HC 927801 - DECISAO
O pedido de habeas corpus com liminar foi indeferido porque o Tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ e, segundo a Súmula 691 do STF e precedentes desta Corte, não é cabível habeas corpus contra decisão que indefere liminar em tribunal a quo, salvo manifesta ilegalidade, a qual não foi demonstrada no caso.
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- Parties
- Paciente: CARLOS EDUARDO FERREIRA BARROS; Ato Coator: Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 July 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Mérito Do Habeas Corpus No Tribunal De Origem Ainda Não Julgado
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Medida Cautelar Diversa Da Prisão, Súmula 691/stf, Supressão De Instância
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Parties
CARLOS EDUARDO FERREIRA BARROS
Paciente
Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Mérito Do Habeas Corpus No Tribunal De Origem Ainda Não Julgado
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar em tribunal a quo
- 2 aplicação da Súmula 691 do STF
- 3 necessidade de fundamentação do decreto prisional
Ratio Decidendi
O pedido de habeas corpus com liminar foi indeferido porque o Tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ e, segundo a Súmula 691 do STF e precedentes desta Corte, não é cabível habeas corpus contra decisão que indefere liminar em tribunal a quo, salvo manifesta ilegalidade, a qual não foi demonstrada no caso.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indeferida liminarmente o habeas corpus com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210 do RISTJ.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de CARLOS EDUARDO FERREIRA BARROS, em que se aponta como ato coator decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS. Consta dos autos que o paciente foi preso temporariamente em 4/7/2024, pela suposta prática dos crimes de "fraude eletrônica, associação criminosa, e falsificação de documento público" (fl. 39). O impetrante sustenta a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto ausentes os motivos para a manutenção da prisão temporária e por entender ser possível a fixação de medida cautelar alternativa. Afirma que em 4/7/2024 foi cumprida a prisão do paciente e realizada busca e apreensão em sua residência, contudo nada de ilícito foi encontrado. Aduz que o decreto prisional carece de fundamentação idônea e destaca as condições pessoais favoráveis do investigado, uma vez que não possui anotação criminal, é pessoa de boa índole, tem endereço fixo e profissão lícita. Requer, liminarmente e no mérito, a revoga ção do mandado de prisão temporária com a expedição de contramandado e a aplicação de medida cautelar diversa da prisão. É o relatório. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do habeas corpus originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: "Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar." Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. .. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) No caso, não percebo manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular. É prudente aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus impetrado no Tribunal de origem antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA