HC 1092120 - DECISAO
O pedido de habeas corpus não foi conhecido porque a matéria ainda não foi apreciada no mérito pelo Tribunal de origem, incidindo o óbice da Súmula 691 do STF, inexistindo situação excepcional de flagrante ilegalidade ou teratologia que autorizasse a intervenção prematura do Superior Tribunal de Justiça; assim,...
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- Parties
- Paciente: EDGARD CHEDIAC NETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido Monocraticamente No Stj; Mérito Do Writ Não Apreciado Pelo Tribunal De Origem
- Outcome
- Liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Prisão Preventiva, Conversão De Prisão Cautelar, Súmula 691 STF, Nulidade Do Mandado De Prisão
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Parties
EDGARD CHEDIAC NETO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido Monocraticamente No Stj; Mérito Do Writ Não Apreciado Pelo Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 nulidade da prisão temporária por ausência do termo final no mandado
- 2 possibilidade de convalidação da temporária mediante prisão preventiva superveniente
- 3 cabimento de habeas corpus no STJ contra indeferimento liminar proferido em tribunal de origem
Ratio Decidendi
O pedido de habeas corpus não foi conhecido porque a matéria ainda não foi apreciada no mérito pelo Tribunal de origem, incidindo o óbice da Súmula 691 do STF, inexistindo situação excepcional de flagrante ilegalidade ou teratologia que autorizasse a intervenção prematura do Superior Tribunal de Justiça; assim, indeferiu-se liminarmente o HC e determinou-se cientificar o Ministério Público Federal.
Court Disposition
Liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de EDGARD CHEDIAC NETO em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 2102088-77.2026.8.26.0000. Consta dos autos a prisão temporária do paciente, posteriormente convertida em custódia preventiva, no contexto de investigação de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Em suas razões, sustentam os impetrantes a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a prisão temporária seria nula em razão da ausência, no mandado, do dia do término da custódia, requisito legal obrigatório, não suprível por cálculos posteriores. Alegam que a prisão preventiva superveniente não poderia convalidar a temporária viciada, pois foi decretada com o mesmo suporte fático, sem novidade idônea e com o paciente já sob custódia estatal. Destacam que inexiste fato novo apto a justificar a conversão em preventiva, destacando a ausência de fuga, ameaça a testemunhas, destruição de provas ou descumprimento de ca utelares atribuíveis ao paciente, bem como a repetição de fundamentos da temporária. Defendem que a conversão em preventiva ocorreu sem contraditório prévio específico, apesar de o paciente já se encontrar preso temporariamente e de não haver urgência concreta a autorizar o contraditório diferido. Expõem que a fundamentação é genérica e desprovida de individualização quanto ao paciente, pois se refere aos "investigados" em bloco, sem demonstrar periculum libertatis concreto. Afirmam que não foram explicitados, de forma individualizada, os motivos para a não aplicação de medidas cautelares alternativas, as quais se mostram adequadas e suficientes ao caso. Argumentam que a manutenção da custódia funciona como meio de pressão investigativa, contrariando o regime constitucional da prisão cautelar e o direito à não autoincriminação, dado o uso de argumentos de conveniência investigativa abstrata. Requerem, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão cautelar, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA