HC 993927 - DECISAO
Aplica-se a Súmula 691 do STF: não compete ao Superior Tribunal de Justiça conhecer de habeas corpus contra indeferimento liminar proferido na instância de origem, salvo flagrante ilegalidade; não estando evidenciada ilegalidade manifesta e verificando-se que a prisão temporária foi fundada em elementos que...
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- Parties
- Paciente: ENOIR JOSE GORGEN; Coatora: Desembargadora do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida No Superior Tribunal De Justiça; Decisão Monocrática De Indeferimento Liminar Proferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Súmula 691 Do STF, Medidas Cautelares Alternativas, Lei N. 7.960/1989, Art. 319 Do CPP, RISTJ
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Parties
ENOIR JOSE GORGEN
Paciente
Desembargadora do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida No Superior Tribunal De Justiça; Decisão Monocrática De Indeferimento Liminar Proferida
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra indeferimento liminar em tribunal a quo
- 2 legalidade e requisitos da prisão temporária
- 3 aplicação da Súmula 691/STF como óbice processual
Ratio Decidendi
Aplica-se a Súmula 691 do STF: não compete ao Superior Tribunal de Justiça conhecer de habeas corpus contra indeferimento liminar proferido na instância de origem, salvo flagrante ilegalidade; não estando evidenciada ilegalidade manifesta e verificando-se que a prisão temporária foi fundada em elementos que justificam sua imprescindibilidade para as investigações, indefere-se liminarmente o habeas corpus.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ENOIR JOSE GORGEN em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargadora do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 8018220-21.2025.8.05.0000. Consta dos autos a decretação da prisão temporária do paciente, em 26.3.2025, decorrente de suposta prática dos delitos capitulados nos arts. 121 e 211, ambos do Código Penal. O mandado de prisão temporária foi cumprido em 27.3.2025. Em suas razões, sustentam os impetrantes a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há indícios suficientes de autoria da prática delitiva e, bem como, as investigações estão se encaminhando em sentido contrário às provas e elementos fáticos preexistentes. Alegam existir testemunhas oculares capazes de atestar que o paciente não se encontrava na hora e no local do fato, bem como não possui qualquer relação com a prática criminosa. Ressaltam que a prisão temporária foi decretada com fundamento em um único depoimento unilateral de um investigado. Aduzem que o acusado possui condições pessoais favoráveis; que não estão presentes os requisitos autorizadores da prisão temporária, previstos na Lei n. 7.960/1989, e que o paciente é investigado por homicídio simples, de modo que a prisão temporária somente poderia ter sido decretada pelo prazo de 5 (cinco) dias, e não 30 (trinta). Defendem qu e se revelam adequadas e suficientes as medidas cautelares alternativas positivadas no art. 319 do CPP. Requerem, assim, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão temporária, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a a prisão temporária foi decretada com base em elementos concretos relativos à sua imprescindibilidade para a investigação criminal relativos ao risco de que a liberdade do paciente possa causar temor às testemunhas na colheita de depoimentos, à necessidade de esclarecer a materialidade e autoria do crime, além de ser essencial para a efetividade das diligências ainda em curso (fl. 184). Quanto ao mais, trata-se de matérias sensíveis e que demandam maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do Habeas Corpus impetrado no Tribunal a quo antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA