AREsp 2611019 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento porque, apesar do reduzido valor dos bens furtados, a condição de réu multirreincidente em crimes patrimoniais e os maus antecedentes demonstram grau de reprovabilidade incompatível com a aplicação do princípio da insignificância; ademais, a gravidade concreta e as...
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- Parties
- Agravante: PABLO HENRIQUE ALMEIDA RODRIGUES; Oponente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo No STJ
- Outcome
- conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Recidiva, Inadmissão De Recurso Especial
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Parties
PABLO HENRIQUE ALMEIDA RODRIGUES
Agravante
Ministério Público Federal
Oponente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo No STJ
Legal Issues
- 1 aplicação do princípio da insignificância diante de reincidência e multirreincidência
- 2 possibilidade de abrandamento do regime inicial de cumprimento da pena
- 3 inadmissão do recurso especial e cabimento de agravo
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento porque, apesar do reduzido valor dos bens furtados, a condição de réu multirreincidente em crimes patrimoniais e os maus antecedentes demonstram grau de reprovabilidade incompatível com a aplicação do princípio da insignificância; ademais, a gravidade concreta e as circunstâncias judiciais justificam a manutenção do regime semiaberto nos termos dos arts. 33 e 59 do Código Penal.
Court Disposition
conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO PABLO HENRIQUE ALMEIDA RODRIGUES agrava de decisão que inadmitiu o recurso especial, fundado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios na Apelação Criminal n. 0719720-28.2023.8.07.0003. Nas razões do especial, a defesa aponta a violação do art. 386, III, do Código de Processo Penal, ao argumento de que faz jus à aplicação do princípio da insignificância, uma vez que o réu foi condenado pelo furto de dois óculos escuros e um chaveiro, mesmo diante da sua reincidência. Subsidiariamente, pretende a o abrandamento do regime inicial. O recurso especial foi inadmitido no juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal distrital, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal opinou pelo não provimento do recurso. Decido. Depreende-se dos autos que o réu foi condenado pela prática do delito de furto simples, à pena de 1 ano e 9 meses de reclusão, em regime semiaberto, mais multa. A Corte estadual manteve a condenação e reduziu a pena para 1 ano, 5 meses e 20 dias de reclusão. Sobre a incidência do princípio da insignificância ao caso, "pois o apelante é reincidente em crimes contra o patrimônio, evidenciando a reprovabilidade do comportamento" (fl. 189). Para que o fato seja considerado criminalmente relevante, não basta a mera subsunção formal a um tipo penal. Deve ser avaliado o desvalor representado pela conduta humana, bem como a extensão da lesão causada ao bem jurídico tutelado, com o intuito de aferir se há necessidade e merecimento da sanção, à luz dos princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade. As hipóteses de aplicação do princípio da insignificância se revelam com mais clareza no exame da punibilidade concreta - possibilidade jurídica de incidência da pena -, que atribui conteúdo material e sentido social a um conceito integral de delito como fato típico, ilícito, culpável e punível, em contraste com a estrutura tripartite (formal) tradicionalmente adotada, conforme expus de maneira mais aprofundada no julgamento do REsp n. 1.864.600/MG, ocorrido em 15/9/2020. Por oportuno, ressalto que, por se tratar de categorias de conteúdo absoluto, a tipicidade e a ilicitude não comportam dimensionamento do grau de ofensa ao bem jurídico tutelado, compreendido a partir da apreciação dos contornos fáticos da conduta delitiva e dos condicionamentos sociais em que se inserem o agente e a vítima. Nesse contexto, o diálogo entre a política criminal e a dogmática na jurisprudência sobre a bagatela deve também ser informado pelos elementos subjacentes ao crime, que se compõem do valor dos bens subtraídos e do comportamento social do acusado nos últimos anos. Assim, os registros de vida pregressa devem ser entendidos como elementos objetivos, e não subjetivos. Isso porque não se avalia a pessoa do agente, mas, sim, o seu histórico penal - que pode ser incompatível com a exclusão da punibilidade - e a perspectiva de recidiva do comportamento avesso ao direito. O exame desses dados alinha-se com o princípio da isonomia, pois o indivíduo que furta uma vez não pode ser igualado ao que furta habitualmente, escorando-se este, conscientemente, na impunidade. Na espécie, a Corte estadual salientou a contumácia delitiva do réu, multirreincidente em crimes patrimoniais. Assim, em que pese o valor da res furtiva, entendo não ser viável a incidência do princípio da insignificância, diante da recidiva criminal do réu, o que está em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior Ilustrativamente: PROCESSO PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. FURTO SIMPLES. TRANCAMENTO. INSIGNIFICÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. REITERAÇÃO DELITIVA EM CRIMES PATRIMONIAIS. ORDEM DENEGADA. AGRAVO DESPROVIDO. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. GRAVIDADE CONCRETA. REITERAÇÃO DELITIVA. RECURSO IMPROVIDO. .. 2. Na espécie, não há como reconhecer o reduzido grau de reprovabilidade ou a mínima ofensividade da conduta, pois, independentemente do valor atribuído à res furtiva, consta dos autos que o recorrente possui duas condenações anteriores definitivas pela prática de crimes de roubo e furto, circunstância que demonstra a prática de crimes de forma habitual e reiterada, reveladora de personalidade voltada para o crime, ficando afastado o requisito do reduzido grau de reprovabilidade da conduta para aplicação do princípio da insignificância ora pretendido. Precedentes. .. 6. Recurso em habeas corpus improvido. (RHC n. 161.967/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe de 6/5/2022, grifei) .. 1. Não preenche o agravante os requisitos para a aplicação do princípio da insignificância, em que pese o reduzido valor do bem furtado, por ser o réu multirreincidente em crime patrimonial (AgRg no AREsp n. 1.073.572/MG, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 23/4/2018). 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 466.521/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe de 19/5/2020, destaquei) A Corte estadual manteve o regime intermediário, pois "trata-se de réu multirreincidente e com maus antecedentes" (fl. 197). Quanto à almejada modificação do regime inicial, cumpre enfatizar que esta Corte tem decidido que o modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, ao quantum de reprimenda imposto. É dizer, para a escolha do regime prisional, devem ser observadas as diretrizes dos arts. 33 e 59, ambos do Código Penal, além dos dados fáticos da conduta delitiva que, se demonstrarem a gravidade concreta do crime, poderão ser invocados pelo julgador para a imposição de regime mais gravoso do que o permitido pelo quantum da pena (HC n. 279.272/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, 5ª T., DJe 25/11/2013; HC n. 265.367/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 5ª T., DJe 19/11/2013; HC n. 213.290/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 4/11/2013; HC n. 148.130/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 3/9/2012). O art. 33, § 3º, do Código Penal estabelece que "a determinação do regime inicial de cumprimento de pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código". Portanto, as mesmas circunstâncias judiciais aferidas pelo magistrado para fixação da pena-base na primeira fase da dosimetria deverão ser sopesadas na imposição do regime inicial de cumprimento de pena. No caso, em que pese a reduzida pena aplicada, o réu é reincidente e ostenta maus antecedentes, havendo sido, inclusive, beneficiado com a fixação do regime semiaberto, já que nem sequer preenche os requisitos previstos na Súmula n. 269 do STJ. Ademais, saliento, ainda, a impossibilidade de concessão do regime aberto, pois tal modalidade, a teor do art. 33, § 2º, do CP, é reservada ao "condenado não reincidente". À vista do exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "b", parte final, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA