HC 898341 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido por aplicação da Súmula 691 do STF, uma vez que o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ e não se demonstrou flagrante ilegalidade capaz de superar o óbice sumular; em análise perfunctória, a prisão temporária mostrou-se fundamentada nos requisitos da Lei n. 7.960/1989...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: SEBASTIAO ZILBERTO VIEIRA DANTAS; Órgão Coator: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido; Mérito Do Writ Na Origem Ainda Não Julgado
- Outcome
- Indefiro liminarmente o habeas corpus.
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Medidas Cautelares Alternativas, Súmula 691 STF, Contemporaneidade Da Custódia, Fundamentação Da Decisão De Prisão
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SEBASTIAO ZILBERTO VIEIRA DANTAS
Paciente
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido; Mérito Do Writ Na Origem Ainda Não Julgado
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão monocrática que indeferiu liminar em instância de origem
- 2 legalidade e requisitos da prisão temporária (Lei n. 7.960/1989)
- 3 contemporaneidade dos motivos que ensejam a custódia cautelar
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido por aplicação da Súmula 691 do STF, uma vez que o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ e não se demonstrou flagrante ilegalidade capaz de superar o óbice sumular; em análise perfunctória, a prisão temporária mostrou-se fundamentada nos requisitos da Lei n. 7.960/1989 (imprescindibilidade para a investigação e indícios de envolvimento em tráfico internacional de drogas), de modo que não há justificativa para conceder a medida liminar.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o habeas corpus.
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, impetrado em favor de SEBASTIAO ZILBERTO VIEIRA DANTAS em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO que denegou o pedido de liminar formulado no HC n. 0802715-63.2024.4.05.0000. Consta dos autos a prisão temporária do paciente decorrente de suposta prática dos delitos de tráfico internacional de drogas e organização criminosa (fl. 29). Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que a segregação processual do paciente, com predicados pessoais favoráveis, encontra-se despida de fundamentação idônea; não estão presentes os requisitos autorizadores da prisão temporária, previstos na Lei n. 7.960/1989; e está ausente a contemporaneidade dos motivos ensejadores da custódia cautelar. Por fim, aduz serem adequadas e suficientes, ao caso em comento, as medidas cautelares alternativas, positivadas no art. 319 do CPP. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão cautelar, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a prisão temporária foi decretada com base em elemento concreto relativo à sua imprescindibilidade para a investigação criminal, tendo em vista a seguinte fundamentação, adotada na origem: .. a decisão, nos termos por ora divisados, mostra-se amplamente fundamentada tanto em termos de indicativos de participação do paciente, quanto no que toca à necessidade de sua custódia. Como se sabe, a prisão temporária tem, entre suas finalidades, a de coletar provas, mas não apenas: a e resguardar sua análise no curso da investigação. No caso, à primeira vista, vimos que, após a aludida decisão - que também determinou busca e apreensão de vários bens, objetos correlacionados aos crimes antevistos, enfim, provas em potencial - muito fora elucidado, mas as provas coletadas ainda pendem de análise completa e mesmo da merecida elucidação. No que toca aos requisitos da prisão temporária (art. 1 da Lei 7.960/89), vimos que, também nesta primeira mirada, eles foram cumpridos, isso na medida em que a cautelar se mostrou "imprescindível para a investigação" (I) e houve fundadas razões para inferir o envolvimento do paciente em crime contemplado pelo rol previsto no inciso III, a saber, o de tráfico internacional de drogas (alínea "n"). .. Quanto à tese de que o juízo teria fundamentado a decisão exercendo "mero juízo de profecia" de que o paciente, em liberdade, destruiria provas, esta desmerece maiores elucubrações. É que, como visto, este não foi o argumento que serviu de pilar para a decretação. Ao reverso, a decisão se fundamentou no preenchimento - já mencionado - dos requisitos para a prisão. Em suma, não se trata de sim ples possibilidade de destruir provas, senão de necessidade de manter a custódia enquanto se esclarece e analisa as provas já coletadas. A afirmação de que as provas já teriam sido objeto de busca e apreensão também não demonstra a desnecessidade da medida pelos motivos já expostos. Repita-se: as provas ainda estão em processo de coleta e análise (fl. 31, grifo meu). Em relação à contemporaneidade dos motivos que ensejaram a prisão preventiva, não há flagrante ilegalidade, pois, segundo julgados do STJ, seu exame leva em conta não apenas o tempo entre os fatos e a segregação processual, mas também a necessidade e a presença dos requisitos da prisão no momento da sua decretação, sendo que a gravidade concreta do delito impede o esgotamento do periculum libertatis apenas pelo decurso do tempo (AgRg no RHC n. 169.803/ES, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 22/2/2023; AgRg no HC n. 707.562/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 11/3/2022; AgRg no HC n. 789.691/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 13/2/2023; AgRg no HC n. 775.563/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 12/12/2022; HC n. 741.498/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 29/6/2022). Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA