HC 932203 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a matéria de fundo não foi apreciada na instância originária e o conhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça importaria em supressão de instância; assim aplica-se o art. 210 do Regimento Interno do STJ e a jurisprudência que exige prévio exame na origem.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: RICARDO ALVES DE OLIVEIRA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Impetrante: Defensoria Pública
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento (supressão De Instância)
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Prisão Preventiva, Supressão De Instância, Nulidade Processual, Competência
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RICARDO ALVES DE OLIVEIRA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Defensoria Pública
Impetrante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento (supressão De Instância)
Legal Issues
- 1 prazo da prisão temporária objeto do writ venceu
- 2 prisão preventiva decretada sob fundamentos diversos não examinados pelo Tribunal de origem
- 3 matéria de fundo não apreciada na instância originária impede conhecimento pelo STJ (supressão de instância)
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a matéria de fundo não foi apreciada na instância originária e o conhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça importaria em supressão de instância; assim aplica-se o art. 210 do Regimento Interno do STJ e a jurisprudência que exige prévio exame na origem.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de RICARDO ALVES DE OLIVEIRA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Consta dos autos que o paciente é investigado pela prática do crime de homicídio, que teria ocorrido em setembro de 2023 na cidade de São Paulo/SP. Indeferido o pedido de prisão preventiva pelo Juízo de 1º grau (fls. 151-153), foi interposto Recurso em Sentido Estrito pelo Ministério Público perante o Tribunal de origem, o qual decretou a prisão temporária do paciente pelo prazo de 30 dias em 19/7/2024 (fls.219-223). A Defensoria Pública alega a ocorrência de constrangimento ilegal, a ausência dos requisitos legais para a prisão temporária e para a prisão preventiva, além de sustentar que foi considerada a gravidade abstrata do delito. Requer, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão temporária. A liminar foi indeferida pela decisão de fls. 242-244, foram juntadas informações pela origem (fls. 260-271) e o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus (fls. 274-278). Solicitadas informações atualizadas sobre a prisão temporária, o Juízo de primeiro grau relatou que houve o recebimento da denúncia e a decretação da prisão preventiva do paciente em 29/8/2024 (fls. 292-300). É o relatório. Após a análise dos autos, verifica-se que o prazo da prisão temporária objeto deste writ venceu, tendo sido decretada a prisão preventiva do paciente sob fundamentos diversos, que não foram submetidos ao exame do Tribunal de origem. Assim, a matéria de fundo não foi apreciada no ato judicial impugnado, o que impede o conhecimento do pedido pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PROVA DECLARADA NULA. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE NOVA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO DE JULGAMENTO. IMPEDIMENTO DO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU E DESEMBARGADORES QUE ATUARAM ORIGINARIAMENTE NO FEITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE CONHECIMENTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO VERIFICADO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O pleito defensivo relativo à declaração de impedimento dos julgadores não foi analisado pelas instâncias ordinárias, o que obsta a análise diretamente por este Tribunal Superior, sob pena de indevida supressão de instância, sendo certo que o incidente de impedimento ou suspeição deve ser requerido junto ao Juízo que conduzirá o processo, mediante demonstração do justo impedimento, a teor do disposto no Código de Processo Penal. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 805.331/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 23/8/2024, grifo próprio.) AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS. MATÉRIAS DEDUZIDAS NO WRIT QUE NÃO FORAM APRECIADAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não tendo sido abordada, pelo Tribunal de origem, a nulidade vergastada sob o ângulo pretendido na impetração, resta inviável seu conhecimento per saltum por esta Corte Superior. Supressão de instância inadmissível. 2. Precedentes de que, até mesmo as nulidades absolutas devem ser objeto de prévio exame na origem a fim de que possam inaugurar a instância extraordinária (AgRg no HC n. 395.493/SP, Sexta Turma, rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 25/05/2017). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 906.517/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024, grifo próprio.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA HABEAS CORPUS. MATÉRIA DE FUNDO NÃO APRECIADA NA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.