HC 1015671 - DECISAO
O habeas corpus foi liminarmente indeferido porque as matérias pleiteadas (concessão de prisão domiciliar humanitária e expedição da guia de recolhimento definitiva) não foram objeto de decisão ou debate na Corte de origem; frente à ausência de manifestação do Tribunal Estadual, o Superior Tribunal de Justiça não...
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- Parties
- Paciente: ANTONIO NATALINO DE SOUZA LIMA; Autoridade Coatora: Juízo da Segunda Vara Judicial da comarca de Itapeva/SP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 July 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente este habeas corpus.
- Legal Topics
- Prisão Domiciliar Humanitária, Omissão Judicial, Competência Do STJ, Supressão De Instância, Habeas Corpus
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Parties
ANTONIO NATALINO DE SOUZA LIMA
Paciente
Juízo da Segunda Vara Judicial da comarca de Itapeva/SP
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 pedido de prisão domiciliar humanitária não examinado pelo juízo de primeiro grau
- 2 omissão na instauração da execução penal
- 3 competência do Superior Tribunal de Justiça para conhecer do habeas corpus sem prévia deliberação da Corte de origem
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi liminarmente indeferido porque as matérias pleiteadas (concessão de prisão domiciliar humanitária e expedição da guia de recolhimento definitiva) não foram objeto de decisão ou debate na Corte de origem; frente à ausência de manifestação do Tribunal Estadual, o Superior Tribunal de Justiça não pode conhecer do writ sem incorrer em supressão de instância.
Court Disposition
Indefiro liminarmente este habeas corpus.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ANTONIO NATALINO DE SOUZA LIMA, no qual aponta como autoridade coatora o Juízo da Segunda Vara Judicial da comarca de Itapeva/SP. A impetrante alega que o pedido de prisão domiciliar humanitária, formulado em face do grave estado de saúde do paciente e de sua idade avançada, não foi ainda examinado pelo Juízo de primeiro grau, o que viola o disposto no inciso XXXV do artigo 5º da Constituição da República. Aduz que "a omissão na instauração da PEC, mesmo após a expedição do mandado definitivo, impõe ao Judiciário a obrigação de atuação imediata, não sendo razoável aguardar indefinidamente por providência que sequer foi iniciada." (e-STJ, fl. 8). Requer, inclusive liminarmente, a instauração da execução penal, caso ainda não tenha sido feita, bem como a concessão da prisão domiciliar humanitária. É o relatório. Decido. De acordo com o disposto no art. 105, II, "a", da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça "julgar, em recurso ordinário, os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória". In casu, verifico que o pleito de concessão da prisão domiciliar ao apenado e da expedição da guia de recolhimento definitiva não foram objeto de debate pela Corte de origem. Outrossim, ausente a manifestação sobre a matéria por parte do Tribunal Estadual, não se inaugura a competência deste Superior Tribunal de Justiça, o qual se torna impedido de analisar o writ, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância. Nesse sentido, trago à colação os seguintes precedentes: "AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO DEFENSIVA. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA ATO DE JUIZ DA EXECUÇÃO PENAL. INVIABILIDADE DE CONHECIMENTO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA DESTA CORTE PARA JULGAMENTO DE ATOS DE TRIBUNAL SUJEITO A SUA JURISDIÇÃO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. "Inviável o conhecimento por esta Corte Superior de alegação de constrangimento ilegal praticado por juiz de direito, uma vez que, na forma do art. 105, I, alínea "c" da Carta da República, possui competência para atos emanados de Tribunal sujeito a sua jurisdição". (AgInt no HC 418.953/CE, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 12/12/2017). 2. Situação em que a defesa se insurge contra decisão do Juízo de execução que indeferiu pedido de trabalho externo beneficiado com a prisão domiciliar sob uso de monitoramento eletrônico, pois os elementos dos autos apontaram para a impossibilidade do deferimento do benefício à luz do que estabelece a Súmula Vinculante 56 do Supremo Tribunal Federal. 3. Incabível o pronunciamento por este Tribunal sobre a questão de mérito, sem que tenha havido prévia deliberação da Corte de origem sobre o tema. 4. Agravo regimental desprovido." (AgRg na PET no HC n. 906.615/CE, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024). "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA DA PENA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA ATO DE JUIZ DE DIREITO. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. O Superior Tribunal de Justiça, a teor do artigo 105, inciso I, alínea "c", da Constituição da República, não possui competência para julgar habeas corpus impetrado contra ato de Juiz de Direito. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC n. 868.026/MS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 14/2/2024). "PROCESSUAL PENAL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO. FALTA GRAVE. REGRESSÃO DE REGIME. IMPETRAÇÃO CONTRA ATO DE JUIZ. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE TER SIDO A CORTE DE ORIGEM SEQUER PROVOCADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Formulado pedido de reconsideração no prazo de 5 dias, é de ser admitido como agravo regimental. 2. Esta Corte já sinalizou ser "inviável o conhecimento por esta Corte Superior de alegação de constrangimento ilegal praticado por juiz de direito, uma vez que, na forma do art. 105, I, alínea "c", da Carta da República, possui competência para atos emanados de Tribunal sujeito a sua jurisdição" (AgInt no HC n. 418.953/CE, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 12/12/2017). 3. Na hipótese vertente, ademais, não há sequer nenhuma comprovação de que a Corte de origem tenha sido ao menos provocada. 4. Agravo regimental desprovido." (RCD no HC n. 714.339/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/2/2022, DJe de 25/2/2022). Ante o exposto, indefiro liminarmente este habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA