque o paciente "ostenta diversos apontamentos criminais, inclusive com condenação definitiva por crime da mesma espécie". Ademais, o ínfimo valor da res furtiva, diante das referidas circunstâncias não tem o condão de, por si só, atrair a incidência do princípio bagatelar. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 1553855/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe 26/11/2019; AgRg no HC n. 516.674/MG, Quinta Turma, Leopoldo De Arruda Raposo (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), DJe 29/10/2019; e HC n. 540.456/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe 09/12/2019. Registre-se que, "apesar de não configurar reincidência, a existência de outras ações penais, inquéritos policiais em curso ou procedimentos administrativos fiscais é suficiente para caracterizar a habitualidade delitiva e, consequentemente, afastar a incidência do princípio da insignificância" (AgRg no HC n. 578.039/PR, Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldan ha Palheiro, DJe 04/09/2020). A propósito: AgRg no AREsp n. 1150475/MS, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 06/04/2018; e AgRg no AREsp n. 1076199/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, DJe 01/08/2017. Portanto, o ínfimo valor da res furtiva, diante das referidas circunstâncias não tem o condão de, por si só, atrair a incidência do princípio bagatelar. Diante de tais considerações, portanto, não se vislumbra a existência de qualquer flagrante ilegalidade passível de ser sanada pela concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. P. e I." A toda evidência, o decisum agravado, ao confirmar o aresto impugnado, rechaçou as pretensões da defesa por meio de judiciosos argumentos, os quais encontram amparo na jurisprudência deste Sodalício. Assim, a pretensão de restabelecimento da decisão de primeiro grau - a absolvição sumária - não deve prosperar. Portanto, deve ser mantido a determinação da Corte originária de prosseguimento da ação penal. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.