HC 921459 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade: a decisão do Juízo de Execução e do Tribunal estadual, que registraram a interrupção da contagem da pena em 27/08/2020 por ausência de comparecimento ao PMT e qualificaram a conduta como falta grave, exige exame de fatos e provas cuja reavaliação é...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: PHILLIPE BEZERRA PEREIRA; Impetrante: Impetrante; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; Juízo De Origem: Juízo da Vara de Execuções Penais; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Prisão Albergue Domiciliar, Monitoramento Eletrônico, Falta Grave, Regressão De Regime, Audiencia Admonitória E De Justificação, Uso Do Habeas Corpus Como Sucedâneo Recursal
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PHILLIPE BEZERRA PEREIRA
Paciente
Impetrante
Impetrante
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
Órgão Julgador
Juízo da Vara de Execuções Penais
Juízo De Origem
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se o período entre 27/08/2020 e 15/05/2022 deve ser computado como pena cumprida enquanto o paciente esteve em PAD
- 2 Se a ausência de intimação ou oportunidade de justificativa (art.118 LEP) configura flagrante ilegalidade que autorize habeas corpus
- 3 Se o habeas corpus é substitutivo adequado para discutir fatos que demandariam dilação probatória
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade: a decisão do Juízo de Execução e do Tribunal estadual, que registraram a interrupção da contagem da pena em 27/08/2020 por ausência de comparecimento ao PMT e qualificaram a conduta como falta grave, exige exame de fatos e provas cuja reavaliação é incompatível com a via do habeas corpus; ademais, a jurisprudência do STJ admite a regressão cautelar do regime em casos de falta grave e não autoriza o uso do habeas corpus como sucedâneo recursal salvo flagrante ilegalidade.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Liminar indeferida
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, em favor de PHILLIPE BEZERRA PEREIRA, interposto contra o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no Agravo em Execução Penal n. 5001216-21.2024.8.19.0500. A impetrante alega que o paciente vinha cumprindo pena em regime "" aberto, na modalidade de Prisão em Albergue Domiciliar - PAD, quando, em 15/05/2022, foi preso em flagrante por outra suposta infração penal. Com a captura, o juízo da VEP, em 20/09/2023, decidiu que o dia 27/08/2020 seria considerado para fins de interrupção do cumprimento de pena, sob a justificativa de que o detento não teria se apresentado ao PMT na data estabelecida. Alega que se trata de decisão manifestamente ilegal, uma vez que o paciente não foi intimado para apresentar as suas justificativas para a violação da decisão da VEP, como manda o art. 118 da LEP. Com isso, a impetrante interpôs agravo em execução, ao qual foi negado provimento, por unanimidade, mediante acórdão prolatado em 23/05/2024, nos termos da ementa abaixo transcrita (fl. 27) : AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. DECISÃO QUE INTERROMPEU O PRAZO DE CUMPRIMENTO DA PENA, ANTE O DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA PRISÃO ALBERGUE DOMICILIAR -(PAD) E, ANTE O APENSAMENTO DE NOVA CES REFERENTE AO PROCESSO 0123504-69.2022.8.19.0001, SOMOU AS PENAS E FIXOU O REGIME PRISIONAL FECHADO PARA CUMPRIMENTO DA PENA. O AGRAVANTE ALEGA E PRETENDE QUE O PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE 27/08/2020 E 15/05/2022 SEJA CONSIDERADO COMO PENA CUMPRIDA, PARA FINS DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. Do referi do decisum, extraem-se os seguintes pontos (fls. 28/29): (..) Pois bem, embora ciente de que as condições impostas são imprescindíveis para garantir o cumprimento da pena privativa de liberdade e para permitir ao Poder Público que haja a percepção de que o apenado cumpre regularmente as condições a ele impostas, o ora agravante descumpriu as determinações para cumprimento da pena. Isso porque o apenado nunca compareceu ao PMT, tampouco compareceu na data agendada para instalação do dispositivo, o que revela a sua inaptidão para cumprir a pena em meio aberto, dado que o regime mais brando é caracterizado pela autodisciplina e responsabilidade do apenado. No que trata da alegação quanto aos aspectos do período de pandemia da COVID-19, conforme destacado pelo I. Parquet, em princípio, a condição de comparecimento ao PMT, embora haja sido, de fato, suspensa, é certo que foi restabelecida em setembro de 2020, logo após a efetivação da soltura do apenado ora agravante. Isto porque, conforme decidido em 11 de agosto de 2020 nos autos de nº 5092166-18.2020.8.19.0001, processo coletivo que tratou sobre o retorno dos internos às unidades prisionais durante a pandemia da Covid-19, o D. Juízo da VEP determinou o retorno dos apenados em regime aberto ao PMT para cumprimento de suas penas a partir de 14 setembro de 2020. Isso também não foi observado pelo agravante. Ou seja, o que se tem aqui é o fato de que o agravante optou por não se apresentar no órgão, embora haja permanecido em liberdade no período entre 27/08/2020 e 15/05/2022. Assim, extrai-se dos autos do processo executório que o agravante não cumpriu as condições a ele impostas na ocasião do deferimento da prisão albergue domiciliar. Destarte, ao violar o monitoramento eletrônico diversas vezes e deixar de comparecer ao PMT, configurou-se o descumprimento de duas condições impostas para o gozo da prisão albergue domiciliar, caracterizando-se a evasão, falta disciplinar de natureza grave, devendo assim, interromper-se a contagem da pena. No presente writ , a Defesa argumenta que deve ser considerado todo o período de pena do paciente, compreendido entre 27/08/2020 e 15/05/2022, visto que a responsabilidade de comparecimento ao Patronato não subsistia por força da pandemia. Após o fim da calamidade, a determinação de monitoramento eletrônico não pode ser cumprida por culpa exclusiva do Estado, não pode ndo a falta de aparelhos ser injustamente imputada ao paciente. Posteriormente, quando da apuração do acontecido, não foi chamado para se manifestar. Por consequência, não teve a oportunidade de se justificar, o que demonstra a patente ilegalidade da medida Nesse sentido, requer, liminarmente, a suspensão do acórdão impetrado e da decisão do Juízo da Vara de Execuções Penais até o julgamento definitivo do presente writ. No mérito, pugna pela cassação do acórdão coator e a decisão do Juízo de Execuções para considerar cumprido o período de pena compreendido entre 27/08/2020 e 15/05/2022. Liminar indeferida e requisitadas informações (fls. 68/70). Informações acostadas (fls. 83/106). Manifestação do Ministério Público Federal, pelo não conhecimento do writ (fls. 112/120). Vieram os lautos conclusos (fl. 122). É o relatório. DECIDO . Esta Corte - HC n. 535.063/SP, Terceira Seção, relator Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/06/2020, DJe de 25/08/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC n. 180.365/PB, Primeira Turma, relatora Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, DJe de 02/04/2020, e AgRg no HC n. 147.210/SP, Segunda Turma, relator Ministro Edson Fachin, julgado em 30/10/2018, DJe de 20/02/2020 - pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. O Juízo de Execução, ao prestar informações a esta Corte Superior, acerca do pedido de retificação do cálculo da pena, expediu comunicação nos seguintes termos (fls. 102/103, grifamos): Conclusos na data de 07/06/2024, este Juízo proferiu decisão, conforme abaixo transcrita, resumidamente: "Trata-se de apenado em cumprimento de pena em regime aberto (PAD - prisão albergue domiciliar), nos moldes da decisão proferida aos 18/08/2020. A FAC mais recente indica a prática, em tese, de novos delitos, no curso de cumprimento da pena. O penitente encontra-se no cumprimento de prisão preventiva, como demonstra a TFD juntada. A simples notícia de que o Apenado, cumprindo pena em regime aberto, na modalidade PAD, praticou fato previsto como crime doloso, que, por si só, constitui falta grave, é suficiente para caracterizar a prática de falta grave. (..) Diante de todo o exposto, INDEFIRO o pedido de concessão de LC em razão da ausência dos requisitos subjetivos e REVOGO a PAD concedida. Considerando a imperiosa necessidade da regressão de regime prisional para assegurar o correto cumprimento da pena privativa de liberdade, DETERMINO A REGRESSÃO CAUTELAR PARA O REGIME SEMIABERTO. (..) Na data de 16/09/2022 foi autuada nova Carta de Execução de Sentença, correlata ao processo criminal de n. 0123504-69.2022.8.19.0001, oriunda da 14ª Vara Criminal desta Comarca. Novamente conclusos em 21/09/2024, por este Juízo, foi proferida decisão, a qual transcrevo, in verbis: "1 - Ciente do acórdão de seq. 79 referente ao processo 0123504-69.2022.8.19.0001, que redimensionou a pena para 11 (onze) anos e 08 (oito) meses de reclusão e 1.750 (mil setecentos e cinquenta) dias-multa. Verifico que os cálculos do sistema já estão atualizados. 2 - Registre-se a data de 27/08/2020 como interrupção no cumprimento da pena, pois o apenado não se apresentou ao PMT. 3 - Tendo em vista o apensamento da nova CES referente ao processo 0123504-69.2022.8.19.0001 ( sequência 67), SOMO AS PENAS, nos termos do artigo 111 da LEP e fixo o regime inicial FECHADO para cumprimento da pena, ante o alto remanescente de pena e a reincidência em crime hediondo de tráfico.(..) Tem-se dos autos que o paciente foi liberado para cumprimento de pena na modalidade albergue domiciliar em 27/08/2020, data em que, deveras, ainda vigorava a suspensão de comparecimento ao PMT quanto aos apenados em cumprimento em meio aberto. Contudo, conforme pontuado pela Corte estadual, em 11 de agosto de 2020 nos autos de nº 5092166-18.2020.8.19.0001, processo coletivo que tratou sobre o retorno dos internos às unidades prisionais durante a pandemia da Covid-19, o D. Juízo da VEP determinou o retorno dos apenados em regime aberto ao PMT para cumprimento de suas penas a partir de 14 setembro de 2020 (fl. 29). Observa-se, portanto, que tendo o Juízo de Execução determinado o retorno dos apenados do regime aberto ao PMT em 11/08/2020, e tendo o paciente sido liberado para cumprimento nesse regime em 27/08/2020; não há plausibilidade no argumento de que ele não tinha conhecimento da obrigatoriedade de comparecimento às unidades de monitoramento a partir da data de 14/09/2020, posto que a determinação de retorno se deu em data anterior à sua liberação, conferindo prazo maior que 30 (trinta) dias para o primeiro comparecimento. Todavia, na espécie, o paciente nunca compareceu. Dessa forma, com o que se encontra disponibilizado nos autos, não verifico a possibilidade de se computar como pena cumprida o período compreendido entre a liberação do apenado para cumprimento em meio aberto (27/08/2020) e sua posterior prisão por novo delito (15/05/2022); de modo que, para a alteração dessa premissa fática seria necessário o amplo revolvimento do acervo fático-probatório angariado nos autos, providência inadmissível na estreita via de cognição disponível em sede de habeas corpus. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO AO REGIME ABERTO. ALEGADA AUSÊNCIA DAS AUDIÊNCIAS ADMONITÓRIA E DE JUSTIFICAÇÃO. MATÉRIA NÃO DEBATIDA PELO TRIBUNAL ESTADUAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. EXIGÊNCIA DE COMPARECIMENTO DO SENTENCIADO EM JUÍZO. DESCUMPRIMENTO. CÔMPUTO DO PERÍODO QUE MEDEIA A DATA DO INÍCIO DO REGIME ABERTO E A DE PROLAÇÃO DA DECISÃO DE UNIFICAÇÃO DE PENA COMO PENA EFETIVAMENTE CUMPRIDA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A questão relativa à ausência de audiências admonitória e de justificação não foi objeto de discussão no acórdão impugnado, motivo pelo qual incabível o seu exame diretamente por esta Corte Superior, sob pena de supressão de instância. 2. O entendimento adotado pelo Tribunal de origem está em harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, segundo a qual, se o Paciente não compareceu em juízo para o cumprimento das condições impostas ao regime aberto, não há como computar o respectivo período como pena efetivamente cumprida, caracterizando, ademais, falta disciplinar de natureza grave. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 828.440/ES, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em4/3/2024, DJe de 7/3/2024) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. EXECUÇÃO PENAL. FALTA GRAVE. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DO REGIME ABERTO. REGRESSÃO DE REGIME. POSSIBILIDADE. AGRAVO QUE SE LIMITOU A DISCORRER SOBRE A POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO HC COMO SUBSTITUTIVO RECURSAL. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. I - Nos termos da jurisprudência consolidada nesta Corte, cumpre ao agravante impugnar especificamente os fundamentos estabelecidos na decisão agravada. II - Esta Corte entende que, de acordo com art.50, V, da Lei de Execuções Penais, o descumprimento das condições fixadas em regime aberto, mesmo se em gozo de uma prisão domiciliar ou em exercício legítimo do trabalho externo, constitui infração disciplinar de natureza grave. Precedentes. III - Este Superior Tribunal de Justiça já firmou o entendimento de que, quando for praticada a falta grave pelo sentenciado, é cabível a regressão cautelar do regime prisional, inclusive sem a oitiva prévia do condenado, que somente é exigida na regressão definitiva ao regime mais severo. Precedentes. IV - O cometimento de falta grave pelo apenado, por si só, quando praticado no curso da execução da pena, autoriza a regressão de regime prisional em relação ao que anteriormente se encontrava, inclusive, para qualquer dos regimes, sem que configure qualquer desproporcionalidade, em consonância com o art.118, caput e inciso I, da Lei de Execução Penal. Precedentes. V - A desconstituição da premissa de que a conduta do agravante constitui falta grave demandaria aprofundada dilação probatória, totalmente incompatível com a via eleita. Precedentes. VI - No mais, o presente agravo limitou-se a discorrer sobre a possibilidade da utilização do habeas corpus como sucedâneo recursal, caso em que tem aplicabilidade o disposto no enunciado da Súmula n. 182, STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 802.006/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/02/2024) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA