HC 759549 - ACORDAO
Por se tratar de matéria objeto de recurso especial já em trâmite neste Tribunal e em respeito ao princípio da unirrecorribilidade, não é admissível o processamento do habeas corpus paralelo; além disso, não se verificou flagrante ilegalidade que justificasse a concessão de ordem de ofício, e a abertura de prazo...
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- Parties
- Agravante/impetrante: PAULO ROBERTO ECCEL; Manifestante (pugnou Pelo Não Conhecimento Ou Pela Denegação Da Ordem): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo regimental improvido
- Legal Topics
- Princípio Da Unirrecorribilidade, Habeas Corpus, Recurso Especial, Prescrição Penal, Flagrante Ilegalidade, Súmula 330/stj
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Parties
PAULO ROBERTO ECCEL
Agravante/impetrante
Ministério Público Federal
Manifestante (pugnou Pelo Não Conhecimento Ou Pela Denegação Da Ordem)
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Inadmissibilidade de habeas corpus quando há recurso especial interposto contra o mesmo ato (princípio da unirrecorribilidade)
- 2 Marco interruptivo da prescrição — recebimento da denúncia vs. data de notificação para apresentação de defesa preliminar
- 3 Possibilidade de concessão de ordem de ofício em caso de flagrante ilegalidade
Ratio Decidendi
Por se tratar de matéria objeto de recurso especial já em trâmite neste Tribunal e em respeito ao princípio da unirrecorribilidade, não é admissível o processamento do habeas corpus paralelo; além disso, não se verificou flagrante ilegalidade que justificasse a concessão de ordem de ofício, e a abertura de prazo para defesa preliminar pelo juízo a quo não altera o marco interruptivo da prescrição, que é taxativo nos termos do art. 117 do Código Penal; assim, o agravo regimental é improvido.
Court Disposition
Agravo regimental improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 15/05/2025 a 21/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL PARALELAMENTE À IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite o processamento conjunto de habeas corpus e de outro recurso cabível se apresentados contra o mesmo ato jurisdicional, sob pena de ofensa ao princípio da unirrecorribilidade. Precedentes. 2. Impetrada a ação constitucional paralelamente à apresentação do recurso especial, que já se encontra neste Tribunal Superior, é inviável a apreciação do pedido em habeas corpus, ainda que se alegue complementariedade entre as alegações. 3. O respeito à adequada dinâmica processual não vulnera o eventual direito da parte interessada, pois caso eventualmente houvesse sido constada ilegalidade flagrante, a ordem teria sido concedida de ofício. 4. O excesso de zelo do julgador, ao propiciar a abertura de prazo para apresentação de defesa preliminar no caso, evitando eventuais alegações de cerceamento de defesa, o que supostamente postergou a análise de recebimento da denúncia, não tem o condão de alterar o marco interruptivo da prescrição para a data de notificação para apresentação do ato defensivo, o que significaria criar um novo marco interruptivo, fora das hipóteses legais, providência que não se admite. 5. Agravo regimental improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por PAULO ROBERTO ECCEL à decisão que não conheceu do habeas corpus, em razão da interposição de recurso contra o mesmo ato jurisdicional. Nas razões do agravo, a defesa repisa os fundamentos expendidos na petição inicial e alega que o conhecimento da impetração e a concessão da ordem são possíveis em casos de manifesto constrangimento ilegal, como entende ocorrer no caso dos autos. Requer, ao final, a reconsideração da decisão ou a submissão do pleito ao colegiado, para a concessão da ordem. O Ministério Público Federal, que pugnou pelo não conhecimento do writ ou pela denegação da ordem, manifestou ciência da decisão agravada à fl. 266. É o relatório. EMENTA DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL PARALELAMENTE À IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite o processamento conjunto de habeas corpus e de outro recurso cabível se apresentados contra o mesmo ato jurisdicional, sob pena de ofensa ao princípio da unirrecorribilidade. Precedentes. 2. Impetrada a ação constitucional paralelamente à apresentação do recurso especial, que já se encontra neste Tribunal Superior, é inviável a apreciação do pedido em habeas corpus, ainda que se alegue complementariedade entre as alegações. 3. O respeito à adequada dinâmica processual não vulnera o eventual direito da parte interessada, pois caso eventualmente houvesse sido constada ilegalidade flagrante, a ordem teria sido concedida de ofício. 4. O excesso de zelo do julgador, ao propiciar a abertura de prazo para apresentação de defesa preliminar no caso, evitando eventuais alegações de cerceamento de defesa, o que supostamente postergou a análise de recebimento da denúncia, não tem o condão de alterar o marco interruptivo da prescrição para a data de notificação para apresentação do ato defensivo, o que significaria criar um novo marco interruptivo, fora das hipóteses legais, providência que não se admite. 5. Agravo regimental improvido. VOTO Conforme consignado na decisão ora agravada, em consulta ao sistema processual do Superior Tribunal de Justiça, constata-se que se encontra em tramitação, nesta Corte Superior, o AREsp n. 2.261.486/SC, interposto com o objetivo de modificar o mesmo acórdão objeto desta impetração. A controvérsia tratada neste writ, portanto, coincide com aquela objeto do recurso especial manejado pela defesa do paciente nos autos de origem e, por consequência, no agravo referido anteriormente, que ainda se encontra pendente de julgamento. Contudo, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite o processamento conjunto de recursos e habeas corpus apresentados contra o mesmo ato jurisdicional, sob pena de ofensa ao princípio da unirrecorribilidade. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS, FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO E USO DE DOCUMENTO FALSO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. INEVIDÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. Não viola o princípio da colegialidade a decisão monocrática do Relator calcada em jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a possibilidade de submissão do julgado ao exame do Órgão Colegiado, mediante a interposição de agravo regimental. 2. Hipótese em que houve a interposição de recurso especial na origem e, na sequência, do respectivo agravo, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite a tramitação concomitante de recursos e habeas corpus manejados contra o mesmo ato, sob pena de violação do princípio da unirrecorribilidade (AgRg no HC n. 678.593/SP, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27/9/2022.) 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 918.633/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 12/9/2024, grifo próprio.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES DO STF E STJ. TRAMITAÇÃO EM PARALELO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. MEDIDAS CAUTELARES. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PEDIDO SUBSIDIÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. INADMISISBILIDADE. AGRAVO CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. Esta Corte - HC n. 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC n. 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC n. 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. 2. Não bastasse o mencionado entendimento pacificamente adotado por esta Corte Superior, no sentido da inviabilidade de uso do remédio constitucional em substituição a recurso previsto em lei, na hipótese em exame constata-se que o presente habeas corpus tramita em paralelo ao recurso especial interposto em face do acórdão proferido pela instância ordinária, em evidente violação ao princípio da unirrecorribilidade. .. 5. Agravo regimental conhecido em parte e, nessa extensão, desprovido. (AgRg no HC n. 880.190/RO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024, grifo próprio.) Na mesma direção, destacam-se, ainda, os seguintes precedentes: AgRg no HC n. 865.449/SC, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024; AgRg no HC n. 887.255/PB, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024; AgRg no HC n. 831.891/PB, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de 15/12/2023; e AgRg no HC n. 848.280/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023. Registro que a eventual complementariedade entre as alegações formuladas no recurso cabível e na impetração, ainda que a inadmissão do recurso impeça a apreciação do mérito recursal, não modifica a conclusão exposta, sendo inviável a dupla impugnação em preservação aos princípios da jurisdição. Ademais, vale assinalar que eventual flagrante ilegalidade, se existente, teria sido corrigida de ofício, independentemente das alegações formuladas nas respectivas ações, o que não se verificou. Com efeito, não há que se cogitar de flagrante ilegalidade no caso em apreço, capaz de levar à concessão da ordem de ofício. Muito embora a liminar tenha sido deferida, a o argumento de que, no tocante à tese de extinção da punibilidade do fato pela prescrição penal retroativa, a pretensão deduzida estaria amparada em argumentação que, a priori, demonstra razoável sentido jurídico, tem-se que não assiste razão à defesa quanto ao ponto. A alegação consiste em que a aplicação do rito estabelecido pelo art. 2º, I, do Decreto-Lei n. 201/1967 resultou em postergação do recebimento da denúncia e, por consequência, da primeira interrupção do curso do prazo prescricional, já que possibilitou ao acusado o oferecimento de defesa prévia à acusação. Contudo, considerou a decisão anteriormente proferida que não se podia olvidar da interpretação dada por esta Corte Superior ao art. 514 do Código de Processo Penal, de conteúdo semelhante ao art. 2º, I, do Decreto-Lei n. 201, cristalizada no enunciado 330 da Súmula do STJ, no sentido de que "é desnecessária a resposta preliminar de que trata o art. 514 do Código de Processo Penal na ação penal instruída por inquérito policial". Tal circunstância poderia ter ensejado eventual prejuízo ao paciente. Não é, porém, a conclusão a que se chega, tendo em vista que os marcos interruptivos da prescrição estão taxativamente previstos no art. 117 do Código Penal, que assim dispõe: Causas interruptivas da prescrição Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; II - pela pronúncia; III - pela decisão confirmatória da pronúncia; IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; VI - pela reincidência. Nesse sentido: HABEAS CORPUS. ART. 34 DA LEI N. 9.605/1998. CRIME AMBIENTAL. PESCA EM PERÍODO DE DEFESO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. OCORRÊNCIA. REALIZAÇÃO DE AUDIÊNCIA ADMONITÓRIA E DE DILIGÊNCIAS ESTATAIS PARA A RECAPTURA DO APENADO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE MARCOS INTERRUPTIVOS. HABEAS CORPUS CONCEDIDO. 1. A audiência admonitória não se confunde com o efetivo início ou retomada de cumprimento da pena e, portanto, não interrompe o prazo prescricional, sob pena de se criar um novo marco interruptivo, o que é vedado, seja porque o rol previsto no art. 117 do CP é taxativo, seja porque inaceitável a aplicação de analogia in malam partem. (..) 4. Interrompido o cumprimento das penas restritivas de direitos em 7/9/2013, e retomado tão somente em 4/10/17, verifica-se o decurso do prazo prescricional entre tais marcos interruptivos. 5. Habeas corpus concedido para declarar extinta a punibilidade do paciente em razão da prescrição da pretensão executória. (HC n. 590.459/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 25/8/2020, DJe de 4/9/2020.) PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. PRESCRIÇÃO RETROATIVA. TERMO A QUO. DATA EM QUE A DENÚNCIA DEVERIA TER SIDO OFERECIDA. MARCO INTERRUPTIVO NÃO PREVISTO EM LEI. DATA DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. ART. 117, I, CP. ORDEM DENEGADA. 1. Não se pode levar em consideração a data em que a denúncia deveria ter sido oferecida para contar como termo a quo na contagem do prazo prescricional, porquanto tal causa interruptiva não está entre as hipóteses previstas no Código Penal, que prevê, taxativamente, os casos de prescrição da ação e da execução. 2. O artigo 117, inciso I, do Código Penal, traz como marco interruptivo da prescrição o recebimento da denúncia, assim, não houve o transcurso do lapso necessário ao reconhecimento da prescrição retroativa entre a data do recebimento da denúncia e a data da sentença. 3. Ordem denegada. (HC n. 53.821/SP, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 25/6/2009, DJe de 17/8/2009.) Assim, o excesso de zelo do julgador, ao propiciar a abertura de prazo para apresentação de defesa preliminar no caso, evitando eventuais alegações de cerceamento de defesa, o que supostamente postergou a análise de recebimento da denúncia, não tem o condão de alterar o marco interruptivo da prescrição para a data de notificação para apresentação do ato defensivo, o que significaria criar um novo marco interruptivo, fora das hipóteses legais, providência que não se admite. Nota-se que, mesmo sem oportunizar o ato defensivo, o julgador poderia ter recebido a denúncia na mesma data em que foi, de fato, recebida ou, inclusive, em momento posterior, não havendo como mensurar em que data seria, de fato, praticado tal ato, caso não houvesse a notificação para a apresentação de defesa preliminar. Dessa forma, não fica demonstrado prejuízo algum à defesa, já que não operada a prescrição, de acordo com a previsão legal. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.