AREsp 2830050 - DECISAO
Por estarem presentes a reincidência e os maus antecedentes do recorrente, reconheceu-se que há elevado grau de reprovabilidade e habitualidade delitiva suficientes para afastar a aplicação do princípio da insignificância; assim, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do STJ, atraindo a...
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- Parties
- Recorrente: GLAUCO SANTOS PEREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Reincidência, Furto, Atipicidade Material, Súmula N. 83 STJ
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Parties
GLAUCO SANTOS PEREIRA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do princípio da insignificância ao furto de valor irrisório praticado por réu reincidente e com maus antecedentes
Ratio Decidendi
Por estarem presentes a reincidência e os maus antecedentes do recorrente, reconheceu-se que há elevado grau de reprovabilidade e habitualidade delitiva suficientes para afastar a aplicação do princípio da insignificância; assim, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do STJ, atraindo a aplicação da Súmula n. 83 e justificando o não conhecimento do recurso especial, conforme art. 253, parágrafo único, inciso II, "a", do RISTJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, "a", do RISTJ.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por GLAUCO SANTOS PEREIRA contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS que não admitiu o recurso especial. O recorrente foi condenado nas instâncias ordinárias como incurso nas sanções do art. artigos 155, caput, c/c artigo 14, inciso II, e artigo 180, § 3º, todos do Código Penal, às penas de 11 (onze) meses de reclusão, em regime semiaberto, e 02 (dois) meses e 22 (vinte e dois) dias de detenção e 18 (dezoito) dias multa (fl. 266). O Tribunal de Origem negou apelo defensivo, mantendo sentença inalterada (fls. 265-282). A Defesa interpôs recurso especial com fundamento no art. 105, inciso III, "a", da Constituição para alegar afronta ao artigo 1º e 155, caput, do CP e o art. 386, III, do CPP. Requer, assim, a absolvição do réu de todas as imputações a ele impostas (fls. 329-339). Não admitido o recurso especial por incidência da Súmula n. 83, STJ (fls. 350-352), sobreveio o agravo (fls. 358-364). O Ministério Público Federal opinou pelo provimento do recurso (fls. 394-399). É o relatório. DECIDO. A questão central dos autos é determinar se o princípio da insignificância pode ser aplicado ao crime de furto de valor irrisório (chocolates) cometido por réu reincidente e com maus antecedentes criminais. O Tribunal de Justiça negou o pedido de reconhecimento da atipicidade material da conduta, considerando a Certidão de Antecedentes Criminais (doc. de ordem 52), que mostra que o apelante tem duas condenações anteriores (0003554-30.2012.8.13.0245 e 0269195-44.2013.8.13.0245), sendo reincidente e possuidor de maus antecedentes. Isso demonstra um elevado grau de reprovabilidade de sua conduta, caracterizada pelo desrespeito ao Poder Judiciário (fl. 269). O recorrente, por outro lado, argumenta que este é um caso excepcional, pois se trata de furto de chocolates, que foram descartados ainda dentro da loja. Portanto, solicita a aplicação do princípio da insignificância, apesar da reincidência. Neste ponto, o acórdão se encontra em consonância com o entendimento desta Corte, no sentido de que a habitualidade delitiva indica a especial reprovabilidade da conduta, de modo a afastar a aplicação da insignificância (EREsp n. 221.999/RS, Terceira Seção, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 10/12/2015. AgRg no AREsp n. 2.340.174/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Messod Azulay Neto, DJe de 25/8/2023.). Inicialmente, registro que este Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacificado no sentido de que não há que se falar em atipicidade material da conduta pela incidência do princípio da insignificância quando não estiverem presentes todos os vetores para a sua caracterização, quais sejam: (a) mínima ofensividade da conduta; (b) nenhuma periculosidade social da ação; (c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e; (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada (STF, AgR no RHC n. 145.447/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 28/9/2017). A jurisprudência assente desta Corte Superior é no sentido de que, nos casos em que o agente possui comportamento habitualmente voltado à prática criminosa, referida circunstância indica reprovabilidade da conduta suficiente ao afastamento da incidência do princípio da insignificância, razão pela qual não se sustenta o pedido de aplicação do princípio da insignificância por ausência de tipicidade material da conduta praticada. Na espécie, o recorrente é reincidente e possui maus antecedentes, conforme certidão de antecedentes criminais, nos autos 0003554-30.2012.8.13.0245 e 0269195-44.2013.8.13.0245. Assim, a conduta do recorrente não pode ser considerada como insignificante, patenteadas nos autos sua reincidência e circunstância judicial negativa, a afastar a tipicidade material da conduta, consoante se infere da orientação jurisprudencial do STJ: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FURTO. ATIPICIDADE MATERIAL DA CONDUTA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. REINCIDÊNCIA E HABITUALIDADE DELITIVA. 1. Inobstante o preço do bem furtado (R$ 19,00), o réu, ora agravante, é reincidente em crimes patrimoniais, notadamente vários furtos, além de um roubo cometido no ano de 2015, ação penal que se encontra em andamento. 2. A reincidência e a habitualidade delitiva têm sido compreendidas como obstáculos iniciais à tese da insignificância, ressalvada excepcional peculiaridade do caso penal, ressaltando-se, de igual modo, que a alegação de preço vil da res furtiva não basta, por si só, à incidência do princípio em apreço. 3. Agravo regimental desprovido" (AgRg no REsp n. 2.001.568/MG, SextaTurma, Rel. Min. Olindo Menezes - (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região, DJe de 30/9/2022) "PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO SIMPLES. REINCIDÊNCIA. HABITUALIDADE CRIMINOSA. POSSIBILIDADE, EM TESE, DE INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE, NO CASO CONCRETO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O entendimento perfilhado pelo Tribunal de origem está em consonância com a jurisprudência desta Corte, segunda a qual o princípio da insignificância não tem aplicabilidade em casos de reiteração da conduta delitiva, salvo excepcionalmente, quando as instâncias ordinárias entenderem ser tal medida recomendável diante das circunstâncias concretas. 2. No caso, o Tribunal de origem compreendeu que, embora o valor dos bens tenha sido avaliado em R$ 74,50, a reincidência em crime contra o patrimônio afasta a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância. 3. Agravo regimental não provido" (AgRg no AREsp n. 2.067.430/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 2/9/2022) DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. FURTO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. HABITUALIDADE DELITIVA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INVIÁVEL. I - Recurso em habeas corpus interposto por JHENIFER DAYANE ALVES DE JESUS contra decisão que negou provimento ao pedido de trancamento da ação penal. A recorrente foi denunciada pela prática de furto de alimentos no valor de R$ 159,95, sendo os bens restituídos à vítima. A defesa pleiteia o reconhecimento da atipicidade da conduta com base no princípio da insignificância, alegando a ausência de prejuízo à vítima. II - O princípio da insignificância exige a análise da mínima lesividade da conduta, conforme parâmetros estabelecidos pelo STF, tais como a mínima ofensividade e a inexpressividade da lesão jurídica causada. III - A reincidência e a habitualidade delitiva são impedimentos para a aplicação do princípio da insignificância, salvo peculiaridades excepcionais, que não se verificam no caso concreto. IV - O valor subtraído é considerado significativamente superior ao que se entende por ínfimo, e a reincidência da recorrente em crimes patrimoniais justifica a continuidade da ação penal. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 202.290/GO, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 17/9/2024, DJe de 19/9/2024.) Como se vê, o acórdão recorrido encontra-se em harmonia com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, o que atrai a aplicação da Súmula n. 83, STJ e inviabiliza o conhecimento do recurso especial. Ante o ex posto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, "a", do RISTJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA