HC 929495 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque (1) o Tribunal de origem já ordenou a entrega à defesa dos documentos relativos a diligências concluídas, eliminando interesse do pedido de vista; e (2) a matéria de fundo sobre a prisão temporária não foi apreciada na instância originária por ausência do decreto de prisão...
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- Parties
- Paciente: EDSON DOS SANTOS DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA; Juízo De Origem: Juízo da primeira Vara da Comarca de Feira de Santana; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Acesso Aos Autos Da Investigação, Súmula Vinculante 14, Supressão De Instância, Competência Do Superior Tribunal De Justiça
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Parties
EDSON DOS SANTOS DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Autoridade Coatora
Juízo da primeira Vara da Comarca de Feira de Santana
Juízo De Origem
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 legalidade da prisão temporária
- 2 direito de acesso da defesa aos autos de investigação
- 3 possibilidade de atuação do STJ para fazer cumprir decisões de outros tribunais
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque (1) o Tribunal de origem já ordenou a entrega à defesa dos documentos relativos a diligências concluídas, eliminando interesse do pedido de vista; e (2) a matéria de fundo sobre a prisão temporária não foi apreciada na instância originária por ausência do decreto de prisão temporária nos autos, de modo que o conhecimento pelo STJ implicaria supressão de instância; assim, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ, o habeas corpus não foi conhecido.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de EDSON DOS SANTOS DA SILVA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA. Consta dos autos que o Juízo da primeira Vara da Comarca de Feira de Santana decretou a prisão temporária do paciente pela suposta prática do crime previsto no art. 159 do CP. Não há informação de que o mandado de prisão tenha sido cumprido. No julgamento do Habeas Corpus n. 030310-95.2024.8.05.0000, o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia concedeu parcialmente a ordem postulada "para determinar ao Juízo de Origem que permita o acesso à defesa do Paciente aos autos de n. 8000140-07.2024.8.05.0206 (PJE 1º Grau) ou, caso existam nos autos 8000140-07.2024.8.05.0206 diligências em andamento cujo sigilo se impõe, sob pena de inviabilizar as investigações, abrir novos autos contendo as provas já documentadas com diligências concluídas e decisões estritas ao Paciente, tornando possível ao seu advogado conhecer os termos do pedido e da decisão relativa à decretação de sua prisão temporária". A defesa relata que tomou conhecimento da ordem de prisão temporária do paciente em consulta ao BNMP e que, em afronta ao disposto na Súmula Vinculante n. 14, o Juízo de primeira instância negou-lhe vista dos autos da investigação, de modo que não é possível conhecer os motivos que determinaram a decretação da prisão. A despeito disso, o impetrante alega que não estariam presentes os requisitos para a imposição da medida, em especial quando se considera que o paciente é primário, não registra antecedentes, tem residência fixa e exerce ocupação lícita. Por essas razões, pede, inclusive liminarmente, que se determine ao Juízo de primeira instância que conceda vista dos autos da investigação à defesa e que seja reconhecida a ilegalidade da decretação da prisão temporária, com consequente expedição do respectivo contramandado de prisão. O pedido liminar foi indeferido (fls. 107-109). Em seguida, o Tribunal de origem e o Juízo de primeira instância prestaram as informações solicitadas (fls. 117-119 e 122-143). A defesa reitera o pedido (fls. 144-230 e 243-329), pois alega que o Juízo de primeira instância não cumpriu a ordem concedida pelo tribunal de origem ao julgamento do referido habeas corpus. O Ministério Público Federal manifesta-se pelo não conhecimento do habeas corpus (fls. 332-336). É o relatório. De início, constata-se que falta ao impetrante interesse de agir com relação ao pedido de vista dos autos da investigação criminal e, especificamente, da decisão que decretou a prisão temporária do paciente. Isso porque o acórdão proferido pelo Tribunal de origem no julgamento do Habeas Corpus n. 030310-95.2024.8.05.0000 determinou que o Juízo de primeiro grau apresentasse à defesa todos os documentos relativos à investigação que sejam relativos a diligências já concluídas, com expressa referência à decisão que decretou a prisão temporária do paciente. Assim, o acórdão do Tribunal de origem está em consonância com o disposto no art. 7º, XIV, da Lei n. 8.906/1994 e na Súmula Vinculante 14, de modo que a petição inicial, nesse ponto, não relata coação ilegal alguma. A propósito da alegação de que o Juízo de primeiro grau tem descumprido a decisão do Tribunal, é preciso consignar que o Superior Tribunal de Justiça não tem competência para fazer cumprir decisões proferidas por outros órgãos jurisdicionais, devendo o impetrante requerer o fiel cumprimento da ordem concedida ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. No que concerne ao pedido de cassação da ordem de prisão temporária, cujo teor é desconhecido, permanecem inteiramente aplicáveis as razões já declinadas na decisão que indeferiu o pedido liminar, as quais reproduzo a seguir: De início, constata-se que a matéria pertinente à prisão temporária não foi apreciada no acórdão impugnado, tendo o julgado feito o registro de que (fl. 34): .. não foi colacionado a o writ o decreto de prisão temporária imprescindível ao desate do ponto nodal da impetração, não se apresentando o writ em condições de apreciação à vista da ausência de prova pré-constituída, não suprida pelos informes judiciais, razão pela qual, como corolário lógico, não se conhece da ordem, no tópico, com destaque de que o Paciente encontra-se foragido. Essa circunstância impede o seu conhecimento por esta Corte Superior, sob pena de indevida supressão de instância. Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA HABEAS CORPUS. MATÉRIA DE FUNDO NÃO APRECIADA NA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.