HC 940286 - DECISAO
O pedido de liminar não foi conhecido/foi indeferido porque a Corte Superior não deve conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão que indefere liminar no tribunal de origem, conforme Súmula 691 do STF, e não se verificou flagrante ilegalidade que autorizasse a exceção; ademais, a análise perfunctória...
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- Parties
- Paciente: GUSTAVO MARTINS GOSSLER; Órgão Apontado Como Ato Coator (decisão Monocrática): TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida Em Decisão Monocrática (pedido De Liminar No HC Originário Ainda Não Julgado)
- Outcome
- Indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Constrangimento Ilegal, Súmula 691/stf, Contemporaneidade, Medidas Cautelares Alternativas, Homogeneidade Das Medidas Cautelares
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Parties
GUSTAVO MARTINS GOSSLER
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Órgão Apontado Como Ato Coator (decisão Monocrática)
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida Em Decisão Monocrática (pedido De Liminar No HC Originário Ainda Não Julgado)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra indeferimento de liminar por relator
- 2 exigência de fundamentação da prisão preventiva e individualização da conduta
- 3 contemporaneidade entre fatos e segregação cautelar
Ratio Decidendi
O pedido de liminar não foi conhecido/foi indeferido porque a Corte Superior não deve conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão que indefere liminar no tribunal de origem, conforme Súmula 691 do STF, e não se verificou flagrante ilegalidade que autorizasse a exceção; ademais, a análise perfunctória demonstra que as decisões de origem apresentam elementos concretos (risco de reiteração delitiva, organização do grupo criminoso, relatos policiais) aptos a fundamentar a prisão preventiva nos termos do art. 312 do CPP, motivo pelo qual a liminar foi indeferida.
Court Disposition
Indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, impetrado em favor de GUSTAVO MARTINS GOSSLER em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 5235921-04.2024.8.21.700. Consta dos autos a prisão em flagrante do paciente, posteriormente convertida em custódia preventiva, decorrente de suposta prática do delito de roubo majorado. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, por deficiência de fundamentação, uma vez que não teria havido a individualização da conduta do paciente, apontando qual seria sua participação no grupo ou na empreitada criminosa. Afirma que não houve uma análise honesta das circunstâncias pessoais do paciente, primário e portador de bons antecedentes, sobre a possibilidade de aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. Aponta ausência de contemporaneidade, tento em vista que o fato investigado ocorreu há mais de dez meses. Menciona que deve ser ser observado o princípio da homogeneidade das medidas cautelares tendo em vista que, em caso de eventual condenação, o paciente será submetido a regime inicial de cumprimento da pena mais brando do que o fechado. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão cautelar, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a prisão tem por base elementos concretos que indicam o risco de reiteração delitiva pelo paciente em razão de seus antecedentes criminais, tendo em vista a seguinte fundamentação: A necessidade do aprisionamento provisório, analisada à luz do artigo 312 do CPP, resta fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública, sendo evidente o perigo gerado pelo estado de liberdade dos representados, observada a gravidade concreta dos delitos e o risco de reiteração criminosa. A autoridade policial, observou, em suas razões, que os representados praticaram outros crimes após o cometimento do delito imputado a eles no inquérito policial relacionado, conforme ocorrências policiais mencionadas na representação (evento 1, REPRESENTAÇÃO_BUSCA1, pág, 3). O Delegado de Polícia também salientou que, a partir do depoimento do investigado CRISTIAN, evidenciou-se que os representados já planejavam outros delitos, sendo todos eles afetos ao crime, sendo o respectivo meio de vida. Verifico, pois, que os elementos destacados pela autoridade policial evidenciam a necessidade da decretação da prisão provisória, de modo a resguardar a ordem pública. A respeito, observo a robustez e organização do grupo criminoso a qual fazem parte os representados, ficando clara, além da periculosidade, a propensão destes à prática delitiva (fls. 89). Em relação à contemporaneidade dos motivos que ensejaram a prisão, não há flagrante ilegalidade, pois, segundo julgados do STJ, seu exame leva em conta não apenas o tempo entre os fatos e a segregação processual, mas também a necessidade e a presença dos requisitos da prisão no momento da sua decretação, sendo que a gravidade concreta do delito impede o esgotamento do periculum libertatis apenas pelo decurso do tempo (AgRg no RHC n. 169.803/ES, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 22/2/2023; AgRg no HC n. 707.562/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 11/3/2022; AgRg no HC n. 789.691/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 13/2/2023; AgRg no HC n. 775.563/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 12/12/2022; HC n. 741.498/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 29/6/2022). Ademais, segundo alguns julgados do STJ, apresenta-se inviável a análise da ofensa ao princípio da homogeneidade em habeas corpus dada a impossibilidade de se antever a pena e o regime inicial de cumprimento a serem fixados na sentença condenatória. Quanto ao mais, trata-se de matéria sensível e que demanda maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus impetrado no tribunal de origem antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA