AREsp 2643612 - DECISAO
Aplicando-se o CPC/2015 ao caso (intimação do decisum posterior a 18/3/2016), a parte foi regularmente intimada, nos termos do art. 76, para corrigir a representação processual no prazo improrrogável de cinco dias e deixou de fazê-lo; a juntada de procuração em autos principais não supre a ausência nos autos onde se...
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- Parties
- Embargante: WALTER CARLOS DE SOUZA; Embargante: LAZARA IVANA DE OLIVEIRA SOUZA; Embargante: WALPAN SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de Declaração rejeitados
- Legal Topics
- Procuração, Representação Processual, Admissibilidade Recursal, Intimação Para Regularização, Súmula 115/stj, Tempus Regit Actum
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Parties
WALTER CARLOS DE SOUZA
Embargante
LAZARA IVANA DE OLIVEIRA SOUZA
Embargante
WALPAN SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 ausência de procuração nos autos
- 2 aplicação do Código de Processo Civil de 2015 (tempus regit actum)
- 3 intimação para regularizar representação processual e inércia da parte
Ratio Decidendi
Aplicando-se o CPC/2015 ao caso (intimação do decisum posterior a 18/3/2016), a parte foi regularmente intimada, nos termos do art. 76, para corrigir a representação processual no prazo improrrogável de cinco dias e deixou de fazê-lo; a juntada de procuração em autos principais não supre a ausência nos autos onde se pretende interpor o recurso; a dispensa prevista no art. 1.017, §5º, não alcança o STJ; portanto não há obscuridade, omissão, contradição ou erro material a justificar acolhimento dos embargos, devendo eles ser rejeitados.
Court Disposition
Embargos de Declaração rejeitados
Orders
- Rejeitam-se os Embargos de Declaração
- Advirte-se a parte embargante que a reiteração do expediente ensejará multa de 2% sobre o valor atualizado da causa
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por WALTER CARLOS DE SOUZA, LAZARA IVANA DE OLIVEIRA SOUZA e WALPAN SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA à decisão de fls. 99/100, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: A Exa. Ministra, na r. decisão, entendeu não haver condições para o prosseguimento e conhecimento do Agravo, em razão da ausência de procuração nos autos, fundamentando sua decisão com base na súmula 115 do Superior Tribunal de Justiça. .. O presente recurso é cabível, pois a fundamentação para o não conhecimento do Agravo baseou-se em entendimento vinculado ao Código de Processo Civil de 1973, gerando obscuridade na fundamentação da decisão, uma vez que este entendimento está relacionado a uma legislação já revogada. Portanto, não pode o julgador decidir pelo não conhecimento do recurso sem oportunizar à parte a correção do equívoco. Assim, havendo obscuridade na r. decisão embargada, deve-se alterá-la pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. .. Excelência, com a alteração do Código de Processo Civil, as decisões proferidas pelo Poder Judiciário devem ser pautadas no princípio da primazia da resolução do mérito, não sendo compatível o não conhecimento do Recurso de Agravo apenas pela falta de juntada da procuração nos autos. O procurador esteve constituído durante todo o curso processual, inclusive na fase recursal, e a mera ausência de cópia da procuração não o torna desconstituído, sendo necessária a abertura de prazo para sanar o vício apontado. Seguem decisões sobre este entendimento: .. Não obstante, a súmula mencionada na decisão data de 1994, refletindo uma realidade do Poder Judiciário diferente da atual. O processo tramitou integralmente de forma digital, permitindo ao escrivão e a Vossa Excelência verificar rapidamente que o procurador está devidamente constituído nos autos. .. Nesse contexto, a decisão fere o princípio da cooperação, pois todos os envolvidos devem colaborar para que os processos tenham uma solução rápida e eficaz. A insistência em formalidades exageradas, contrárias ao disposto na legislação processual, apenas aumenta a quantidade de atos processuais, que poderiam ser facilmente resolvidos (fls. 104/107). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. No caso, a parte recorrente, no momento da interposição do recurso, não procedeu à juntada da cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento conferindo poderes ao subscritor do agravo e do recurso especial, Dr. Marcos Pinto Nieto. Entretanto, o marco temporal de aplicação do Código de Processo Civil de 2015 é a intimação do decisum recorrido que, no presente caso, foi realizada após 18.3.2016, já sob a égide do novo códex processual. Assim, nos termos do Enunciado Administrativo n. 3 do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC", em observância ao princípio do tempus regit actum, ou seja, no presente caso aplicam-se as regras do Código de Processo Civil de 2015. Dessa forma, nos termos do art. 76 do Código de Processo Civil, foi intimada a parte recorrente para regularizar a representação processual, no prazo improrrogável de 5 (cinco) dias, sob pena de não conhecimento do recurso. Mesmo diante da intimação da parte para sanear o vício, não houve a devida regularização, porquanto deixou o prazo transcorrer in albis. Além disso, não tem o condão de sanar tal vício a alegação da existência de procuração em autos principais, pois cabe à parte providenciar a juntada de cópia ou novo instrumento aos autos onde pretende interpor o recurso. A responsabilidade pelo traslado do instrumento é da parte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO. REGULARIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO NO PRAZO ESTABELECIDO. INÉRCIA. DOCUMENTO NOS AUTOS ORIGINAIS. ART. 1.017, § 5º, do CPC/2015. INAPLICABILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme prevê o art. 76, § 2º, I, do CPC/2015, não se conhece do recurso quando a parte recorrente, apesar de intimada, deixa de sanar vício na representação processual no prazo estabelecido. 2. "A jurisprudência do STJ entende que a procuração juntada em outro processo conexo ou incidental, não apensado, não produz efeito em favor do recorrente neste Tribunal Superior." (AgInt no AREsp n. 1.447.689/DF, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/10/2019, DJe 16/10/2019). 3. Inaplicável o art. 1.017, § 5º, do CPC/2015 no âmbito do recurso especial ou do respectivo agravo contra sua inadmissibilidade. Precedentes. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp 1496951/MS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 6.5.2020.) Registre-se que a dispensa prevista no art. 1017, § 5º, do CPC se aplica à interposição do Agravo de Instrumento para o Tribunal a quo, ou seja, a dispensa está voltada ao primeiro e ao segundo graus de jurisdição, tendo em vista que, a princípio, compartilhariam o mesmo sistema eletrônico. Nesse sentido, o AgInt no REsp 1869850/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17.2.2021; AgInt no AREsp 1691791/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 20.11.2020; AgInt no AREsp 1504387/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 27.2.2020. Portanto, conclui-se que, a referida dispensa não se estende ao STJ, cabendo à parte providenciar a juntada de cópia ou novo instrumento aos autos quando da interposição de recurso a esta Corte. Ainda, não há ofensa ao princípio da cooperação, visto que já foi dada a oportunidade de regularização da representação processual. Ademais, "Não há falar em aplicação do princípio da primazia da resolução do mérito, a fim de sobrepujar a não observância dos requisitos de admissibilidade recursal, sobretudo quando se tratar de defeito grave e insanável". No caso, intimada a parte, não houve a regularização do vício da representação. Confira-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO OU CADEIA COMPLETA DE SUBSTABELECIMENTO CONFERINDO PODERES AO SUBSCRITOR DO AGRAVO E DO RECURSO ESPECIAL. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO. FALHA NÃO SUPRIDA OPORTUNAMENTE. SÚMULA 115/STJ. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Interposto recurso por advogado sem procuração dos autos, dele não se pode conhecer, consoante o art. 76, § 2º, I, c/c o art. 932, parágrafo único, do CPC/2015, na hipótese em que a parte recorrente, instada a regularizar a representação processual, não a promove no prazo que para tanto lhe foi assinado. Incidência do enunciado n. 115 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 2. A dispensa da juntada de procuração em processos eletrônicos, prevista no art. 1.017, § 5º, do CPC/2015, não se estende ao recurso especial ou ao agravo contra a sua inadmissibilidade, porquanto a aplicação do referido dispositivo é específica da classe processual "agravo de instrumento". 3. Não há falar em aplicação do princípio da primazia da resolução do mérito, a fim de sobrepujar a não observância dos requisitos de admissibilidade recursal, sobretudo quando se tratar de defeito grave e insanável. Precedente. 4. Registre-se que "a ideia de ônus consiste em que a parte deve, no processo, praticar oportunamente determinados atos em seu próprio benefício; consequentemente, se ficar inerte, esse comportamento poderá acarretar efeito danoso para ela". (REsp 1426413/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/12/2016, DJe 22/02/2017). 5. A jurisprudência do STJ entende que a procuração juntada em outro processo conexo ou incidental, não apensado, não produz efeito em favor do recorrente neste Tribunal Superior. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.208.246/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 6.3.2023, DJe de 13.3.2023.) Outrossim, o processo deve ser uma sequência de atos ordenados, com o propósito de servir à prestação jurisdicional. Por outro lado, a prestação jurisdicional não pode durar para sempre. O processo nasce direcionado a um fim e ao seu próprio fim. Não pode ser um instrumento de perseguição infinita do direito material. Portanto, a observância dos prazos constitui direito das partes, representa a garantia de segurança jurídica, bem como garante a característica temporal do processo. Ressalte-se que a Súmula n. 115/STJ permanece válida sob a vigência do Código de Processo Civil de 2015. No entanto, agora, mesmo que o recurso tenha sido interposto por advogado sem procuração nos autos, antes de o recurso ser considerado inexistente, a parte será intimada para sanar o vício, de acordo com o art. 76 c/c art. 932, parágrafo único, como, de fato, ocorreu nos autos (AgInt no REsp n. 2.091.118/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 14.3.2024.). É cediço, também, que o julgador não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (AREsp 1592147/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp 1639930/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1342656/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 7.5.2020.) Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA