AREsp 2797364 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão do Tribunal de origem está em consonância com o entendimento desta Corte: a res furtiva foi avaliada em R$ 300,00 (equivalente a 23% do salário-mínimo à época, superior ao limite de 10%), o agravante responde a outras ações penais...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MATEUS ASSIS BUNA; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Tocantins; Interveniente: Ministério Público do Estado do Tocantins; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 83 STJ, Furto Qualificado, Valoração Da Res Furtiva
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MATEUS ASSIS BUNA
Agravante
Tribunal de Justiça do Tocantins
Tribunal De Origem
Ministério Público do Estado do Tocantins
Interveniente
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da insignificância
- 2 Valor da res furtiva em relação ao salário-mínimo (limiar de 10%)
- 3 Presença de qualificadora (rompimento de obstáculo)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão do Tribunal de origem está em consonância com o entendimento desta Corte: a res furtiva foi avaliada em R$ 300,00 (equivalente a 23% do salário-mínimo à época, superior ao limite de 10%), o agravante responde a outras ações penais (indicando habitualidade) e o crime foi praticado com rompimento de obstáculo (qualificadora), circunstâncias que afastam a aplicação do princípio da insignificância e justificam a incidência da Súmula n. 83 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MATEUS ASSIS BUNA contra a decisão do Tribunal de Justiça do Tocantins que não admitiu o recurso especial, devido à Súmula n. 83, STJ (fls. 367-370). O agravante foi condenado, como incurso nas sanções do art. 155, § 4º, inciso I, do Código Penal, à pena de 2 (dois) anos de reclusão, em regime aberto, e 10 (dez) dias-multa, substituída por uma pena restritiva de direito e uma multa (fls. 320-322). O recurso especial inadmitido havia sido interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, para alegar violação ao art. 155, § 4º, inciso I, do Código Penal (fls. 322-346). No presente agravo, a defesa sustenta, em síntese, que o referido enunciado sumular deve ser afastado porque as peculiaridades do caso concreto admitem a aplicação do princípio da insignificância (fls. 379-387). Em contrarrazões, o Ministério Público do Estado do Tocantins pugna pelo não provimento do recurso (fls. 391-395). O Ministério Público Federal se manifestou pelo desprovimento do agravo em recurso especial (fls. 416-419). É o relatório. DECIDO. Para aplicação do princípio da insignificância, há necessidade de se considerar algumas condições, tais como a mínima ofensividade da conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o baixo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada. Conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o princípio da insignificância não se aplica quando o valor da res furtiva supera 10% (dez por cento) do salário-mínimo vigente à época dos fatos (AgRg no AREsp n. 2.655.815/MS, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 23/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.768.563/SC, Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, DJe de 23/12/2024). Além disso, a presença de qualificadora denota a maior reprovabilidade da conduta e inviabiliza a aplicação do princípio em questão (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.304.544/MG, Quinta Turma, de minha relatoria, DJe de 23/4/2024). No caso dos autos, o Tribunal de origem afastou o princípio da insignificância porque o valor do bem subtraído era superior a 10% (dez por cento) do salário-mínimo. Além disso, foi constatado que o agravante respondia a outras ações penais e que o crime havia sido cometido com rompimento de obstáculo. Confira-se (fls. 310-311): "Na hipótese dos autos, verifica-se que os pressupostos da insignificância não se encontram preenchidos. Além da conduta do recorrente atender tanto à tipicidade formal (pois constatada a subsunção do fato à norma) quanto à subjetiva (na medida em que evidenciado o dolo de subtrair coisa de outrem), de igual forma se reconhece presente a tipicidade material, consubstanciada na relevância penal da conduta e do resultado. Observe-se que a res furtiva foi avaliada em R$ 300,00 (trezentos reais), valor que representa 23% do salário-mínimo vigente à época do fato (R$ 1.302,00). Ou seja, a importância do bem subtraído pelo apelante superou o percentual adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, podendo-se falar, portanto, em expressividade da lesão ao bem jurídico. Ainda que não restasse evidenciada a relevância penal da conduta, verifica-se, em acréscimo, que o apelante responde a outras ações penais (evento 105), o que, consoante jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, denota a habitualidade delitiva a afastar, in concreto, a incidência do aludido princípio. .. Soma-se ainda o fato de que o crime de furto foi praticado em sua forma qualificada pelo rompimento de obstáculo, o que também afasta a aplicação do princípio da bagatela, conforme reiteradamente vem entendendo o Tribunal da Cidadania, uma vez que demonstra maior periculosidade social da ação e elevado grau de reprovabilidade." Assim, o acórdão do Tribunal local está em consonância com o entendimento desta Corte Superior, o que enseja a incidência da Súmula n. 83, STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA