HC 901321 - DECISAO
Indefere-se a liminar porque a matéria não foi examinada no mérito pelo tribunal de origem e, nos termos da Súmula 691 do STF, não compete ao STJ conhecer habeas corpus contra decisão que indefere liminar de outro writ, salvo demonstração de flagrante ilegalidade; não estando evidenciada tal ilegalidade e havendo...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: JOSE IRINEL DA SILVA NETO; Paciente: HALLANA NAYARA DA SILVA CARVALHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Pedido De Liminar Denegado No Tribunal De Justiça De Pernambuco; Habeas Corpus Impetrado Ao Superior Tribunal De Justiça Com Pedido De Liminar Indeferido
- Outcome
- Liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Excesso De Prazo, Súmula 691 STF, Prorrogação Da Custódia Cautelar, Fundamentação Da Decisão
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOSE IRINEL DA SILVA NETO
Paciente
HALLANA NAYARA DA SILVA CARVALHO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Pedido De Liminar Denegado No Tribunal De Justiça De Pernambuco; Habeas Corpus Impetrado Ao Superior Tribunal De Justiça Com Pedido De Liminar Indeferido
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indefere liminar
- 2 aplicação da Súmula 691 do STF e supressão de instância
- 3 excesso de prazo na prisão temporária
Ratio Decidendi
Indefere-se a liminar porque a matéria não foi examinada no mérito pelo tribunal de origem e, nos termos da Súmula 691 do STF, não compete ao STJ conhecer habeas corpus contra decisão que indefere liminar de outro writ, salvo demonstração de flagrante ilegalidade; não estando evidenciada tal ilegalidade e havendo fundamentação para a prorrogação da prisão temporária (prorrogação em 22.03.2024 por 30 dias, processo complexo e indicação de outros envolvidos), é prudente aguardar o julgamento definitivo no tribunal de origem, razão pela qual se indefere o pedido liminar com fundamento no art. 21-E, IV, c/c art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
Liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, impetrado em favor de JOSE IRINEL DA SILVA NETO e HALLANA NAYARA DA SILVA CARVALHO em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO que denegou o pedido de liminar formulado no HC n. 0001376-17.2024.8.17.9480. Consta dos autos a prisão temporária dos pacientes, decorrente de suposta prática do delito capitulado no art. 121, § 2º, IV, do Código Penal. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que há excesso de prazo na custódia temporária. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a expedição de alvará de soltura, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Com efeito, vale destacar a argumentação do desembargador relator (fls. 79): Em que pese o impetrante alegar excesso de prazo na prisão temporária dos pacientes, verifica-se que no dia 22.03.2024 houve prorrogação da prisão temporária por mais 30 (trinta) dias, estando a segregação dos pacientes, portanto, dentro do novo prazo determinado. Outrossim, os prazos estabelecidos para a formação da culpa não são absolutamente rígidos, sendo tolerável que haja margem para dilação, ainda que não provocada pela defesa, se devidamente justificada. Ademais, em que pese o impetrante alegar que não houve motivação idônea na decisão que prorrogou a medida, da análise da decisão vergastada verifica-se que houve fundamentação idônea, tendo o Magistrado singular consignado que se trata de processo complexo, com a indicação de supostos outros envolvidos no crime, justificando-se, dessa forma, a expansão da custódia cautelar dos mesmos, o que é permitido pela legislação correspondente. Portanto, entendendo que estão presentes os requisitos autorizadores da constrição temporária, a teor do que dispõe a Lei nº 7.960/89, prorrogou-se legalmente a medida atacada, não havendo que se falar em constrangimento ilegal. Portanto, não vejo, ao menos em exame perfunctório, a plausibilidade jurídica do pedido a autorizara concessão da pretensão deduzida em sede de cognição sumária. Ademais, no que tange à alegação de excesso de prazo, sua análise não resulta de um critério aritmético, mas de juízo de razoabilidade sobre a marcha investigatória ou processual, feito a partir das circunstâncias do caso concreto, como a complexidade da causa e quaisquer outros fatores que possam influir na tramitação da ação penal ou do inquérito, e não só do tempo da prisão cautelar AgRg no HC n. 750.520/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 2/3/2023; AgRg no HC n. 771.854/ES, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 9/3/2023; AgRg no RHC n. 172.681/PR, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 9/3/2023; AgRg no HC n. 692.428/MG, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região), Sexta Turma, DJe de 11/10/2021 . Trata-se, por conseguinte, de matéria sensível, a exigir maior reflexão e exame aprofundado dos autos, sendo prudente aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus impetrado no tribunal de origem antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA