HC 1047211 - DECISAO
A Corte Superior indeferiu a liminar do habeas corpus por aplicar o enunciado 691 da Súmula do STF, por entender que a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem e não haver circunstância excepcional ou flagrante ilegalidade que justificasse a intervenção prematura do STJ; determinou aguardar o esgotamento da...
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- Parties
- Paciente: MAGNA MARTINS FERREIRA; Ato Coator: Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Mérito Não Apreciado Pelo Tribunal De Origem
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Prorrogação De Prisão Temporária, Fundamentação Da Prisão, Medidas Cautelares, Súmula 691/stf
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Parties
MAGNA MARTINS FERREIRA
Paciente
Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Mérito Não Apreciado Pelo Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra indeferimento de liminar em outro writ
- 2 aplicação da Súmula 691 do STF
- 3 necessidade de esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem antes do STJ interferir
Ratio Decidendi
A Corte Superior indeferiu a liminar do habeas corpus por aplicar o enunciado 691 da Súmula do STF, por entender que a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem e não haver circunstância excepcional ou flagrante ilegalidade que justificasse a intervenção prematura do STJ; determinou aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem e, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c art. 210 do RISTJ, indeferiu liminarmente o pedido.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de MAGNA MARTINS FERREIRA em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 5871568-58.2025.8.09.0000. Consta dos autos a prisão temporária da paciente, em 4.9.2025, pelo prazo de 30 (trinta) dias, decorrente de suposta prática dos delitos capitulados nos arts. 273, § 1º, e 288, ambos do Código Penal, com posterior prorrogação por igual período. Em suas razões, sustentam os impetrantes a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a decisão que prorrogou a prisão temporária é genérica e desprovida de fundamentação concreta, limitando-se a referências à complexidade da investigação, à necessidade de perícias e extrações de dados telemáticos e ao risco à instrução, sem demonstrar a imprescindibilidade da medida especificamente em relação à paciente. Argumentam que a prisão é desproporcional diante dos predicados pessoais favoráveis da paciente, como primariedade, bons antecedentes, residência fixa e exercício de atividades laborais como professora e atendente de rodoviária, além de uso contínuo de medicação controlada. Defendem que medidas cautelares alternativas mostram-se suficientes para resguardar a investigação, podendo a paciente aguardar o curso do procedimento em liberdade , sem prejuízo da aplicação de condições diversas da prisão. Alegam que a extensão dos efeitos, nos termos do art. 580 do CPP, deve ser aplicada, pois corréus em idêntica situação fático-jurídica obtiveram ordem concedendo a liberdade em anteriores processos, e a negativa à paciente caracteriza violação ao princípio da isonomia. Requerem, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão temporária, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA