HC 931579 - DECISAO
Indeferiu-se a liminar porque o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do habeas corpus originário, sendo aplicável a Súmula 691 do STF por analogia; não houve demonstração de flagrante ilegalidade ou teratologia que autorizasse excepcionalmente conhecer do writ, e a decisão de origem apresentou fundamentação...
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- Parties
- Paciente: EDUARDO VERIANO RODRIGUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 July 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Mérito Do Writ Ainda Não Julgado Na Origem
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Prisão Preventiva, Súmula Vinculante N. 14, Súmula N. 691/stf, Cadeia De Custódia De Provas Digitais, Quebra De Sigilo Telemático, Medidas Cautelares Alternativas, Art. 312 Do CPP, Arts. 312 E 313 Do CPP
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Parties
EDUARDO VERIANO RODRIGUES
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Mérito Do Writ Ainda Não Julgado Na Origem
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indefere liminar em instância de origem
- 2 alegação de constrangimento ilegal por cerceamento do direito de defesa (Súmula Vinculante 14)
- 3 alegação de quebra da cadeia de custódia de provas digitais
Ratio Decidendi
Indeferiu-se a liminar porque o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do habeas corpus originário, sendo aplicável a Súmula 691 do STF por analogia; não houve demonstração de flagrante ilegalidade ou teratologia que autorizasse excepcionalmente conhecer do writ, e a decisão de origem apresentou fundamentação concreta e suficiente para a prisão preventiva, indicando preenchimento dos requisitos legais (arts. 312 e 313 do CPP).
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indeferido liminarmente o presente habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, impetrado em favor de EDUARDO VERIANO RODRIGUES em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 1.0000.24.333529-6/000. Consta dos autos a prisão temporária do paciente, posteriormente convertida em custódia preventiva, decorrente de suposta prática do delito capitulado no art. 121, § 2º, III e IV, do Código Penal, termos em que denunciado. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que houve cerceamento do direito de defesa pela violação ao enunciado da Súmula Vinculante n. 14, considerando que "a audiência de instrução for realizada sem que a defesa tenha acesso integral aos elementos e provas obtidos durante a investigação, que fundamentam a denúncia e que não estão disponíveis" (fl. 05). Aduz, ainda, que houve quebra na cadeia de custódia, pois "em relação às provas digitais, as Cortes Superiores vêm entendendo pela necessidade da guarda adequada da prova, inclusive por meio de softwares, possibilitando a confrontação das evidências pela defesa" (fl. 06). Alega que a segregação processual do paciente encontra-se despida de fundamentação idônea, bem como que não estão presentes os requisitos autorizadores da medida extrema, previstos no art. 312 do CPP. Aduz que a quebra de sigilo telemático e a busca e apreensão realizadas, não resultaram em qualquer elemento de prova em desfavor do paciente e, assim, ausente a justa causa para a persecução penal. Afirma que se revelam adequadas e suficientes as medidas cautelares alternativas à prisão; Requer, assim, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão cautelar, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. SÚMULA N. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GRAVIDADE CONCRETA. EXPRESSIVA QUANTIDADE DE DROGAS (18 TABLETES, PESANDO 11,3KG DE MACONHA). PRISÃO DOMICILIAR. RÉU PAI DE CRIANÇA MENOR DE 12 ANOS. IMPRESCINDIBILIDADE NÃO DEMONSTRADA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. INSUFICIÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é assente no sentido de não caber habeas corpus contra decisão que indefere liminar na origem, na esteira da Súmula n. 691 do Supremo Tribunal Federal, aplicável por analogia, salvo no caso de flagrante ilegalidade ou teratologia da decisão impugnada. .. 8. Ausência de flagrante ilegalidade apta a justificar a superação da Súmula n. 691 do STF. 9. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 914.866/PR, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 1/7/2024, DJe de 3/7/2024.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a prisão tem por base elementos concretos que indicam a gravidade do crime tendo em vista o modus operandi empregado na prática do delito, conforme se extrai da seguinte fundamentação adotada na origem: Consoante alhures mencionado, o delito foi praticado mediante premeditação e motivação fútil, com convite à vítima para ir ao local em que seria morta, o que revela grande capacidade de organização dos acusados e ausência de sentimento de respeito às normas penais e sociais. .. Compreende-se que o receio de perigo gerado pelo estado de liberdade do (a)representado (a) reflete justamente na comprovação concreta de que a manutenção em liberdade vulnera a ordem pública e a efetividade na aplicação da lei penal. De se ressaltar que eventuais circunstâncias pessoais não têm o condão de afastar a necessidade do decreto prisional, pois a gravidade da conduta, consistente na premeditação, convite prévio à vítima para emboscada e execução mediante arma de fogo motivada por situação fútil, além da negativa da prática delitiva, demonstram o preenchimento dos requisitos dos arts. 312 e 313 do Código de Processo Penal (fl. 545). Quanto ao mais, trata-se de matérias sensíveis e que demandam maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus impetrado no tribunal de origem antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA