HC 1097962 - DECISAO
A liminar foi indeferida porque a matéria não havia sido examinada pelo Tribunal de origem e não existiam fatos excepcionais ou flagrante ilegalidade que justificassem a intervenção prematura desta Corte, aplicando-se a Súmula 691 do STF; por esse motivo, deve-se aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de...
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- Parties
- Paciente: ADRIANA SOUZA POSSOBOM ARAGAO DE MIRANDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 May 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida Pelo Stj; Mérito Do Writ Ainda Não Julgado No Tribunal De Origem
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Liminar, Súmula 691/stf, Revogação De Prisão Temporária, Medidas Cautelares Alternativas
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Parties
ADRIANA SOUZA POSSOBOM ARAGAO DE MIRANDA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida Pelo Stj; Mérito Do Writ Ainda Não Julgado No Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra indeferimento liminar em instância de origem (Súmula 691 STF)
- 2 necessidade de demonstrar flagrante ilegalidade ou excepcionalidade para superar a Súmula 691
- 3 requisitos e finalidade da prisão temporária e sua contemporaneidade
Ratio Decidendi
A liminar foi indeferida porque a matéria não havia sido examinada pelo Tribunal de origem e não existiam fatos excepcionais ou flagrante ilegalidade que justificassem a intervenção prematura desta Corte, aplicando-se a Súmula 691 do STF; por esse motivo, deve-se aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem, fundamento que autorizou o indeferimento liminar com base no art. 21-E, IV, c/c art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ADRIANA SOUZA POSSOBOM ARAGAO DE MIRANDA em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 0032497-57.2026.8.19.0000 (fls. 9-13). Consta dos autos a prisão temporária da paciente decorrente da suposta prática dos delitos capitulados nos arts. 121, caput, e 121, § 2º, do CP, em razão de fatos investigados em inquérito policial, com decretação e posterior prorrogação da custódia por 30 (trinta) dias. Em suas razões, sustenta os impetrantes a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não estão presentes os requisitos autorizadores da prisão temporária, previstos na Lei n. 7.960/1989, ausente demonstração concreta e contemporânea de imprescindibilidade investigativa para a manutenção da medida. Alega que há fundamentação apenas aparente na decisão que manteve a segregação, sem enfrentamento específico dos argumentos defensivos deduzidos no habeas corpus originário, limitando-se a reproduzir trechos da representação policial e da manifestação ministerial. Argumenta que as diligências remanescentes são de natureza eminentemente técnica e já sob controle estatal análise de dados telemáticos, perícia em celulares apreendidos, retornos de quebras de sigilo e busca de supostos terceiros não individualizados não havendo demonstração de que a liberdade da paciente comprometeria tais providências. Defende que a decisão utilizou indevidamente fundamentos próprios da prisão preventiva, como "garantia da ordem pública", para justificar a prisão temporária, contaminando o regime jurídico excepcional da medida e distorcendo sua finalidade estritamente instrumental. Expõe que está ausente a contemporaneidade dos motivos ensejadores da custódia, diante do exaurimento da finalidade da temporária pela evolução do inquérito, com oitivas e apreensões já realizadas, sem renovação concreta do perigo investigativo. Requer, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão temporária da paciente, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA