HC 909312 - DECISAO
O pedido de habeas corpus não foi conhecido para exame da liminar por aplicação da Súmula 691/STF, salvo demonstração de flagrante ilegalidade, a qual não se constatou, pois o decreto de prisão temporária apresentou elementos concretos que evidenciam a imprescindibilidade da custódia para as investigações nos termos...
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- Parties
- Paciente: ROSIVALDO APARECIDO DA SILVA LIMA; Órgão Prolator Da Decisão: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Notificado: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido; Mérito Ainda Não Julgado Na Origem
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Habeas Corpus, Súmula 691/stf, Fundamentação Do Decreto Prisional, Liminar
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Parties
ROSIVALDO APARECIDO DA SILVA LIMA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Prolator Da Decisão
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Notificado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido; Mérito Ainda Não Julgado Na Origem
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indefere liminar em tribunal de origem (Súmula 691/STF)
- 2 requisitos e fundamentação da prisão temporária nos termos do art. 1º, I, Lei n. 7.960/1989
- 3 possibilidade de exceção à Súmula 691 em caso de flagrante ilegalidade ou teratologia
Ratio Decidendi
O pedido de habeas corpus não foi conhecido para exame da liminar por aplicação da Súmula 691/STF, salvo demonstração de flagrante ilegalidade, a qual não se constatou, pois o decreto de prisão temporária apresentou elementos concretos que evidenciam a imprescindibilidade da custódia para as investigações nos termos do art. 1º, I, da Lei n. 7.960/1989; por isso, indeferiu-se liminarmente o habeas corpus.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, impetrado em favor de ROSIVALDO APARECIDO DA SILVA LIMA, em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que denegou o pedido de liminar formulado no HC n. 2111516-54.2024.8.26.0000. Consta dos autos a prisão temporária do paciente decorrente de suposta prática de homicídio qualificado. Em suas razões, sustenta a impetrante a ausência de fundamentação idônea do decreto de prisão temporária. Aduz que não foi demonstrada a imprescindibilidade da custódia para as investigações do inquérito policial , nos termos do art. 1º, inciso I, da Lei n. 7.960/1989. Requer, assim, liminarmente, que o paciente possa aguardar, em liberdade, o julgamento definitivo deste writ. No mérito, o relaxamento de sua prisão temporária. É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Com efeito, a prisão temporária foi decretada com base em elementos concretos relativos à sua imprescindibilidade para a investigação criminal, conforme se depreende do seguinte trecho do decreto (fl. 248): O investigado Rosivaldo, por sua vez, desapareceu do Município de Santa Albertina desde o crime, não possui vínculo com o distrito da culpa, além de não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade (conhecido como Primo, cujo nome seria Alex; que se identificou como Pedro Silva de Alencastro e que, na verdade, se chama Rosivaldo Aparecido da Silva Lima, contra o qual estava pendente de cumprimento um mandado de prisão por tráfico de drogas), a demonstrar que, da mesma forma, não pretende colaborar com as investigações. Diante desse contexto, a prisão dos investigados Wagner de Jesus Oliveira, vulgo "Bahia" e Rosivaldo Aparecido da Silva Lima, vulgo "Primo", mostra-se imprescindível para a investigação do inquérito policial (art. 1º, I, da Lei n. 7.960/89). Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA