AREsp 2625230 - DECISAO
Rejeitaram‑se os embargos porque o embargante não juntou a cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento dando poderes ao subscritor do recurso, deixou de regularizar o vício após intimação (preclusão), sendo inaplicável ao STJ a dispensa prevista no art. 1.017, § 5º, do CPC; assim, não há omissão,...
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- Parties
- Embargante: DOUGLAS PERROTTI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Após Decisão De Não Conhecimento Do Recurso
- Outcome
- Rejeitam‑se os Embargos de Declaração
- Legal Topics
- Procuração, Representação Processual, Regularização De Vício, Preclusão, Embargos De Declaração, Conhecimento De Recurso
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Parties
DOUGLAS PERROTTI
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Após Decisão De Não Conhecimento Do Recurso
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 1.017, § 5º, do CPC ao STJ
- 2 Obrigatoriedade de juntada da cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento em recurso especial
- 3 Sanabilidade do vício de representação e preclusão temporal
Ratio Decidendi
Rejeitaram‑se os embargos porque o embargante não juntou a cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento dando poderes ao subscritor do recurso, deixou de regularizar o vício após intimação (preclusão), sendo inaplicável ao STJ a dispensa prevista no art. 1.017, § 5º, do CPC; assim, não há omissão, obscuridade, contradição ou erro material a ser sanado.
Court Disposition
Rejeitam‑se os Embargos de Declaração
Orders
- Rejeito os Embargos de Declaração
- Advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, por serem manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC).
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por DOUGLAS PERROTTI à decisão de fl. 106, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: Entretanto, verifica-se a presença de omissão na r. decisão embargada, uma vez que, conforme dispõe o art. 1.017, § 5º, do CPC, a juntada de procuração é dispensada em sendo os autos eletrônicos, já que entendeu o legislador que a regularidade da representação, nesses casos, já restaria demonstrada nos autos principais. E tal fato, por si só, seria capaz de infirmar a decisão embargada (art. 489, § 1º, IV, do CPC), já que, apesar de se tratar de recurso à instância superior, os autos principais poderiam ser acessados para a confirmação da regularidade. E mais: dispõe o art. 76 do CPC que a concessão de prazo para regularização do vício processual no que tange à representação deve ser razoável, o que demonstra que se trata de vício sanável, que não pode constituir óbice ao conhecimento do recurso (fl. 111). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. No caso, o recorrente, no momento da interposição do recurso, não procedeu à juntada da cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento conferindo poderes ao subscritor do Agravo e/ou Recurso Especial, Dr. Nelson Roberto Correia dos Santos Junior. Mesmo diante da intimação da parte para sanear o vício, não houve a devida regularização, porquanto deixou o prazo transcorrer in albis. Registre-se que a dispensa prevista no art. 1017, § 5º, do CPC se aplica à interposição do Agravo de Instrumento para o Tribunal a quo, ou seja, a dispensa está voltada ao primeiro e ao segundo graus de jurisdição, tendo em vista que, a princípio, compartilhariam o mesmo sistema eletrônico. Nesse sentido, o AgInt no REsp 1869850/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17.2.2021; AgInt no AREsp 1691791/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 20.11.2020; AgInt no AREsp 1504387/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 27.2.2020. Portanto, conclui-se que, a referida dispensa não se estende ao STJ, cabendo à parte providenciar a juntada de cópia ou novo instrumento aos autos quando da interposição de recurso a esta Corte. Além do mais, não tem o condão de sanar tal vício a alegação da existência de procuração em autos prin cipais, pois cabe à parte providenciar a juntada de cópia ou novo instrumento aos autos onde pretende interpor o recurso. A responsabilidade pelo traslado do instrumento é da parte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO. REGULARIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO NO PRAZO ESTABELECIDO. INÉRCIA. DOCUMENTO NOS AUTOS ORIGINAIS. ART. 1.017, § 5º, do CPC/2015. INAPLICABILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme prevê o art. 76, § 2º, I, do CPC/2015, não se conhece do recurso quando a parte recorrente, apesar de intimada, deixa de sanar vício na representação processual no prazo estabelecido. 2. "A jurisprudência do STJ entende que a procuração juntada em outro processo conexo ou incidental, não apensado, não produz efeito em favor do recorrente neste Tribunal Superior." (AgInt no AREsp n. 1.447.689/DF, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/10/2019, DJe 16/10/2019). 3. Inaplicável o art. 1.017, § 5º, do CPC/2015 no âmbito do recurso especial ou do respectivo agravo contra sua inadmissibilidade. Precedentes. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp 1496951/MS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 6.5.2020.) Ademais, registre-se que foi dada a oportunidade, nesta Corte, para a parte sanar o vício de representação e, apesar disso, não houve a regularização. Somente agora, em sede destes aclaratórios, a parte trouxe o instrumento de mandato com o fim de regularizar a representação, no entanto, não pode ser aceito, em razão da preclusão. (AgInt no AREsp 1520555/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 30.6.2020; AgInt no REsp 1788526/TO, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; e AgInt no REsp 1830797/SE, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 18.3.2020.) Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA