HC 918322 - DECISAO
O pedido não foi conhecido por esta Corte em razão da incidência da Súmula 691 do STF sobre habeas corpus impetrado contra decisão que indeferiu liminar em outro writ cujo mérito não foi julgado na origem; não se verificou flagrante ilegalidade que autorizasse exceção ao verbete sumular, e, em análise perfunctória,...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: DIEGO ALMEIDA KOS MIRANDA; Órgão Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática)
- Outcome
- liminar indeferida; pedido não conhecido em razão da Súmula 691/STF
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Contemporaneidade Da Custódia Cautelar, Fundamentação Do Decreto Prisional (art. 282, §6º, Cpp), Súmula 691 STF, Medidas Cautelares
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DIEGO ALMEIDA KOS MIRANDA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra indeferimento liminar em tribunal a quo (Súmula 691/STF)
- 2 fundamentação idônea da prisão temporária
- 3 observância do art. 282, §6º, CPP quanto à não aplicação de medidas cautelares alternativas
Ratio Decidendi
O pedido não foi conhecido por esta Corte em razão da incidência da Súmula 691 do STF sobre habeas corpus impetrado contra decisão que indeferiu liminar em outro writ cujo mérito não foi julgado na origem; não se verificou flagrante ilegalidade que autorizasse exceção ao verbete sumular, e, em análise perfunctória, a decisão de origem apresentou fundamentação plausível para a prisão temporária (necessidade de instrução da investigação, prevenção de interferência na produção de provas, gravidade concreta e indícios de recebimento de valores) que justificou o indeferimento da liminar.
Court Disposition
liminar indeferida; pedido não conhecido em razão da Súmula 691/STF
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, impetrado em favor de DIEGO ALMEIDA KOS MIRANDA em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ que denegou o pedido de liminar formulado no HC n. 0808822-41.2024.8.14.0000. Consta dos autos a prisão temporária do paciente decorrente de suposta prática dos delitos de associação criminosa, estelionato, falsificação de documento público e lavagem de dinheiro. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que a segregação processual do paciente encontra-se despida de fundamentação idônea. Aduz, ainda, que foi desconsiderado o disposto no art. 282, § 6º, do CPP, tendo em vista que deixaram de ser explicitados os motivos que levaram à não aplicação das medidas cautelares alternativas à prisão. Ademais, alega estar ausente a contemporaneidade dos motivos ensejadores da custódia cautelar. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão cautelar, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a prisão temporária foi decretada com base na seguinte motivação, adotada na origem (fls. 24/27): Considerando a necessidade de esclarecimento dos fatos sob investigação, diante dos veementes indícios de materialidade delitiva, objetivando robustecer os indícios de autoria que recaem sobre os representados, a identificação de novos agentes criminosos e o exaurimento de medidas cautelares em curso, hei por bem decretar a medida postulada. (..) Não obstante, a segregação cautelar na forma requerida é necessária ao acautelamento do procedimento investigativo, ante a necessidade de reunir novos meios informativos que possam habilitar o titular da ação penal a formar sua opinio delicti. À guisa de exemplo, restam pendentes de exaurimento medidas cautelares anteriormente deferidas, que visam a rastreabilidade do montante desviado. Em liberdade, os investigados podem promover indevida interferência na investigação criminal. (..) Ademais, a segregação tem por finalidade evitar que os alvos e demais investigados interfiram indevidamente na produção de provas, destruindo elementos, combinando versão para justificar o ocorrido ou cooptando agentes, o que já teria ocorrido, segundo o noticiante Paulo Brasil. Impende destacar, que o modus operandi supostamente empregado pela associação criminosa sob investigação, demonstra a periculosidade dos representados e a gravidade concreta dos delitos. O afastamento do sigilo bancário da empresa permitiu a identificação do recebimento de R$ 25.878.000,00 (VINTE E CINCO MILHÕES, OITOCENTOS E SETENTA E OITO MIL REAIS), angariados de quatro instituições financeiras distintas. (..) Nessa toada, denota-se ser a custódia requerida, ao menos neste instante, imprescindível ao avanço das investigações, e, também com vistas a impedir que os representados dificultem o esclarecimento dos fatos, ocultando/destruindo provas. Em relação à contemporaneidade dos motivos que ensejaram a prisão, não há flagrante ilegalidade, pois, segundo julgados do STJ, seu exame leva em conta não apenas o tempo entre os fatos e a segregação processual, mas também a necessidade e a presença dos requisitos da prisão no momento da sua decretação, sendo que a gravidade concreta do delito impede o esgotamento do periculum libertatis apenas pelo decurso do tempo (AgRg no RHC n. 169.803/ES, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 22/2/2023; AgRg no HC n. 707.562/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 11/3/2022; AgRg no HC n. 789.691/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 13/2/2023; AgRg no HC n. 775.563/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 12/12/2022; HC n. 741.498/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 29/6/2022). Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA