HC 1050416 - DECISAO
A intimação prévia prevista no art. 23 da Resolução CNJ n. 417/2021, na redação da Resolução CNJ n. 474/2022, destina-se ao início da execução da pena e não se estende à regressão cautelar de regime; havendo descumprimento das condições da PAD e fuga do paciente, mostrou-se necessária a regressão cautelar e a...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: WASHINGTON FABIANO DA SILVA LIMA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 December 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória, in Limine
- Outcome
- Habeas corpus denegado, in limine.
- Legal Topics
- Prisão Albergue Domiciliar (pad), Regressão Cautelar De Regime, Intimação Prévia Para Início Da Execução, Resolução CNJ 417/2021, Súmula Vinculante 56, Superlotação Do Sistema Prisional
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
WASHINGTON FABIANO DA SILVA LIMA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória, in Limine
Legal Issues
- 1 violação do art. 23 da Resolução CNJ n. 417/2021 (com redação da Resolução CNJ n. 474/2022)
- 2 aplicabilidade da exigência de intimação prévia nas hipóteses de regressão cautelar de regime
- 3 efeito da superlotação do sistema prisional sobre a aplicação da Resolução do CNJ
Ratio Decidendi
A intimação prévia prevista no art. 23 da Resolução CNJ n. 417/2021, na redação da Resolução CNJ n. 474/2022, destina-se ao início da execução da pena e não se estende à regressão cautelar de regime; havendo descumprimento das condições da PAD e fuga do paciente, mostrou-se necessária a regressão cautelar e a expedição de ordem de prisão, motivo pelo qual o habeas corpus foi denegado.
Court Disposition
Habeas corpus denegado, in limine.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO WASHINGTON FABIANO DA SILVA LIMA alega sofrer coação ilegal diante de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, denegatório do HC n. 0077746-65.2025.8.19.0000. O paciente foi condenado a cumprir pena em regime inicial semiaberto. A execução iniciou-se em 5/2/2024, e foi deferida ao sentenciado a prisão albergue domiciliar (PAD), com alvará cumprido em 8/2/2024. No dia 24/1/2025, ante a notícia de descumprimento das condições impostas à PAD, o Juiz da VEC determinou a regressão cautelar do regime para o semiaberto e expediu ordem de prisão. A defesa afirma que a decisão violou o art. 23 da Resolução CNJ n. 417/2021, com a redação dada pela Resolução CNJ n. 474/2022, que prevê a intimação prévia do condenado para o início da execução antes da expedição de mandado de prisão. Aduz que o sistema prisional está em estado de superlotação crônica e, por isso, a resolução deve incidir também às hipóteses de regressão cautelar de regime, determinando-se a intimação do apenado para apresentação espontânea. Requer o recolhimento do mandado de prisão. Decido. O art. 23 da Resolução CNJ n. 417/2021 tem a seguinte redação: Transitada em julgado a condenação ao cumprimento de pena em regime semiaberto ou aberto, a pessoa condenada será intimada para dar início ao cumprimento da pena, previamente à expedição de mandado de prisão, sem prejuízo da realização de audiência admonitória e da observância da Súmula Vinculante no 56. O procedimento é, em regra, aplicável ao início da execução em regime semiaberto; não abrange as hipóteses em que o apenado está em cumprimento da pena e houve regressão cautelar de regime, especialmente quando motivada por descumprimento das condições impostas à prisão domiciliar. No caso, em reforço à determinação do Juiz, há registro de que o paciente está foragido e nem sequer compareceu para a instalação de equipamento de monitoração eletrônica. O acórdão recorrido está conforme a jurisprudência desta Corte. Deveras, "não houve violação da Resolução 474/2022 do CNJ, a qual prevê intimação do condenado por sentença definitiva para dar início ao cumprimento da pena" (AgRg no HC n. 806.034/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 21/3/2023, DJe de 24/3/2023.) Com efeito, "é perfeitamente cabível a regressão cautelar do regime prisional pelo Juiz das Execuções, sem a exigência da oitiva prévia do condenado, necessária apenas na regressão definitiva ao regime mais severo" (HC n. 455.461/PR, relatora Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe 4/2/2019). Tratando-se "de regressão cautelar, não é necessária a prévia ouvida do condenado ou instauração (prévia) de PAD, como determina o § 2º do art. 118 da Lei de Execução Penal, visto que esta exigência somente é obrigatória na regressão definitiva ao regime mais severo, sob pena de contrariar a finalidade da medida" (HC n. 533.286/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/12/2019, DJe de 17/12/2019). A alegação de superlotação do sistema prisional fluminense não constitui fundamento para a concessão da ordem. O condenado está foragido e é necessária sua prisão para restabelecer a execução. Se, após a captura, verificar-se o recolhimento do sentenciado em condições do regime fechado, a defesa dispõe de meios processuais próprios para requerer a observância da Súmula Vinculante n. 56. À vista do exposto, denego o habeas corpus, in limine. Publique-se e intimem-se. EMENTA