HC 892013 - DECISAO
A pretensão não pôde ser conhecida porque o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ e aplica-se a Súmula 691 do STF, que impede o conhecimento de habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em tribunal a quo, salvo flagrante ilegalidade; não havendo manifesta ilegalidade, e diante da...
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- Parties
- Paciente: AMAURI TAVARES BARBOSA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 February 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Sobre Pedido Liminar (liminar Indeferida)
- Outcome
- Indeferida a liminar; habeas corpus não conhecido (aplicação da Súmula 691/STF)
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Medidas Cautelares Alternativas, Súmula 691/stf, Art. 282, §6º Do CPP, Investigação Criminal, Organização Criminosa
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Parties
AMAURI TAVARES BARBOSA DA SILVA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Sobre Pedido Liminar (liminar Indeferida)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão denegatória de liminar por relator
- 2 aplicabilidade da Súmula 691 do STF
- 3 existência dos requisitos para decretação da prisão temporária (Lei n. 7.960/1989)
Ratio Decidendi
A pretensão não pôde ser conhecida porque o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ e aplica-se a Súmula 691 do STF, que impede o conhecimento de habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em tribunal a quo, salvo flagrante ilegalidade; não havendo manifesta ilegalidade, e diante da fundamentação concreta apresentada para a decretação da prisão temporária (organização criminosa, papel dos investigados, imprescindibilidade para investigação e risco de interferência em provas), a liminar foi indeferida.
Court Disposition
Indeferida a liminar; habeas corpus não conhecido (aplicação da Súmula 691/STF)
Orders
- Indeferida liminarmente a presente ordem de habeas corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, impetrado em favor de AMAURI TAVARES BARBOSA DA SILVA em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que denegou o pedido de liminar formulado no HC n. 2037584-33.2024.8.26.0000. Consta dos autos a prisão temporária do paciente, decorrente de suposta prática dos delitos capitulados nos arts. 33 e 35 da Lei n. 11.343/2006 e no art. 1º, caput, da Lei n. 9.613/1998. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que a segregação processual do paciente, com predicados pessoais favoráveis, encontra-se despida de fundamentação idônea, pois amparada na mera gravidade abstrata dos delitos. Afirma que não estão presentes os requisitos autorizadores da prisão temporária, previstos na Lei n. 7.960/1989, e que foi desconsiderado o disposto no art. 282, § 6º do CPP, tendo em vista que deixaram de ser explicitados os motivos que levaram à não aplicação das medidas cautelares alternativas à prisão. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão cautelar, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a prisão temporária foi decretada com base em elementos concretos relativos à sua imprescindibilidade para a investigação criminal, diante da gravidade do crime, tendo em vista a seguinte fundamentação, adotada na origem: Restou demonstrado, a princípio, que, sob a liderança de Filipe, atua organização criminosa bem estruturada, com a participação de inúmeros membros, tanto em Marília/SP como em outras localidades, sendo identificadas, com riqueza de informações, pessoas que exercem diversas atividades, tais como o fornecimento, armazenamento, transporte e venda dos entorpecentes, colaboração na complexa logística desenvolvida e que abrange suas operações, além de outras funções (até mesmo o cultivo de drogas). Filipe Santarém Gomes tem como seu comparsa, ao que consta, CARLOS ALBERTO VALÉRIO DOS SANTOS (vulgo "DOG" e "CACHORRO"), apontado como o administrador da organização criminosa, contando, também, com AMAURI TAVARES BARBOSA DA SILVA (vulgo "MIQUIZILITI" e "MIQUI"), seu principal aliado na cidadede Marília/SP, apontado, então, o gerente da organização. .. Evidente, pois, que há fundadas razões da participação de todos os investigados mencionados, sendo certo que é imprescindível, para as investigações já em andamento no inquérito policial indicado acima, a prisão temporária deles, eis que as diligências da autoridade policial poderão ser obtidas de forma mais adequada com os averiguados presos, máxime o vasto conteúdo probatório, que indica a prática de crimes graves pela organização criminosa. Ora, em liberdade, poderão, os investigados (que, ao que consta, possuem condições financeiras), coagir testemunhas ou dificultar a localização de provas materiais (fl. 36). Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA